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Cobrado após a COP17, Brasil precisa tirar do papel meta de restaurar 163 mil km² de terras degradadas

Pressionado após a COP17, o Brasil corre contra o tempo para restaurar 163 mil km² de terras degradadas até 2030 e tirar a promessa do papel.

31 ago 2026 - 08h46 Joice Gomes   atualizado às 08h52
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Cobrado após a COP17, Brasil precisa tirar do papel meta de restaurar 163 mil km² de terras degradadas Representantes do Consórcio Nordeste e da ONU formalizam acordo para preservação e restauração de áreas degradadas na COP17. (Imagem: gerado por IA)

O compromisso do Brasil de recuperar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030, anunciado sob os holofotes internacionais da COP17, na Mongólia, colocou o país em uma vitrine de elogios e, simultaneamente, sob forte pressão global. A promessa voluntária é vista como um marco, mas especialistas alertam que o tempo regulamentar para transformá-la em realidade já começou a correr, exigindo mais do que discursos políticos.

Na prática, a meta de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês) chega com um atraso histórico de 11 anos e impõe ao governo federal a necessidade urgente de reestruturar suas pastas administrativas. Afinal, reverter uma área equivalente ao território do estado do Acre exige planejamento de longo prazo, recursos financeiros robustos e, principalmente, a inclusão das populações que habitam as regiões mais afetadas pela seca e pela desertificação.

O que muda na prática para o solo brasileiro

Para atingir a neutralidade até o fim desta década, o plano brasileiro prevê um esforço multissetorial que envolve desde a recomposição da vegetação nativa até o investimento maciço em sistemas agroflorestais. As frentes de ação cobrem territórios vulneráveis como unidades de conservação, terras indígenas, bacias hidrográficas e áreas de preservação permanente.

O principal balizador para o sucesso da iniciativa é o ano de 2020. Naquela data, o Brasil registrava 55,7 milhões de hectares com tendências severas de degradação. O desafio crucial é garantir que, em 2030, esse passivo ambiental não tenha avançado nem um único hectare, o que demanda ações de prevenção e manejo sustentável em uma área total ainda maior, estimada em 3,51 milhões de quilômetros quadrados.

Por que a cobrança internacional importa agora

De acordo com Luiza Soares, especialista em sistemas alimentares da WWF Global, o desenho da meta é indiscutivelmente ambicioso, mas a conservação ambiental não pode caminhar separada da economia real. "Implementar esses objetivos requer uma abordagem integrada no uso da terra", destaca. Segundo ela, é preciso conectar a restauração dos ecossistemas à segurança hídrica e alimentar das comunidades que dependem diretamente dessas terras para sobreviver.

Mas as críticas também miram a lentidão histórica do país em formalizar seus compromissos. Rafael Giovanelli, especialista do Instituto Escolhas, pondera que o momento atual não permite hesitações e propõe a regulamentação imediata da Lei de Recuperação da Vegetação da Caatinga. A criação de uma Secretaria Especial dedicada ao tema, vinculada diretamente à Presidência da República e com orçamento próprio, é apontada como o caminho institucional para acelerar os trabalhos.

Como isso afeta o desenvolvimento do Nordeste

No centro dessa engrenagem está a Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e historicamente negligenciado nas discussões climáticas globais. Durante o evento em Ulaanbatar, o Consórcio Nordeste deu um passo estratégico ao assinar um memorando de entendimento com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD). A medida busca atrair novos fluxos de financiamento externo e inserir a região semiárida em redes internacionais de tecnologia para zonas secas.

O fortalecimento dessa cooperação técnica deve ampliar o protagonismo do Nordeste no mercado internacional de crédito de carbono e resiliência climática. Ao pavimentar esse caminho, o Brasil tenta provar que a sustentabilidade pode se traduzir em novos empregos verdes e na melhoria direta da qualidade de vida de milhões de sertanejos que enfrentam os extremos climáticos diariamente.

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