Marcos Rodrigues Fontana, de 65 anos, condenado por estelionato após se apresentar como padre
(Imagem: divulgação)
Marcos Rodrigues Fontana, de 65 anos, condenado por estelionato após se apresentar como padre e obter dinheiro de fiéis, foi encontrado morto na manhã de quinta-feira (5), em um apartamento na Alameda Barão de Limeira, no bairro de Campos Elíseos, região central de São Paulo. O caso é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita.
Dias antes de morrer, Fontana havia registrado um boletim de ocorrência relatando ameaças. Segundo as informações apresentadas à polícia, ele afirmou ter sido alvo de homofobia durante uma discussão com um homem descrito como branco, de aproximadamente 40 anos.
De acordo com o relato, o suspeito teria feito ameaças de violência e dito que uma facada anterior “não seria nada” perto do que ainda faria. Até o momento, não há confirmação de que o episódio tenha relação com a morte.
Companheiro relatou problemas de saúde
Policiais militares foram acionados para atender à ocorrência no imóvel. O companheiro de Fontana informou aos agentes que o homem enfrentava problemas de saúde, incluindo hérnia abdominal e hipertensão arterial, além de ter apresentado episódios de convulsão.
Segundo o relato, Fontana havia recebido alta médica na segunda-feira (2), depois de permanecer internado por 25 dias na Santa Casa de São Paulo.
O boletim de ocorrência referente à morte foi registrado no 2º Distrito Policial, no Bom Retiro. A Polícia Civil apura as circunstâncias do falecimento para esclarecer o que aconteceu no apartamento.
Condenação por estelionato e falsa identidade religiosa
Fontana havia sido condenado a três anos de prisão por estelionato, após se apresentar como integrante do clero e conquistar a confiança de fiéis para obter vantagens financeiras.
Mesmo depois da condenação, ele teria voltado a se passar por padre em São Paulo. Conforme relatos reunidos durante a apuração do caso, Fontana se aproximou de uma família, construiu uma imagem de monsenhor e passou a solicitar dinheiro sob a justificativa de manter um orfanato.
A confiança religiosa e a proximidade com os integrantes da família teriam sido utilizadas para conseguir recursos. O caso ganhou repercussão após denúncias de pessoas que tiveram contato com o homem.
Artista plástica relatou relação de confiança com Fontana
Uma das pessoas que denunciaram Fontana foi a artista plástica Elisa Stecca. Em entrevista ao Metrópoles, ela contou que manteve contato com o homem por mais de dez anos. Durante esse período, segundo seu relato, ele se apresentava como padre e participou de momentos íntimos da família, conquistando a confiança dos envolvidos.
Ao comentar as acusações, Elisa criticou o uso da fé e da presença de crianças para obter dinheiro. “Enganar as pessoas usando a fé, ainda mais envolvendo crianças, é algo muito grave. É podre, extremamente cruel, de uma crueldade atroz”, afirmou.
Um boletim de ocorrência relacionado às denúncias contra Fontana foi registrado em 24 de março. A investigação ficou sob responsabilidade do 36º Distrito Policial.
Polícia investiga circunstâncias da morte
A morte de Marcos Rodrigues Fontana permanece sob investigação. A classificação como morte suspeita indica que as circunstâncias ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
A Polícia Civil deverá apurar as condições em que o corpo foi encontrado, os relatos apresentados por pessoas próximas e os demais elementos necessários para determinar a causa do falecimento. Até a conclusão dos procedimentos, não é possível afirmar se a morte teve causa natural ou se houve participação de terceiros.