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Assédio

Quase metade das brasileiras sofreu assédio em um ano: o que os novos dados revelam sobre a crise de violência

Quase 50% das mulheres brasileiras com mais de 16 anos foram vítimas de assédio em 2025, o maior índice já registrado. Veja os impactos e as ações de combate.

05 mai 2026 - 08h48 Joice Gomes   atualizado às 08h49
Quase metade das brasileiras sofreu assédio em um ano: o que os novos dados revelam sobre a crise de violência Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que assédio atingiu patamar recorde em 2025. (Imagem: gerado por IA)

Quase metade das brasileiras com 16 anos ou mais viveu o trauma do assédio ao longo de 2025. O dado, extraído do último levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que 49% das mulheres foram vítimas dessa prática, o índice mais alto já registrado na série histórica da pesquisa.

Na prática, isso significa que o problema deixou de ser um evento isolado para se tornar uma barreira sistêmica. Diante desse cenário alarmante, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) iniciou nesta semana a Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação, buscando romper o ciclo de silêncio que protege agressores em diversos ambientes.

O impacto vai muito além das estatísticas de segurança pública. Além dos 49% de vítimas de assédio, o levantamento aponta que 37,5% das mulheres sofreram algum tipo de violência física ou psicológica, enquanto 31% enfrentaram ofensas verbais diretas, evidenciando uma escalada na hostilidade de gênero no país.

O que está por trás do aumento recorde nos casos de assédio

Um dos maiores desafios apontados por especialistas é a percepção do próprio agressor. Segundo o desembargador Wagner Cinelli, presidente do comitê de prevenção do TJRJ, existe uma barreira cultural onde, muitas vezes, quem comete o assédio não se enxerga nesse papel, o que dificulta a interrupção natural do comportamento abusivo.

O assédio se manifesta de múltiplas formas, seja moral, sexual, eleitoral ou o chamado assédio vertical, que ocorre em relações de hierarquia profissional. Para a procuradora federal Daniela Carvalho, essa prática corrói não apenas a saúde mental da vítima, mas compromete o bem-estar coletivo e a produtividade de instituições inteiras.

Na prática, o processo costuma ser sutil antes de se tornar explícito. A promotora de Justiça Isabela Jourdan destaca que o problema nasce na desqualificação e na invisibilização da mulher, transformando-a em um objeto antes mesmo da agressão verbal ou física se concretizar.

Como as novas medidas podem mudar a realidade prática

O combate ao assédio deixou de ser uma escolha institucional para se tornar uma obrigação legal rigorosa. Atualmente, leis federais sustentam o Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual em toda a administração pública, exigindo que órgãos estaduais e municipais criem mecanismos reais de proteção.

A aposta das autoridades agora foca em dois pilares centrais: educação continuada e canais de acolhimento seguros. A ideia é que a formação constante ajude a identificar comportamentos abusivos logo no início, enquanto os canais de escuta oferecem o suporte necessário para que a vítima se sinta encorajada a denunciar sem medo de retaliação.

Embora os números de 2025 sejam desanimadores, a mobilização do Judiciário sugere um momento de inflexão. A expectativa é que, com o endurecimento das normas e a maior conscientização sobre os danos físicos e profissionais causados pelo assédio, o Brasil consiga, finalmente, iniciar uma curva de queda nesses indicadores nos próximos anos.

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