Novembro Azul
(Imagem: Foto Arte/Portal Mais 360)
O câncer de próstata continua entre os principais desafios da saúde masculina no Brasil. Em 2025, aproximadamente 18,5 mil homens morreram em decorrência da doença, o equivalente a uma média de 50 vítimas por dia. Os números, divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com base em dados do Ministério da Saúde, reforçam a importância da atenção à saúde masculina durante o Novembro Azul.
Além do volume de mortes, outro dado preocupa os especialistas: os óbitos registrados em 2025 foram cerca de 20% superiores aos contabilizados dez anos antes, quando o país registrou aproximadamente 15,4 mil mortes pela doença.
A estimativa para 2026 também chama a atenção. Mais de 77 mil novos casos de câncer de próstata devem ser identificados no país neste ano, o que mantém o tumor como o tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros.
O cenário, entretanto, não significa que o diagnóstico represente uma sentença. Segundo a SBU, quando identificado em estágio inicial, o câncer de próstata apresenta até 90% de chances de cura. O desafio está justamente em descobrir a doença antes que ela provoque manifestações perceptíveis.
Por que o câncer de próstata exige atenção mesmo sem sintomas?
Um dos principais obstáculos no combate à doença é seu comportamento silencioso nas fases iniciais. Muitos homens não apresentam sinais que indiquem a presença de um tumor, o que pode atrasar a procura por atendimento médico.
Quando o câncer avança, podem surgir alterações urinárias, presença de sangue na urina ou no sêmen, diminuição da força do jato urinário e necessidade de urinar com maior frequência. Disfunção erétil e dores nos ossos também podem ocorrer em estágios mais avançados.
Por isso, esperar o aparecimento de sintomas não é uma estratégia segura para identificar precocemente a doença.
O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Roni Carvalho Fernandes, chama a atenção para a importância da investigação médica antes que o tumor apresente sinais mais evidentes. Segundo ele, aguardar dificuldades para urinar ou dores pode significar perder a oportunidade de descobrir a doença em uma fase com maiores possibilidades de tratamento.
Novembro Azul reforça a importância da avaliação urológica
A campanha Novembro Azul busca incentivar os homens a cuidar da própria saúde e superar barreiras culturais que historicamente dificultam a procura por atendimento médico.
De acordo com a SBU, a investigação da próstata pode envolver dois procedimentos: o exame de sangue para medir o PSA (antígeno prostático específico) e o exame de toque retal, utilizado para avaliar características da glândula, como tamanho, formato e textura.
Caso os resultados indiquem alguma alteração suspeita, o médico poderá solicitar exames complementares e, quando necessário, uma biópsia para confirmar ou descartar a presença de câncer.
A avaliação deve considerar as características de cada paciente. A recomendação da SBU é que homens a partir dos 50 anos procurem um urologista para discutir a investigação individualizada.
Para homens negros, pessoas com obesidade ou que tenham histórico familiar de câncer de próstata, a orientação é antecipar essa conversa com o especialista, a partir dos 45 anos.
Quem precisa começar a investigar mais cedo?
Alguns fatores estão associados a um risco maior de desenvolver câncer de próstata. Entre eles estão:
- Histórico familiar: ter parentes próximos que tiveram a doença, especialmente pai ou irmão;
- Raça: homens negros apresentam maior risco de desenvolver esse tipo de câncer;
- Obesidade: está entre os fatores associados a maior preocupação com a doença.
A presença desses fatores não significa que o homem necessariamente desenvolverá um tumor. No entanto, reforça a importância de conversar com um profissional de saúde sobre o momento adequado para iniciar a avaliação.
A decisão sobre a realização dos exames deve levar em conta idade, histórico familiar, condições clínicas, possíveis benefícios e riscos. Por isso, a orientação médica individualizada é fundamental.
Novas tecnologias ampliam as opções de tratamento
Além da conscientização e do diagnóstico precoce, os avanços no tratamento também fazem parte do cenário de enfrentamento ao câncer de próstata.
Segundo a SBU, em 2026, a cirurgia da próstata assistida por robô foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia permite que o procedimento seja realizado com auxílio de equipamentos robóticos controlados pela equipe médica.
Outra novidade mencionada pela entidade é a aprovação, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), de modalidades como o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioblação.
O HIFU utiliza ondas de ultrassom concentradas em uma região específica para destruir o tecido tumoral. Já a crioblação emprega agulhas finas que são introduzidas na área afetada e liberam um gás em baixa temperatura, provocando o congelamento e a destruição das células cancerosas.
A indicação dessas técnicas depende da avaliação médica e das características de cada tumor. Nem todos os pacientes são candidatos aos mesmos procedimentos.
Diante dos números de mortalidade e da possibilidade de tratamento com melhores resultados quando a doença é descoberta cedo, o Novembro Azul reforça uma mensagem importante: cuidar da saúde também significa procurar orientação médica antes do aparecimento dos sintomas.