Aluno em Sala de Aula
(Imagem: Foto: MP do Mato Grosso do Sul)
Estudantes com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem têm direito a acompanhamento específico nas escolas brasileiras. A garantia está prevista na Lei nº 14.254/2021, que estabelece medidas de assistência integral para crianças e adolescentes da educação básica, tanto na rede pública quanto na particular.
A legislação determina que o poder público desenvolva e mantenha programas de acompanhamento que envolvam a identificação precoce das dificuldades, o encaminhamento para diagnóstico e o apoio educacional. A norma também prevê atendimento terapêutico especializado na rede de saúde, quando necessário.
O objetivo é permitir que os estudantes recebam suporte adequado às suas necessidades, evitando que dificuldades relacionadas à aprendizagem comprometam seu desenvolvimento escolar e social.
O que determina a Lei 14.254/2021?
Sancionada em 30 de novembro de 2021, a Lei nº 14.254 estabelece que alunos com dislexia, TDAH ou outros transtornos de aprendizagem devem receber acompanhamento integral.
De acordo com o texto, esse atendimento envolve diferentes etapas, que precisam ser articuladas entre os setores de educação e saúde. Entre as medidas previstas estão:
- Identificação precoce de sinais relacionados aos transtornos;
- Encaminhamento do estudante para avaliação e diagnóstico;
- Apoio educacional na escola;
- Acompanhamento específico de acordo com as dificuldades apresentadas;
- Apoio terapêutico especializado na rede de saúde, quando necessário;
- Atuação conjunta entre profissionais da educação e da saúde.
A legislação também prevê a participação das famílias e dos serviços de saúde existentes no território para garantir cuidado e proteção aos estudantes.
Escolas públicas e privadas devem oferecer acompanhamento
A lei abrange as instituições de educação básica das redes pública e privada. Dessa forma, o acompanhamento não é uma previsão restrita aos alunos matriculados em escolas públicas.
O texto determina que as instituições garantam cuidado e proteção aos estudantes com os transtornos mencionados, com apoio das famílias e dos serviços de saúde disponíveis.
Outro ponto importante está no acompanhamento dentro da própria escola. Alunos que apresentam alterações no desenvolvimento da leitura e da escrita ou instabilidade na atenção, quando essas condições repercutem na aprendizagem, devem receber atenção específica dos educadores.
A assistência precisa ser direcionada às dificuldades de cada estudante e oferecida da forma mais precoce possível.
Atendimento deve envolver profissionais da educação e da saúde
A Lei nº 14.254/2021 também estabelece que as necessidades específicas dos estudantes sejam atendidas em parceria entre profissionais da rede de ensino e da rede de saúde.
Quando houver indicação de intervenção terapêutica, o atendimento deverá ocorrer em serviço de saúde com possibilidade de avaliação diagnóstica. A legislação prevê, nesses casos, metas de acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, formada pelos profissionais necessários à abordagem.
A proposta é evitar que a responsabilidade pelo desenvolvimento do aluno fique concentrada apenas na escola ou na família. O acompanhamento deve considerar as diferentes necessidades da criança ou do adolescente.
Professores também devem receber capacitação
A legislação não trata apenas dos direitos dos estudantes. O texto determina que os sistemas de ensino garantam aos professores da educação básica acesso a informações e formação continuada.
A capacitação deve ajudar os profissionais a identificar precocemente sinais relacionados à dislexia, ao TDAH e a outros transtornos de aprendizagem, além de orientar o atendimento educacional dentro das instituições.
Com isso, os educadores podem reconhecer dificuldades que exigem atenção e orientar os encaminhamentos necessários, em articulação com as famílias e os serviços especializados.
O que fazer quando o estudante apresenta dificuldades?
Pais e responsáveis que identificarem dificuldades persistentes na leitura, na escrita ou na atenção com impacto na aprendizagem podem procurar a escola para conversar com os educadores e solicitar orientação sobre os encaminhamentos disponíveis.
A avaliação deve ser realizada por profissionais habilitados, conforme a necessidade de cada caso. A lei prevê a articulação entre educação e saúde, mas não estabelece que toda dificuldade escolar represente necessariamente um transtorno.
A Lei nº 14.254/2021 reforça, portanto, a importância da identificação precoce, do acompanhamento individualizado e da cooperação entre escolas, famílias e serviços de saúde para garantir melhores condições de aprendizagem e desenvolvimento aos estudantes.
Jornalista formado pela UNIFG. Experiência de 4 anos em redação política. Atuou como redator em duas eleições. Criou e apresentou o programa “Fala Político”, onde entrevistou diversos políticos da Região Metropolitana do...
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