Representação editorial do setembro excepcionalmente chuvoso registrado na capital paulista em 2026.
(Imagem: gerado por IA)
A cidade de São Paulo chegou à manhã deste sábado (12) com 198,2 milímetros de chuva acumulados em setembro na estação do Mirante de Santana, referência oficial do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para a capital. O volume já coloca o mês entre os setembros mais chuvosos da série histórica iniciada em 1943.
O acumulado é especialmente expressivo porque foi registrado antes da metade do mês. A normal climatológica de setembro no Mirante de Santana é de aproximadamente 83,3 mm, o que significa que a capital já recebeu cerca de 2,4 vezes a chuva esperada para todo o mês.
Em termos percentuais, o total observado até agora está aproximadamente 138% acima da média climatológica mensal. Como ainda há mais de duas semanas de setembro pela frente e a previsão indica continuidade da instabilidade, o ranking histórico pode mudar novamente até o fim do mês.
Setembro de 2026 já é o quarto mais chuvoso desde 1943
De acordo com os dados históricos do Inmet, o acumulado de 198,2 mm já coloca setembro de 2026 na quarta posição entre os setembros mais chuvosos desde o início das medições regulares no Mirante de Santana.
Os maiores volumes para o mês foram registrados em 1983, com 243,1 mm; em 1993, com 206,7 mm; e em 2015, com 201,7 mm. Assim, o total deste ano está a poucos milímetros de superar duas dessas marcas históricas.
Se o acumulado ultrapassar 201,7 mm, setembro de 2026 passará a ser pelo menos o terceiro mais chuvoso da série. Para superar o recorde de 1983, seriam necessários pouco menos de 45 mm adicionais até o fim do mês.
Maior acumulado do país em 24 horas foi na capital
Além do total mensal elevado, São Paulo também registrou um episódio de chuva muito intensa em curto intervalo. Entre as 9h de sexta-feira (11) e as 9h deste sábado, o Mirante de Santana contabilizou 75,4 mm em 24 horas.
Segundo o Inmet, esse foi o maior acumulado de chuva registrado no Brasil no período. Em apenas um dia, portanto, caiu na estação o equivalente a quase toda a média climatológica esperada para um mês inteiro de setembro na capital paulista.
Chuvas concentradas dessa magnitude elevam rapidamente o risco de alagamentos, extravasamento de córregos e sobrecarga do sistema de drenagem, principalmente quando ocorrem após vários dias de precipitação.
Por que setembro está tão chuvoso
A sequência de episódios de chuva está ligada à persistência de sistemas de instabilidade sobre o estado de São Paulo. A combinação entre umidade elevada, passagem de frentes frias e áreas de baixa pressão favorece a formação de nuvens carregadas e períodos prolongados de precipitação.
Quando esses sistemas permanecem ativos por vários dias, o problema deixa de ser apenas a intensidade de uma pancada isolada. O acúmulo contínuo mantém o solo saturado, eleva o nível de rios e córregos e reduz a capacidade de absorção da água.
Esse cenário exige atenção especial em bairros com histórico de alagamentos, áreas próximas a cursos d'água e regiões de encosta, onde a saturação do terreno pode aumentar o risco de deslizamentos.
Chuva de setembro já supera vários meses de 2026
Com 198,2 mm, setembro já se tornou um dos meses mais chuvosos de 2026 na estação do Mirante de Santana. O total fica atrás apenas de janeiro, que acumulou 256,4 mm até o fechamento daquele mês.
O dado chama atenção porque setembro marca a transição do período mais seco do inverno para a primavera, quando a frequência de chuvas começa a aumentar gradualmente. Neste ano, porém, a precipitação se concentrou de forma muito mais intensa logo nos primeiros dias do mês.
Acumulado alto aumenta risco mesmo sem temporal
Especialistas em defesa civil alertam que, depois de vários dias chuvosos, o risco não depende apenas da ocorrência de uma tempestade severa. Chuvas fracas ou moderadas, quando persistentes, podem continuar elevando os níveis de rios e encharcando encostas.
Por isso, moradores de áreas vulneráveis devem observar sinais de movimentação do solo, como rachaduras, inclinação de árvores e postes, surgimento repentino de água no terreno e estalos em estruturas. Em caso de risco, a recomendação é sair do local e acionar os órgãos de emergência.
Em ruas alagadas, a orientação é não tentar fazer a travessia a pé ou de carro. A profundidade da água pode ser difícil de avaliar e a correnteza pode deslocar pessoas e veículos.
Previsão mantém cenário de atenção
Os boletins meteorológicos indicam que a instabilidade ainda deve persistir na capital e em outras áreas do estado nos próximos dias. Com o solo já saturado, novos volumes de chuva podem aumentar o risco de ocorrências mesmo que os próximos episódios sejam menos intensos do que os registrados entre sexta e sábado.
O Inmet e os órgãos de Defesa Civil seguem monitorando a evolução das condições meteorológicas. A população deve acompanhar alertas oficiais e evitar regiões conhecidas por registrar enchentes e deslizamentos durante períodos prolongados de chuva.
Como acompanhar os alertas
A Defesa Civil oferece alertas gratuitos por SMS para situações de risco. Para receber as mensagens, o morador pode enviar o CEP da localidade para o número 40199.
Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Com quase 200 mm acumulados ainda na primeira quinzena, setembro de 2026 já entrou para a lista dos meses historicamente mais chuvosos da capital paulista. A continuidade das precipitações poderá fazer o total subir ainda mais antes do encerramento do mês.