Pesquisa mostra que brasileiros estão mais familiarizados com a IA, mas impõem limites éticos ao uso da tecnologia.
(Imagem: gerado por IA)
A relação entre o brasileiro e a Inteligência Artificial (IA) está mudando rapidamente, trocando o pânico inicial de ser substituído por uma convivência mais pragmática. O medo de perder o emprego para a tecnologia caiu de 56% para 48% em um ano, revelando que a familiaridade com as ferramentas começa a dissipar os temores mais alarmistas.
Essa mudança de percepção acompanha um salto real no uso da IA dentro do ambiente de trabalho. Hoje, 24% dos brasileiros que conhecem a tecnologia já a utilizam profissionalmente, contra 17% no levantamento anterior. O uso para pesquisas e estudos também cresceu, mostrando que a IA já faz parte do cotidiano produtivo de milhões de pessoas.
O que muda na prática com o avanço tecnológico
Para especialistas, o que estamos vivendo é o fim da fase de mistério sobre o que a tecnologia realmente pode fazer. À medida que o trabalhador utiliza ferramentas de automação, ele percebe as limitações da IA. O economista Daron Acemoglu, Nobel de Economia, ressalta que a tecnologia tende a substituir tarefas específicas, não necessariamente o emprego como um todo.
No entanto, o impacto é desigual e atinge frentes diferentes da economia brasileira. Um estudo do FGV Ibre aponta que quase 30 milhões de profissionais ocupam cargos com exposição à IA generativa. Esse grupo concentra-se no setor de serviços e finanças, atingindo principalmente os trabalhadores mais jovens e com maior escolaridade na região Sudeste.
Onde o brasileiro traça o limite da automação
Apesar da maior aceitação no uso cotidiano, existe uma linha vermelha clara quando o assunto envolve autoridade e decisões sensíveis. Nada menos que 79% dos entrevistados rejeitam que algoritmos decidam sobre demissões ou contratações de funcionários. A desconfiança é um sinal de que o discernimento humano ainda é considerado indispensável nas relações de trabalho.
Essa resistência se estende para áreas críticas como tratamentos médicos e concessão de crédito bancário. Na prática, isso mostra que o brasileiro valoriza a empatia e a responsabilidade humana em momentos decisivos. O desafio futuro será equilibrar a eficiência das máquinas com a transparência e a justiça que apenas a supervisão humana pode garantir nas relações sociais.