0:00 Ouça a Rádio
Ter, 22 de Setembro
INCLUSÃO E TECNOLOGIA

Poli-USP cria laboratório que usa IA e tecnologia para ampliar inclusão de pessoas autistas

Poli-USP desenvolve laboratório e formação tecnológica para pessoas autistas, com 50 estudantes e 24 projetos de acessibilidade, comunicação e autonomia.

21 set 2026 - 09h37 Joice Gomes
Poli-USP cria laboratório que usa IA e tecnologia para ampliar inclusão de pessoas autistas Representação editorial de laboratório universitário voltado ao desenvolvimento de tecnologias assistivas e inclusão de pessoas autistas. (Imagem: gerado por IA)

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) criou uma iniciativa voltada ao desenvolvimento de tecnologias assistivas e à inclusão de pessoas autistas em ambientes acadêmicos e profissionais. A ação reúne formação prática, pesquisa e protótipos criados por estudantes para responder a necessidades diferentes dentro do espectro.

Uma das frentes é a Plataforma Digital da Sociedade Autista, que oferece formação em inteligência artificial, planilhas e outras ferramentas tecnológicas para 50 estudantes autistas com diferentes níveis de suporte.

Formação inclui acompanhamento após entrada no mercado

O ciclo de capacitação ocorre no campus da USP e termina no fim de setembro. Participantes que já ingressaram em empresas parceiras continuam sendo acompanhados por mais três meses, etapa pensada para observar adaptação, rotina, comunicação e demandas de suporte no ambiente de trabalho.

A proposta reconhece que inclusão não termina na contratação. Permanência, acessibilidade e condições adequadas de trabalho são parte do processo.

Projeto desenvolveu 24 soluções

Em uma disciplina voltada à criação de produtos inclusivos, estudantes desenvolveram 24 projetos com foco em comunicação, regulação sensorial, autonomia e vida cotidiana.

As soluções partem do princípio de que o autismo é um espectro: pessoas diferentes podem ter necessidades muito distintas, e uma tecnologia útil para um grupo pode não servir a outro.

Prancha digital de comunicação pode ser baixada gratuitamente

Entre os projetos está o Adapte Board, prancha de comunicação alternativa e aumentativa criada pelo estudante Emanuel Santana. A ferramenta foi pensada para uso em smartphones e computadores e permite personalização conforme as necessidades do usuário.

O recurso pode apoiar pessoas com fala limitada ou dificuldades de comunicação verbal em determinados contextos.

IA também é usada para música e regulação sensorial

Outro projeto utiliza inteligência artificial para auxiliar na composição musical. Como o processamento da ferramenta pode levar cerca de dois minutos, os estudantes incluíram uma atividade de respiração com bolhas durante a espera, reduzindo ansiedade e tornando a experiência mais previsível.

Esse tipo de detalhe mostra como desenho inclusivo vai além da função principal do software e considera o modo como a pessoa interage com o sistema.

Pulseira monitora sinais de estresse

O SensiLogic é uma pulseira voltada ao monitoramento de frequência cardíaca e outros sinais associados a situações de estresse. A ideia é gerar alertas que possam ajudar o próprio usuário ou pessoas de apoio a identificar momentos de sobrecarga.

O dispositivo não substitui avaliação médica ou psicológica, mas funciona como ferramenta de percepção e acompanhamento.

Projetos mapeiam ruídos e ajudam na comunicação

O Aces busca identificar frequências e sons que provocam desconforto sensorial. Já o Expressa usa botões físicos para gerar mensagens, alternativa para pessoas não falantes ou que preferem formas de comunicação mais diretas.

Outro protótipo, o LiteralMente, trabalha com interpretação de entonação e intenção de fala, tema relevante para usuários que têm dificuldade em reconhecer ironia, ambiguidade ou mudanças de tom.

Educação financeira também entrou nos projetos

A iniciativa Aventura Financeira transforma escolhas econômicas do cotidiano em um tabuleiro eletrônico, com situações práticas sobre gastos, planejamento e tomada de decisão.

A proposta é trabalhar autonomia sem presumir um único perfil de aprendizagem, oferecendo estímulos visuais e interação estruturada.

Inclusão tecnológica exige participação das próprias pessoas autistas

Especialistas em acessibilidade defendem que tecnologias assistivas sejam desenvolvidas com participação direta dos usuários. Isso reduz o risco de criar soluções baseadas apenas em expectativas externas sobre o que seria útil.

O laboratório da Poli-USP aposta justamente nessa aproximação entre engenharia, experiência de uso e inclusão. O objetivo não é criar uma tecnologia única para o autismo, mas ampliar o repertório de ferramentas capazes de atender necessidades diversas.

Mais notícias
Exército testa resposta a ataques cibernéticos com 1,3 mil participantes em sete cidades
DEFESA CIBERNÉTICA Exército testa resposta a ataques cibernéticos com 1,3 mil participantes em sete cidades
Filme de André Novais vence Festival de Brasília e leva três prêmios
FESTIVAL DE BRASÍLIA Filme de André Novais vence Festival de Brasília e leva três prêmios
Dez leões morrem em suposto envenenamento em área de conservação da Tanzânia
VIDA SELVAGEM Dez leões morrem em suposto envenenamento em área de conservação da Tanzânia
Diretor de Feito Pipa diz que relações familiares são o coração do filme
CINEMA BRASILEIRO Diretor de Feito Pipa diz que relações familiares são o coração do filme
Feito Pipa representa o Brasil na corrida por vaga no Oscar 2027
OSCAR 2027 Feito Pipa representa o Brasil na corrida por vaga no Oscar 2027
Artistas negros ganham mais espaço no audiovisual, mas desigualdade persiste em direção, roteiro e financiamento
REPRESENTATIVIDADE Artistas negros ganham mais espaço no audiovisual, mas desigualdade persiste em direção, roteiro e financiamento
Unesco quer atuar como moderadora global no debate sobre inteligência artificial, diz diretor-geral
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Unesco quer atuar como moderadora global no debate sobre inteligência artificial, diz diretor-geral
Congresso em Brasília debate comunicação pública, inteligência artificial e desinformação
COMUNICAÇÃO PÚBLICA Congresso em Brasília debate comunicação pública, inteligência artificial e desinformação
Desabamento de mina de ouro no Sudão deixa ao menos 60 mortos e desaparecidos
SUDÃO Desabamento de mina de ouro no Sudão deixa ao menos 60 mortos e desaparecidos
EUA dizem ter afundado barco equatoriano suspeito de apoiar tráfico de drogas no Pacífico
PACÍFICO EUA dizem ter afundado barco equatoriano suspeito de apoiar tráfico de drogas no Pacífico
Mais Lidas
Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Automóveis Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
Comportamento Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
Chuvas deixam 152 famílias em abrigos no Vale do Ribeira e isolam bairros
ENCHENTES Chuvas deixam 152 famílias em abrigos no Vale do Ribeira e isolam bairros
Chuvas deixaram 152 famílias em abrigos no Vale do Ribeira. Três cidades decretaram emergência e 19 estruturas provisórias foram abertas para atendimento.
Pesquisa aponta que 54% dos projetos no Congresso que afetam indígenas são desfavoráveis
DIREITOS INDÍGENAS Pesquisa aponta que 54% dos projetos no Congresso que afetam indígenas são desfavoráveis
Levantamento do Cimi aponta que 146 de 272 projetos no Congresso com impacto direto sobre povos indígenas são considerados desfavoráveis às comunidades.