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Clima

Prato feito mais caro: por que o preço do feijão disparou em todas as capitais

Preço do feijão sobe em todas as capitais brasileiras após chuvas prejudicarem colheita. Cesta básica em São Paulo chega a R$ 883, pressionando o salário mínimo.

09 abr 2026 - 08h26 Joice Gomes   atualizado às 08h28
Prato feito mais caro: por que o preço do feijão disparou em todas as capitais Chuvas nas regiões produtoras reduziram a oferta de feijão, elevando os preços nos supermercados de todo o país. (Imagem: gerado por IA)

Fazer as compras do mês tornou-se um desafio matemático para milhões de brasileiros em março. O preço do feijão, item indispensável na mesa nacional, disparou em todas as 27 capitais do país, impulsionado por um regime de chuvas implacável que castigou as principais regiões produtoras e reduziu drasticamente a oferta do grão nas prateleiras.

De acordo com o monitoramento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o custo dos alimentos essenciais subiu de forma generalizada. São Paulo permanece com o valor mais alto do país, onde a cesta básica atinge R$ 883,94, enquanto Aracaju apresenta a média mais baixa, fixada em R$ 598,45.

Na prática, isso muda mais do que parece para o orçamento doméstico. Além do feijão, itens como batata, tomate, carne bovina e leite também registraram altas expressivas. Mas o impacto vai além de uma simples variação sazonal: o cenário reflete uma combinação de fatores climáticos e econômicos que pressionam diretamente o poder de compra das famílias.

O que está por trás da alta nos preços

O grande vilão do momento é o clima. O excesso de precipitação no Paraná e na Bahia prejudicou a colheita e reduziu a área plantada da primeira safra. Segundo Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), muitos produtores que esperavam colher 60 sacas acabaram entregando apenas metade desse volume devido à umidade excessiva.

E é aqui que está o ponto central: a escassez do feijão tipo carioca elevou seu valor de mercado para patamares próximos a R$ 350 a saca. Diferente do feijão preto, que possui estoques maiores e até mercado externo, o carioca depende exclusivamente do consumo interno e sofre com a falta de mecanismos de garantia de preço pelo governo, deixando o produtor e o consumidor, expostos à volatilidade.

A situação no Mato Grosso do Sul também acende um alerta. Lá, o atraso provocado pelas chuvas forçou agricultores a substituírem o cultivo por variedades destinadas à exportação, diminuindo ainda mais o volume de grãos que chegam aos supermercados brasileiros.

O peso real no salário mínimo

Para o trabalhador que recebe o piso nacional de R$ 1.621,00, a sobrevivência exige um esforço físico e financeiro crescente. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, é necessário dedicar mais de 100 horas de trabalho mensais apenas para custear os itens básicos de alimentação. Em média, quase 50% do rendimento líquido do trabalhador é consumido antes mesmo de pagar aluguel ou contas de luz.

O Dieese aponta que, para suprir todas as necessidades constitucionais de uma família de quatro pessoas, incluindo moradia, saúde e educação, o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 7.425,99, ou seja, mais de quatro vezes o valor atual. Essa discrepância revela a fragilidade do poder de compra diante de choques de oferta de alimentos.

Olhando para o futuro, a expectativa é de que os preços só comecem a ceder entre agosto e outubro, com a entrada da safra irrigada. Até lá, a incerteza sobre o custo de fertilizantes e combustíveis, somada a uma tendência global de alta nas commodities, indica que o brasileiro precisará manter a cautela e o planejamento rígido diante do carrinho de compras.

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