Representação editorial dos extremos hidrológicos e da crescente irregularidade do ciclo da água apontados pela ONU.
(Imagem: gerado por IA)
O ciclo global da água está se tornando mais irregular e imprevisível, com alternância mais intensa entre secas, enchentes e perda de gelo, alerta a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da ONU.
O relatório sobre o estado dos recursos hídricos globais mostra que 2025 esteve entre os anos mais secos para a vazão dos rios em 35 anos. O documento também aponta que os últimos sete anos tiveram proporção excepcionalmente baixa de rios em condições consideradas normais.
Rios passam mais tempo fora do padrão
Desde 2019, a OMM registra uma sequência de anos em que grande parte das bacias apresenta vazões muito acima ou muito abaixo da média. Isso significa menos previsibilidade para abastecimento, agricultura, geração de energia e gestão de enchentes.
O fenômeno reflete a combinação de aquecimento global, variabilidade climática, alterações no uso do solo e aumento da demanda por água.
Reservas de água em terra estão diminuindo
O relatório mostra tendência de queda no armazenamento de água em terra ao longo da última década. Esse indicador inclui umidade do solo, águas subterrâneas, lagos, reservatórios e neve.
A perda de reservas torna regiões mais vulneráveis a períodos prolongados de seca e reduz a capacidade de recuperação entre eventos extremos.
Geleiras perdem massa pelo quarto ano seguido
A OMM também registrou perda generalizada de massa de geleiras em todas as regiões monitoradas pelo quarto ano consecutivo. O recuo do gelo afeta rios que dependem do degelo sazonal e aumenta riscos para comunidades a jusante.
Em regiões montanhosas, a redução das geleiras pode inicialmente aumentar o fluxo de água, mas tende a diminuir a oferta no longo prazo.
Ásia e África concentram impactos graves
Nos últimos cinco anos, Ásia e África concentraram pelo menos metade dos eventos extremos relacionados à água registrados globalmente e mais de 80% das mortes associadas, segundo a OMM.
O dado reforça a desigualdade dos impactos climáticos: países com menor infraestrutura de prevenção e resposta sofrem consequências humanas proporcionalmente maiores.
Mais monitoramento é considerado essencial
A ONU defende expansão das redes de observação hidrológica, compartilhamento de dados e sistemas de alerta precoce. Informações mais rápidas e detalhadas permitem antecipar secas, enchentes e riscos para reservatórios.
O alerta central do relatório é que o planejamento baseado apenas no comportamento histórico da água se torna cada vez menos suficiente diante de um clima em transformação.