Jô Cavalcanti (PSOL)
(Imagem: Reprodução)
A Câmara Municipal do Recife passou a analisar um projeto de lei protocolado pela vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) que visa proibir o município de contratar atrações culturais envolvidas em declarações de teor racista ou xenofóbico.
A iniciativa legislativa surgiu após a polêmica causada pela inclusão da dupla Jorge & Mateus no Réveillon da capital pernambucana. Segundo a parlamentar, a medida busca proteger os moradores de ofensas discriminatórias e assegurar que os recursos municipais não sejam destinados a profissionais que hostilizem a população do Norte e Nordeste.
A reação popular contra os sertanejos teve início logo após a divulgação da programação oficial da festividade de fim de ano, motivada pelo alinhamento dos músicos à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Diante das críticas do público no ambiente virtual, o prefeito Victor Marques (PCdoB) inicialmente defendeu o respeito às diferenças políticas no ecossistema cultural, mas na noite da terça-feira (3) voltou atrás e anunciou oficialmente o cancelamento do show dos sertanejos.
O texto apresentado na Casa José Mariano estipula um conjunto de punições administrativas voltadas a conter atitudes preconceituosas no âmbito da administração direta e indireta.
A proposta prevê a aplicação de multas que variam entre R$ 1 mil e R$ 1 milhão aos infratores, considerando o poder aquisitivo do sancionado, além do impedimento de celebrar contratos ou receber incentivos fiscais do município pelo período de cinco anos.
Cancelamento do show de Jorge & Mateus
Uma intensa movimentação nas redes sociais provocou a remoção da dupla Jorge & Mateus do quadro de atrações da festa de Réveillon na capital pernambucana. A confirmação partiu do prefeito Victor Marques (PCdoB), que usou seus perfis virtuais para divulgar um pronunciamento em vídeo explicando o veto aos artistas na Virada Recife.
O mal-estar teve início quando veio à tona uma gravação do sertanejo Jorge reunido com expoentes da música sertaneja em um ato de engajamento à futura candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Governo Federal, ocasião na qual o cantor tornou pública sua oposição ao PT.
A repercussão tomou conta das seções de comentários dos canais da municipalidade, onde internautas passaram a exigir uma postura dura da gestão e o imediato descredenciamento do show.
Inicialmente, o Executivo municipal buscou conter os ânimos ao sustentar que a agenda festiva da cidade deveria priorizar a convivência harmoniosa entre diferentes correntes ideológicas.
Contudo, com o descontentamento crescente e o desgaste em torno da festividade, a Prefeitura mudou de rumo e optou pela suspensão da performance para mitigar conflitos. Victor Marques justificou que o ambiente criado tornou inviável a manutenção do concerto na praia.
O município agora avalia alternativas no mercado artístico para preencher o horário vago no palco do Réveillon recifense.
Formada pela Universidade dos Guararapes, possui uma trajetória marcada pela diversidade de editorias, tendo atuado por dois anos no caderno de Esportes e por um ano nas editorias de Política e Vida Urbana.
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