Flavio Bolsonaro e Esposa
(Imagem: Imagem: Reprodução/Twitter)
A consultoria de risco político Eurasia Group estima que Flávio Bolsonaro (PL) tem 75% de probabilidade de vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial de 2026. Apesar da redução em relação à projeção anterior, de 80%, a empresa considera improvável uma recuperação suficiente para que o atual presidente reverta o cenário eleitoral.
A avaliação foi divulgada em relatório mencionado pela CNN Brasil neste sábado (17). Segundo a análise, a revisão acompanha a diminuição da diferença entre os dois candidatos nas pesquisas de intenção de voto. Ainda assim, a consultoria avalia que o senador mantém uma vantagem que pode ser ampliada quando são considerados os eleitores com maior probabilidade de comparecer às urnas.
Abstenção pode favorecer Flávio Bolsonaro
Um dos fatores destacados pela Eurasia é o possível impacto da abstenção no resultado do segundo turno. Na avaliação da consultoria, os levantamentos eleitorais podem não captar integralmente as diferenças de comparecimento entre os grupos de eleitores.
O relatório estima que esse efeito poderia acrescentar aproximadamente um ponto percentual à vantagem de Flávio Bolsonaro. A projeção, contudo, representa uma avaliação da consultoria, e não uma garantia sobre o comportamento dos eleitores no dia da votação.
A análise também aponta dificuldades para Lula ampliar sua base de apoio entre os eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno. Para mudar o cenário, o presidente precisaria conquistar uma parcela expressiva desses votos ou atrair eleitores que, inicialmente, demonstravam preferência pelo candidato do PL.
Segurança pública e economia entram no cenário eleitoral
A consultoria identifica a segurança pública e a corrupção como temas que representam dificuldades para a campanha de Lula. O relatório também menciona a percepção de estagnação econômica entre parte dos eleitores da classe média, fator que poderia influenciar a avaliação do governo.
Esses assuntos podem ganhar ainda mais espaço na reta final da campanha, especialmente se os candidatos conseguirem associar suas propostas às preocupações cotidianas da população, como custo de vida, renda e segurança.
Para a Eurasia, a capacidade de dialogar com eleitores indecisos e com os apoiadores de candidaturas eliminadas no primeiro turno será importante para definir a disputa.
O que pode favorecer uma recuperação de Lula?
Apesar do favoritismo atribuído a Flávio Bolsonaro, o relatório identifica fatores capazes de reduzir a diferença entre os candidatos. Entre eles estão os debates eleitorais, os ataques políticos, os anúncios de medidas governamentais e as decisões estratégicas das campanhas.
A análise cita iniciativas defendidas pelo governo, como propostas relacionadas à gratuidade no transporte público, benefícios para pequenos empresários e redução da jornada semanal de trabalho. Essas medidas podem influenciar o debate eleitoral, embora a consultoria avalie que, isoladamente, dificilmente seriam suficientes para provocar uma virada.
O relatório também menciona as estratégias da campanha petista para associar Flávio Bolsonaro a questões controversas, incluindo alegações sobre milícias no Rio de Janeiro e possíveis impactos sobre benefícios sociais. Segundo a avaliação apresentada, essas ações teriam contribuído para aproximar os candidatos, mas ainda sem provocar uma mudança significativa na rejeição ao senador.
Eurasia pode revisar projeção novamente
A consultoria considera que Lula ainda dispõe de oportunidades para melhorar seu desempenho, sobretudo se conseguir concentrar a campanha em temas como segurança pública e custo de vida.
Por outro lado, a Eurasia afirma que a reversão do cenário permanece pouco provável. Caso a vantagem de Flávio Bolsonaro se mantenha estável até o fim da semana seguinte à divulgação do relatório, a empresa poderá elevar novamente sua estimativa de vitória do candidato do PL.
A projeção de 75% deve ser interpretada como uma estimativa probabilística da consultoria, baseada em seu modelo de análise, e não como resultado confirmado ou previsão infalível da eleição. O resultado efetivo dependerá dos votos apurados no segundo turno.
Jornalista formado pela UNIFG. Experiência de 4 anos em redação política. Atuou como redator em duas eleições. Criou e apresentou o programa “Fala Político”, onde entrevistou diversos políticos da Região Metropolitana do...
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