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Anvisa veta novos similares ao Ozempic e reforça rigor técnico

A Anvisa rejeitou o registro de três novos medicamentos similares ao Ozempic e Wegovy, alegando que as fabricantes não comprovaram a segurança das fórmulas.

14 abr 2026 - 08h03 Joice Gomes   atualizado às 08h06
Anvisa veta novos similares ao Ozempic e reforça rigor técnico A decisão da Anvisa mantém o rigor sobre a entrada de novos medicamentos similares no mercado nacional. (Imagem: gerado por IA)

O mercado brasileiro de medicamentos voltados ao emagrecimento e controle do diabetes sofreu um freio estratégico nesta semana. A Anvisa barrou o registro de três novos medicamentos que utilizam os princípios ativos semaglutida (presente no Ozempic e Wegovy) e liraglutida. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, atinge diretamente os planos das farmacêuticas indianas Cipla e Dr. Reddy’s de ingressar nesse disputado setor.

Na prática, isso significa que, por enquanto, o monopólio de certas substâncias permanece inalterado, e o consumidor brasileiro não terá acesso imediato a essas alternativas de custo reduzido. O veto ocorreu porque, segundo a agência reguladora, as solicitações não atenderam aos rigorosos requisitos técnicos para comprovar que os produtos são, de fato, seguros e eficazes para a população. Para o leitor, isso representa uma camada extra de proteção contra fórmulas que ainda não amadureceram tecnicamente.

Os medicamentos reprovados foram o Plaobes e o Lirahyp, da Cipla, além do Embeltah, da Dr. Reddy’s. Mas o impacto vai além de uma simples barreira comercial; trata-se de um movimento de preservação da saúde pública em um momento em que a busca por canetas emagrecedoras atingiu níveis recordes no país.

O que está por trás do rigor da Anvisa

Para Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo FarmaBrasil, a negativa não deve ser vista como uma surpresa, mas como parte de um processo necessário. Segundo ele, o elevado nível de exigência da Anvisa é o que diferencia o Brasil de países com vigilâncias sanitárias menos estruturadas. O rigor é absoluto, seja para um medicamento genérico ou para uma inovação radical, garantindo que o padrão de qualidade chegue à ponta final: o paciente.

Os produtos barrados tentaram o registro por meio da via de desenvolvimento abreviado, que permite utilizar dados consolidados de terceiros para agilizar o acesso ao mercado. No entanto, mesmo nesse modelo, a demonstração de qualidade da fabricação e segurança própria é inegociável. E é exatamente aqui que está o ponto central: a falta de documentação robusta impediu o avanço dessas alternativas.

O que muda na prática para o consumidor

Atualmente, o cenário é de exclusividade para a farmacêutica Novo Nordisk no caso da semaglutida. Embora a Anvisa tenha aberto um edital no ano passado para priorizar a análise desses medicamentos, visando combater a instabilidade no estoque nacional e a escassez do produto, o caminho para a aprovação exige transparência total de dados e provas de bioequivalência.

Existem hoje 16 pedidos de registro para semaglutida e sete para liraglutida aguardando análise na agência. A expectativa é que, futuramente, a concorrência ajude a regular os preços e o acesso, mas a Anvisa deixou claro que a velocidade não virá às custas do risco. Para quem aguarda por alternativas mais acessíveis, a vigilância reforça que a segurança terapêutica continua sendo a prioridade máxima sobre a conveniência de mercado.

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