Imagem ilustrativa dos contrastes de calor, estiagem e chuvas intensas previstos para a primavera de 2026.
(Imagem: gerado por IA)
A primavera de 2026 começa nesta terça-feira (22), às 21h05, sob influência do El Niño e com previsão de contrastes climáticos acentuados no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estação deve combinar temperaturas acima da média em grande parte do território, risco de estiagem em determinadas regiões e formação de tempestades intensas onde houver maior concentração de umidade.
O meteorologista Mozar de Araújo Salvador, do Inmet, explica que o fenômeno altera a circulação atmosférica e pode favorecer condições distintas entre as regiões brasileiras. Uma previsão sazonal, porém, indica tendências para os próximos meses; não significa que todos os municípios de uma mesma região terão o mesmo comportamento.
Onde pode chover mais
No Sul, o Inmet considera significativa a possibilidade de precipitação acima da média. A combinação de ar quente, umidade e sistemas meteorológicos pode favorecer a formação de complexos convectivos de mesoescala, grandes agrupamentos de tempestades capazes de produzir chuva intensa e rajadas de vento.
Partes do Sudeste e do Centro-Oeste também podem registrar volumes elevados. Entre os estados destacados pelo instituto estão São Paulo e Mato Grosso do Sul. Isso significa que, embora a perspectiva geral aponte seca para áreas do Centro-Oeste, não é correto estender essa previsão indiscriminadamente ao território sul-mato-grossense.
Onde a estiagem preocupa
O norte do Nordeste, especialmente o norte do Piauí e o noroeste do Ceará, tem perspectiva de chuva abaixo da média. No Norte e em outras áreas nordestinas, a distribuição irregular da precipitação pode prolongar períodos secos e pressionar o abastecimento, a agricultura e os recursos hídricos.
No Centro-Oeste, o centro-norte de Mato Grosso e o norte de Goiás estão entre as áreas que podem apresentar déficit de chuva. O acompanhamento de reservatórios, umidade do solo e alertas meteorológicos será importante para decisões de produtores e gestores públicos.
Calor intensifica os riscos
O Inmet prevê temperaturas elevadas, potencialmente acima dos valores habituais para a estação em praticamente todo o país, com intensidades diferentes conforme a localização. O calor aumenta a evaporação e pode agravar a falta de umidade onde a chuva for escassa. Em regiões úmidas, favorece o desenvolvimento rápido de nuvens carregadas.
A alternância entre períodos quentes e temporais exige atenção especial em cidades sujeitas a alagamentos, quedas de árvores e interrupções de energia. Já nas áreas com déficit hídrico, o desafio é conservar água e acompanhar as condições de vegetação e solo.
O que é o El Niño
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais na porção central e leste do oceano Pacífico equatorial. Essa alteração pode modificar os padrões de circulação dos ventos e das chuvas em diferentes regiões do planeta. Seus efeitos no Brasil variam de acordo com a época do ano e com a atuação de outros sistemas atmosféricos.
Equinócio marca a mudança da estação
A primavera começa com o equinócio de setembro, quando os hemisférios Norte e Sul recebem iluminação solar de maneira aproximadamente equilibrada. Ao longo dos próximos meses, os dias ficam mais longos no Hemisfério Sul até o solstício de dezembro, que marca o início do verão.
Para decisões locais, a recomendação é consultar os avisos atualizados do Inmet e dos órgãos estaduais de meteorologia. Uma tendência trimestral não substitui alertas de curto prazo para tempestades ou ondas de calor.