Agentes desarticulam ferros-velhos clandestinos em ação integrada contra o comércio ilegal de cobre no Rio de Janeiro.
(Imagem: gerado por IA)
A rotina de semáforos apagados e ruas às escuras no Rio de Janeiro ganhou um diagnóstico financeiro alarmante: nos últimos cinco anos, o furto de cabos e fios de cobre drenou mais de R$ 69 milhões dos cofres públicos municipais. O impacto diário desse crime silencioso vai muito além do prejuízo milionário, comprometendo diretamente a mobilidade urbana e a segurança da população carioca.
Para tentar asfixiar essa cadeia criminosa, as Forças de Segurança do Estado e a Prefeitura do Rio uniram forças em uma ofensiva estratégica. A primeira ação do recém-criado Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos e Fiação teve como alvo principal os ferros-velhos, considerados os verdadeiros motores desse mercado clandestino.
Na prática, a iniciativa muda o foco tradicional do combate ao crime. Em vez de perseguir apenas quem sobe nos postes para cortar a fiação, o poder público passa a mirar os receptadores, estrangulando o fluxo financeiro que alimenta a atividade ilegal.
Como o vandalismo afeta o seu dia a dia e o bolso do cidadão
Os números dão a dimensão exata do estrago na infraestrutura carioca. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) precisou repor quase 500 quilômetros de cabos de semáforo arrancados das vias públicas entre 2021 e 2025, um desperdício de R$ 27 milhões que poderiam ser aplicados em melhorias tecnológicas no trânsito.
A iluminação pública sofreu um golpe ainda maior. A RioLuz registrou um prejuízo de R$ 42 milhões com o furto de mais de 1,8 quilômetro de fiação de alta capacidade, deixando bairros inteiros vulneráveis à criminalidade sob o manto da escuridão.
O que muda na prática com a nova estratégia de fiscalização
Durante a operação realizada na Rua Alzira Valdetaro, no bairro do Sampaio, zona norte da cidade, dois ferros-velhos que funcionavam de forma irregular foram desapropriados. A prefeitura planeja revitalizar a área e devolvê-la aos moradores por meio de projetos de urbanismo e regularização ambiental.
A poucos metros dali, na Avenida Marechal Rondon, sob o Viaduto Armando Coelho de Freitas, as equipes demoliram uma estrutura clandestina que servia de base para o comércio de materiais furtados. A região do Grande Méier é uma das que mais sofrem com a instabilidade de semáforos causada por essa prática.
De acordo com o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, a prioridade absoluta agora é desestruturar a logística financeira dessas organizações. Sem um local para vender o metal, o incentivo para vandalizar os cabos da rede elétrica cai drasticamente.
O que pode acontecer a partir de agora
A expectativa das autoridades é que o cerco asfixie economicamente os receptadores nas próximas semanas. No entanto, o sucesso da operação dependerá da continuidade das vistorias e de uma vigilância rigorosa para evitar que novos pontos de venda ilegal surjam na periferia.
Enquanto o Rio tenta recuperar o controle de sua malha de cobre, o cidadão segue como o principal fiscal de uma cidade que precisa, urgentemente, reconectar sua própria segurança.