Miguel Agnelo Barbosa, morreu após uma suspeita de erro no procedimento de administração
(Imagem: Foto: Reprodução Rede Socia.)
Um bebê de quatro meses, identificado como Miguel Agnelo Barbosa, morreu após uma suspeita de erro no procedimento de administração de leite no Hospital Memorial de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. O caso ocorreu na madrugada da quarta-feira (21 de outubro) e foi relatado pela família, que questiona as circunstâncias da morte da criança.
Segundo os familiares, o leite que seria utilizado para alimentar o bebê teria sido administrado por uma via central destinada à medicação, em vez de ser colocado na sonda de alimentação. A suspeita é de que o procedimento tenha provocado complicações graves. A causa oficial da morte, no entanto, ainda depende de laudo complementar.
Miguel havia dado entrada inicialmente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cruz de Rebouças, em Igarassu, com quadro de bronquiolite. Devido à gravidade do estado de saúde, foi transferido para o Hospital Memorial de Goiana.
De acordo com o relato da família, a criança apresentou melhora durante a internação e estava próxima de realizar exames relacionados à possibilidade de alta hospitalar.
Família relata suspeita de erro durante alimentação
O pai da criança, José Márcio, afirmou que a profissional envolvida teria reconhecido o erro diante de uma médica. Segundo ele, após o episódio, a enfermeira teria deixado o hospital antes do encerramento do plantão.
“Quando meu filho veio à óbito, ela sumiu”, relatou o pai, ao descrever o que teria ocorrido naquela madrugada.
A tia do bebê, Meire, que acompanhava Miguel no hospital, também apresentou sua versão dos fatos. Ela contou que foi ao banheiro no momento em que as profissionais realizavam o procedimento e percebeu que a criança começou a passar mal.
Segundo a familiar, ela alertou a equipe sobre a possibilidade de o acesso utilizado estar conectado de maneira incorreta. Ainda conforme o relato, a profissional teria desligado o dispositivo ao perceber a situação.
A família afirma que, durante as tentativas de reanimação, a enfermeira teria reconhecido o erro. As declarações fazem parte dos relatos dos parentes e dependem de apuração para que as circunstâncias sejam oficialmente esclarecidas.
Hospital afasta profissional e abre investigação interna
Em nota, o Hospital Memorial de Goiana lamentou a morte da criança e informou que a colaboradora envolvida foi afastada. A unidade também comunicou o acionamento do grupo de segurança do paciente para investigar as causas da ocorrência.
A instituição afirmou ainda que está à disposição das autoridades responsáveis pela apuração.
“Em mais de 30 anos de atividades, o MHG sempre primou pela boa prática da Medicina. Estamos à disposição das autoridades em tudo que for necessário”, declarou o hospital.
Até o momento, as informações divulgadas não apresentam a conclusão da investigação interna nem esclarecem oficialmente como ocorreu o procedimento.
Polícia investiga o caso
Segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, o caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A causa oficial da morte aguarda um laudo complementar, cuja conclusão foi estimada em até 30 dias.
O corpo de Miguel foi liberado pelo Instituto de Medicina Legal (IML) para os ritos de despedida. O sepultamento está previsto para ocorrer no Cemitério Vale das Saudades, em Igarassu.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do atendimento, a sequência dos procedimentos realizados e a eventual responsabilidade dos envolvidos. Até a conclusão da apuração, a suspeita de erro deve ser tratada como uma alegação ainda não confirmada oficialmente.