Mãe universitária com filho no campus: cuidotecas vão garantir acolhimento para crianças durante o turno da noite.
(Imagem: Angelo Miguel/MEC)
O prazo para as universidades federais de todo o país solicitarem recursos para a criação de cuidotecas termina neste sábado (1º). A medida promete mudar drasticamente a realidade de milhares de mães e pais que enfrentam a difícil escolha entre abandonar os estudos ou deixar os filhos sem amparo adequado durante as aulas noturnas.
Lançada pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), a iniciativa busca criar espaços de acolhimento infantil seguros e lúdicos dentro dos próprios campi, reduzindo diretamente a evasão acadêmica.
Na prática, o projeto representa um passo histórico na tentativa de consolidar a corresponsabilidade social pelo cuidado infantil no ambiente acadêmico brasileiro. E é aqui que está o ponto central: manter os estudantes na sala de aula.
O que muda na prática com as novas cuidotecas
Cada unidade selecionada terá capacidade para atender até 40 crianças de 3 a 12 anos simultaneamente. O atendimento será direcionado a filhos de estudantes, docentes, técnicos-administrativos e trabalhadores terceirizados que atuam no período da noite.
Os espaços não apenas funcionarão em dias letivos normais, mas também poderão abrir aos fins de semana, feriados e durante as férias escolares, adaptando-se às reais demandas de quem estuda e trabalha.
Mais do que uma área de recreação básica, as cuidotecas contarão com pedagogos, coordenadores e agentes de cuidado. Os recursos repassados poderão ser usados na contratação de profissionais, alimentação, segurança e compra de mobiliário infantil adaptado.
Como as instituições podem garantir o benefício
Para concorrer a uma das 50 vagas disponibilizadas pela Chamada Estratégica UniCuidotecas, as universidades devem enviar suas propostas exclusivamente para o e-mail [email protected].
As reitorias precisam encaminhar o plano de trabalho preenchido, termo de compromisso, além de plantas arquitetônicas e registros fotográficos do espaço reservado. Instituições multicampi devem indicar apenas um campus, priorizando o de maior demanda.
Embora a verba de custeio por 12 meses seja garantida pelo MEC, as universidades precisam fornecer o espaço físico adequado de forma imediata. A chamada deixa claro que não serão permitidos repasses para reformas estruturais de grande porte.
O que está por trás dos critérios de seleção do MEC
A seleção das propostas seguirá uma pontuação máxima de 100 pontos, com forte foco na redução de desigualdades sociais e regionais pelo país.
A comprovação de demanda real no período noturno equivale a 40% da nota total, enquanto a vulnerabilidade socioeconômica dos estudantes representa 20%. Critérios de cobertura regional darão prioridade de 25% para projetos localizados nas regiões Norte e Nordeste.
Apoiar a permanência de mães e pais universitários no ensino superior é uma ferramenta essencial para romper ciclos geracionais de vulnerabilidade. Ao compartilhar a responsabilidade do cuidado, o país dá um passo fundamental em direção a uma educação verdadeiramente inclusiva e democrática.