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Ausência

O gargalo da educação infantil: 875 cidades brasileiras falham em matricular crianças de 4 e 5 anos

Um novo indicador revela que 16% dos municípios brasileiros não garantem o acesso obrigatório à educação infantil para crianças de 4 e 5 anos em 2025.

29 abr 2026 - 08h25 Joice Gomes
O gargalo da educação infantil: 875 cidades brasileiras falham em matricular crianças de 4 e 5 anos Falta de vagas em creches e pré-escolas reflete desigualdades regionais no acesso à educação básica no Brasil. (Imagem: gerado por IA)

A obrigatoriedade da matrícula escolar aos quatro anos de idade ainda é uma promessa não cumprida para milhares de famílias brasileiras. Em 875 municípios do país, o que representa 16% do total, ao menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos não frequenta a pré-escola, contrariando a legislação vigente que exige a universalização nessa faixa etária.

Na prática, isso muda mais do que parece. A ausência da educação infantil compromete não apenas o desenvolvimento cognitivo e social da criança, mas também a inserção produtiva dos pais, que dependem da rede de ensino para trabalhar. Mas o impacto vai além, revelando um abismo de oportunidades que varia conforme o CEP de nascimento.

O cenário é particularmente crítico na Região Norte, onde 29% dos municípios não conseguem atingir a marca de 90% de matrículas na educação infantil. Em contraste, o Sul apresenta o melhor desempenho, com apenas 11% das cidades apresentando esse déficit. E é aqui que está o ponto central: a desigualdade regional ainda dita quem tem acesso ao direito básico de aprender.

O que está por trás do déficit nas creches

Para crianças de até 3 anos, o desafio é ainda maior. O Brasil estabeleceu, via Plano Nacional de Educação (PNE), a meta de matricular pelo menos 60% dessa população até 2036. No entanto, os dados de 2025 mostram que 81% das cidades brasileiras, um total de 4.485 municípios, ainda registram taxas de atendimento inferiores a esse patamar.

A situação no Norte volta a preocupar, com 94% das cidades abaixo do índice de 60%. Esse gargalo estrutural reflete a dificuldade de expansão da rede física e a carência de profissionais qualificados em áreas remotas. Nas capitais, o contraste é gritante: enquanto São Paulo, Vitória e Belo Horizonte superam as metas, cidades como Macapá atendem apenas 9,1% dos seus bebês.

Estes números fazem parte de um novo indicador municipal elaborado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) em parceria com instituições como o BID e a Fundação Itaú. A ferramenta busca suprir a falta de dados anuais precisos em nível local, já que o Censo Demográfico ocorre apenas a cada década e a PNAD Contínua foca em níveis estaduais e metropolitanos.

Como isso afeta o futuro das políticas públicas

Saber exatamente onde as crianças estão fora da escola é o primeiro passo para a chamada "busca ativa". O diretor do Iede, Ernesto Martins Faria, destaca que os municípios precisam de um norte claro para garantir o acesso escolar, mesmo que os dados sofram pequenas variações estatísticas. Sem transparência municipal, as prefeituras operam no escuro para encontrar os alunos evadidos.

O Ministério da Educação (MEC), por sua vez, afirma que está intensificando o apoio técnico e financeiro para reverter esse quadro. Por meio do Novo PAC, o governo federal planeja investir R$ 7,5 bilhões na construção de 1.684 novas creches e escolas de educação infantil. Até o momento, 886 unidades já foram entregues pela gestão atual, totalizando R$ 1,4 bilhão em recursos aplicados.

O sucesso dessa expansão dependerá da capacidade de coordenação entre os entes federativos. Mais do que construir prédios, o desafio brasileiro é garantir que cada vaga aberta se transforme, efetivamente, em um ambiente de desenvolvimento integral. A educação infantil não é apenas um serviço de cuidado; é o alicerce fundamental de toda a trajetória escolar e cidadã que virá a seguir.

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