CRM_PB
(Imagem: Instagram@candidonobrega)
A violência contra médicos na Paraíba atingiu proporções preocupantes e acendeu um alerta sobre as condições de segurança enfrentadas pelos profissionais de saúde. Uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) revelou que 80,4% dos médicos entrevistados já sofreram violência verbal durante o exercício da profissão.
O levantamento, realizado em 2025, ouviu 611 médicos e mostrou que as situações de violência vão muito além de discussões e ofensas. Entre os participantes, também foram registrados relatos de agressões físicas, violência moral, discriminação e violência sexual.
Os números reforçam a necessidade de medidas de proteção para profissionais que, diariamente, trabalham no atendimento à população, muitas vezes em ambientes marcados pela superlotação, pressão emocional e dificuldades estruturais.
Diante desse cenário, o CRM-PB lançou, em 19 de outubro de 2026, o Observatório da Violência contra o Médico, iniciativa destinada a monitorar ocorrências e contribuir para a criação de políticas de prevenção.
Pesquisa revela diferentes formas de violência contra médicos na Paraíba
Os resultados apresentados pelo CRM-PB mostram que a insegurança no ambiente de trabalho não se limita às agressões verbais.
De acordo com o levantamento, os profissionais relataram diferentes situações de violência:
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80,4% (493 médicos) sofreram violência verbal;
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62,2% (381 médicos) relataram violência moral;
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37,2% (228 médicos) enfrentaram discriminação;
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9,5% (58 médicos) sofreram violência física;
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5,2% (32 médicos) relataram violência sexual.
Os percentuais representam experiências relatadas pelos médicos participantes e não devem ser interpretados como números de ocorrências registradas oficialmente. Um mesmo profissional pode ter enfrentado mais de uma modalidade de violência.
Os dados revelam uma realidade que ultrapassa o desgaste natural da atividade médica e coloca em discussão a segurança dos trabalhadores dentro de hospitais, unidades de pronto atendimento e outros estabelecimentos de saúde.
Superlotação e problemas estruturais aumentam a tensão nos atendimentos
A violência nos serviços de saúde também está relacionada a um ambiente de tensão provocado por dificuldades enfrentadas pelos pacientes e seus familiares.
Longas esperas, superlotação, falta de medicamentos, escassez de equipamentos e dificuldades para conseguir exames podem provocar insatisfação entre os usuários.
Entretanto, representantes da categoria médica alertam que problemas estruturais não podem ser atribuídos individualmente aos profissionais responsáveis pelo atendimento.
Durante o lançamento do observatório, o presidente do Sindicato dos Médicos da Paraíba, Tarcísio Campos, destacou que pacientes frequentemente responsabilizam médicos e outros trabalhadores por deficiências existentes nas unidades de saúde.
A situação evidencia um desafio para os gestores públicos e privados: garantir condições adequadas de atendimento à população e, simultaneamente, assegurar um ambiente de trabalho protegido para as equipes.
CRM-PB cria observatório para combater violência contra médicos
Como resposta ao cenário identificado pela pesquisa, o Conselho Regional de Medicina da Paraíba colocou em funcionamento o Observatório da Violência contra o Médico.
A ferramenta foi criada para registrar, monitorar e analisar episódios de violência ocorridos durante o exercício profissional.
A iniciativa permitirá identificar locais com maior incidência de agressões, circunstâncias em que os episódios acontecem e possíveis fatores de risco.
As informações também poderão subsidiar ações de fiscalização, medidas preventivas e articulações com órgãos de segurança pública.
O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, destacou que o objetivo é transformar os registros em informações capazes de orientar medidas efetivas de proteção.
O observatório foi instituído pela Resolução CRM-PB nº 0217/2026 e prevê a comunicação de ocorrências envolvendo médicos em estabelecimentos de saúde públicos e privados.
Os profissionais também poderão registrar diretamente as situações de violência por meio dos canais disponibilizados pelo Conselho.
Insegurança também preocupa médicos das UPAs de João Pessoa
A preocupação com a segurança dos profissionais também aparece em outro levantamento realizado pelo Sindicato dos Médicos da Paraíba.
Segundo pesquisa divulgada pela entidade, 90% dos médicos pediatras que atuavam nas quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa afirmaram sentir-se inseguros em seus ambientes de trabalho.
O resultado reforça a necessidade de atenção especial às unidades de urgência e emergência, onde o atendimento de pacientes em situações graves exige decisões rápidas e pode envolver momentos de elevada tensão.
Especialistas e representantes da categoria defendem que o enfrentamento da violência deve envolver melhorias estruturais, protocolos de segurança, canais de denúncia e ações de conscientização.
Violência contra profissionais de saúde também preocupa em todo o Brasil
O problema não está restrito à Paraíba.
Dados divulgados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) apontam que, em 2024, foram registrados mais de 4,5 mil boletins de ocorrência relacionados a crimes cometidos contra profissionais médicos em estabelecimentos de saúde brasileiros.
Os registros envolvem situações como ameaças, injúrias, desacato, lesões corporais e outras formas de violência.
A dimensão nacional do problema reforça a importância de iniciativas voltadas à proteção dos trabalhadores e à responsabilização dos autores das agressões.
Como denunciar casos de violência contra médicos
Na Paraíba, os profissionais podem comunicar episódios de violência ao CRM-PB por meio do aplicativo CRMPB ON e do Observatório da Violência contra o Médico.
O Conselho também estabeleceu procedimentos para que os diretores técnicos das unidades de saúde comuniquem as ocorrências registradas nos estabelecimentos.
A expectativa é que a sistematização dessas informações permita compreender melhor a dimensão do problema e orientar ações preventivas.
A segurança dos médicos, entretanto, não depende apenas da criação de mecanismos de denúncia. Também exige investimentos na estrutura dos serviços, condições adequadas de trabalho e respeito aos profissionais responsáveis pela assistência à população.
Garantir um ambiente seguro para quem cuida da saúde é também uma forma de proteger os pacientes e fortalecer a qualidade do atendimento oferecido à sociedade.
Estudante iniciante de Jornalismo com graduando em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), possui mais de 15 anos de experiência na área comercial. Tem interesse em análise de dados, apuração de informa...
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