Representação editorial de debate internacional sobre ética, governança e cooperação em inteligência artificial.
(Imagem: gerado por IA)
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) quer ampliar seu papel como espaço de mediação no debate internacional sobre inteligência artificial. O diretor-geral da entidade, Khaled El-Enany, afirmou que a organização está em posição singular para aproximar governos, universidades, sociedade civil e empresas de tecnologia.
Em entrevista à AFP, El-Enany disse acreditar que a Unesco pode funcionar como um “moderador do debate global” sobre IA, diante da velocidade de evolução das ferramentas e das preocupações com privacidade, desinformação, concentração de poder e desigualdade de acesso.
Unesco tem marco ético aprovado por 193 países
Em 2021, os 193 Estados-membros aprovaram por unanimidade a Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial, apresentada pela organização como o primeiro marco normativo global dedicado ao tema.
O documento aborda proteção de dados, transparência, discriminação algorítmica, impactos ambientais, direitos humanos e responsabilidade no desenvolvimento e uso de sistemas automatizados.
Mais de 80 governos recebem apoio
Segundo o diretor-geral, a Unesco trabalha atualmente com mais de 80 governos para apoiar políticas e estruturas de preparação para a transformação provocada pela IA.
A organização também mantém diálogo com grandes empresas do setor e instituições acadêmicas, buscando criar referências comuns para países com diferentes níveis de capacidade tecnológica.
Diretor alerta para risco de tecnologia fugir do controle
El-Enany afirmou que há risco de perda de controle caso a expansão da IA ocorra sem governança. Ao mesmo tempo, classificou a tecnologia como uma ferramenta extraordinária, desde que seja desenvolvida de forma ética, inclusiva e equitativa.
Entre os desafios estão o aumento da desigualdade digital, impactos sobre empregos, informação, democracia, educação e cultura, além do poder concentrado em poucas empresas e países.
Papa Leão XIV visitará sede da Unesco
O debate ganhará novo espaço na próxima semana, quando o papa Leão XIV visitará a sede da Unesco em Paris. A agenda inclui discussões sobre inteligência artificial e dignidade humana.
Para El-Enany, a visita pode fortalecer o debate multilateral sobre os limites e responsabilidades no uso da tecnologia.
Governança global ainda está em construção
Não existe hoje uma autoridade mundial única para regular inteligência artificial. Países e blocos econômicos avançam com regras próprias, enquanto organismos multilaterais tentam estabelecer princípios compatíveis entre diferentes sistemas jurídicos.
A posição defendida pela Unesco é que decisões sobre IA não fiquem restritas às grandes potências tecnológicas ou empresas privadas, mas incluam países em desenvolvimento e diferentes setores da sociedade.