Projetos financiados pelo Fundo Rio Doce buscam recuperar áreas atingidas pela tragédia em Mariana.
(Imagem: Fundação Renova)
O Fundo Rio Doce, criado para financiar ações de reparação após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, alcançou a marca de R$ 75,8 milhões liberados para novos projetos nos últimos meses. O anúncio foi realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social durante evento promovido na cidade mineira nesta sexta feira.
Os recursos começaram a ser liberados em fevereiro e serão direcionados para sete projetos voltados à recuperação ambiental, fortalecimento da agricultura familiar, inovação no campo e apoio a comunidades tradicionais atingidas pela tragédia.
A principal iniciativa beneficiada foi o projeto Florestas Produtivas com Barraginhas, que recebeu aporte inicial de R$ 23,6 milhões. O objetivo é implantar cerca de 1,4 mil hectares de florestas produtivas em áreas impactadas da Bacia do Rio Doce.
Além do reflorestamento, o projeto prevê a construção de aproximadamente 4,2 mil barraginhas, estruturas escavadas no solo responsáveis por captar água da chuva e reduzir processos de erosão. A proposta também inclui assistência técnica rural e capacitação para milhares de produtores da região.
Segundo os responsáveis pela iniciativa, o projeto utiliza sistemas agroflorestais, modelo que integra culturas agrícolas e espécies florestais para recuperar áreas degradadas e ampliar a sustentabilidade no campo.
Tecnologia rural também receberá investimentos
Outro projeto contemplado pelo Fundo Rio Doce foi o Rio Doce Semear Digital, que recebeu R$ 19,1 milhões nesta primeira etapa. A previsão é que o investimento total ultrapasse R$ 30 milhões nos próximos anos.
A iniciativa busca ampliar o acesso à tecnologia e conectividade em áreas rurais da Bacia do Rio Doce, beneficiando atividades agrícolas e pecuárias.
O projeto prevê a implantação de Centros de Propagação de Inovação Digital Inclusiva em municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. Os espaços devem oferecer suporte tecnológico, capacitação e soluções digitais para produtores rurais.
Os demais recursos aprovados serão destinados a programas de assistência técnica para comunidades tradicionais, consultas a povos indígenas e quilombolas, além de ações de desenvolvimento regional.
Representantes do BNDES afirmaram que os repasses fazem parte do compromisso de acelerar a execução das medidas de reparação ambiental e social relacionadas ao desastre ocorrido em 2015.
Programa também mantém transferência de renda
Além dos investimentos em projetos ambientais e agrícolas, o Fundo Rio Doce segue financiando o Programa de Transferência de Renda voltado para pescadores e agricultores atingidos pela tragédia.
Os beneficiários recebem pagamentos mensais equivalentes a um salário e meio durante os três primeiros anos do programa. No quarto ano, o valor é reduzido para um salário mínimo.
Segundo o BNDES, os repasses dessa modalidade já ultrapassaram centenas de milhões de reais desde o início da operação.
Tragédia em Mariana marcou história ambiental do país
O rompimento da barragem de Fundão aconteceu em novembro de 2015 e é considerado um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil.
Milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração atingiram a Bacia do Rio Doce, destruindo comunidades inteiras e provocando impactos ambientais em dezenas de municípios de Minas Gerais e Espírito Santo.
A tragédia deixou 19 mortos e afetou milhares de famílias ao longo da região atingida.
Após anos de críticas ao modelo inicial de reparação conduzido pela Fundação Renova, um novo acordo foi firmado em 2024, estabelecendo investimentos bilionários em ações ambientais, sociais e econômicas.
O Fundo Rio Doce faz parte dessa nova estrutura de reparação e terá administração do BNDES ao longo das próximas décadas.