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Manifestações

Atos do 8 de março ocupam ruas em todo o Brasil contra violência às mulheres e escala 6x1

08 mar 2026 - 12h30 Joice Gomes   atualizado às 19h02
Atos do 8 de março ocupam ruas em todo o Brasil contra violência às mulheres e escala 6x1 Manifestações do 8 de março de 2026 reúnem mulheres em capitais e cidades do interior contra violência de gênero, feminicídios e escala 6x1, com atos em mais de 50 locais pelo país. (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Em 8 de março de 2026, o Dia Internacional da Mulher ganhou as ruas de diversas cidades brasileiras com atos organizados por movimentos feministas e sindicatos. A denúncia da violência contra as mulheres foi o mote principal das manifestações, que também criticaram a escala de trabalho 6x1.

A Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) liderou boa parte das mobilizações, com um manifesto que destaca a interseção entre capitalismo, patriarcado e racismo na exploração feminina. Os protestos ocorreram nas cinco regiões do país, reunindo milhares de participantes em praças e avenidas.

Motivações das manifestações

Os atos do 8 de março responderam ao recorde de feminicídios registrado em 2025, com 1.470 casos confirmados, um aumento de 316% em dez anos desde a tipificação do crime. Dados do Ministério da Justiça apontam São Paulo como o estado com mais ocorrências, seguido de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Além da violência, as manifestantes protestaram contra a escala 6x1, em debate no Congresso Nacional. Propostas em tramitação na Câmara e no Senado visam reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem perda salarial, aliviando a dupla jornada das mulheres.

O manifesto da AMB enfatiza solidariedade internacional, citando guerras em Gaza e ameaças à soberania de nações como Cuba e Venezuela. A precarização do trabalho e a retirada de direitos básicos também foram temas centrais.

  • Recordes de feminicídios em 2025: 1.470 mortes, média de quatro mulheres por dia.
  • Aumento de 34% em casos consumados e tentados em relação a 2024.
  • Escala 6x1 criticada por agravar sobrecarga feminina no trabalho e lar.
  • Projetos no Congresso preveem transição gradual para 40 horas semanais.

Locais e horários dos atos

No Sudeste, São Paulo concentrou grande ato às 14h na Avenida Paulista, em frente ao MASP, com participação unificada de movimentos feministas. No Rio de Janeiro, a marcha começou às 10h no Posto 3 de Copacabana, reunindo mais de 80 entidades.

Em Brasília, a concentração foi às 13h na Funarte, com marcha até o Palácio do Buriti. Belo Horizonte teve ato às 9h30 na Praça Raul Soares, enquanto Curitiba marcou 9h na Praça Santos Andrade.

No Nordeste, Salvador iniciou às 9h no Morro do Cristo, Fortaleza às 14h no Projeto 4 Varas, e Recife também registrou mobilização. No Norte, Manaus às 15h na Praça da Polícia e Belém às 9h na Escadinha da Doca.

  • São Paulo: 14h, MASP, ato unificado contra violência.
  • Rio de Janeiro: 10h, Copacabana, mais de 80 entidades.
  • Brasília: 13h, Funarte ao Buriti, foco em direitos.
  • Curitiba: 9h, Praça Santos Andrade à Boca Maldita.
  • Salvador: 9h, Morro do Cristo, denúncia de feminicídios.

Contexto da violência de gênero

O Brasil enfrenta uma escalada alarmante de violência contra as mulheres, com 6.904 vítimas de feminicídios consumados e tentados em 2025, 34% a mais que em 2024. Janeiro de 2026 já registrou 947 novos casos no Judiciário, reforçando a urgência das demandas.

Governo federal ampliou ações como Operação Mulher Segura e Alerta Lilás, resultando em prisões de suspeitos. A Agenda Nacional do Março das Mulheres inclui entregas de equipamentos e fortalecimento de redes de atendimento.

O presidente Lula já se posicionou contra feminicídios, afirmando que o país não pode se conformar com homens matando mulheres. Pesquisas indicam autonomia financeira como prioridade para mulheres, impactada pela jornada exaustiva.

Debate sobre a escala 6x1

A escala de seis dias de trabalho por um de descanso é alvo de projetos como a PEC 8/2025, parada em subcomissão na Câmara. No Senado, relatórios propõem redução gradual para 40 horas, com restrições a sábados e domingos.

Essas mudanças visam equilibrar vida profissional e pessoal, especialmente para mulheres que acumulam tarefas domésticas. O governo apoia textos com viabilidade rápida, sem redução salarial para trabalhadores.

Sindicatos como CUT e movimentos populares integram a pauta do 8 de março à defesa da democracia e soberania, ampliando o escopo das reivindicações.

Impactos e perspectivas futuras

As manifestações de 2026 reforçam a pressão por políticas efetivas contra a violência e por reformas trabalhistas. Com 436 adesões ao Manifesto Nacional, incluindo 141 organizações nacionais, o movimento ganha força coletiva.

Autoridades monitoram os atos com protocolos de segurança, enquanto o Congresso avança debates sobre jornada de trabalho. A expectativa é que as mobilizações influenciem aprovações de leis protetivas em 2026.

O fortalecimento de redes como Tenda Lilás e investimentos de R$ 373 milhões em serviços essenciais sinalizam avanços, mas as ruas cobram implementação prática e imediata.

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