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Sáb, 27 de Junho
Macroeconomia

Dívida Pública Federal avança 2,66% em maio e rompe barreira dos R$ 9 trilhões

26 jun 2026 - 20h41 Alexsander Arcelino
Imagem em close-up focando nas mãos de uma pessoa manuseando e contando diversas cédulas de cem reais sobre uma superfície lisa Tesouro Nacional registra emissão recorde de títulos públicos em maio e estoque total da dívida ultrapassa R$ 9 trilhões (Imagem: Foto: José Cruz / Agência Brasil)

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) registrou uma expansão acelerada no último mês, rompendo uma marca histórica importante. Impulsionado por uma forte atividade de emissão de papéis no mercado, o endividamento do governo subiu 2,66% em maio, saltando de R$ 8,798 trilhões no período anterior para R$ 9,033 trilhões. Os dados consolidados foram apresentados pelo Tesouro Nacional nesta sexta-feira (26).

A trajetória de crescimento ocorre menos de um ano após o indicador ter superado o patamar de R$ 8 trilhões, marca atingida em agosto do ano passado. Apesar do avanço expressivo, a equipe econômica ressalta que o comportamento do estoque permanece alinhado com as metas fiscais vigentes. O Plano Anual de Financiamento (PAF) estipula que a dívida feche o ano de 2026 balizada na faixa entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

Emissões recordes e o peso dos juros básicos

A movimentação na Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) foi o principal motor desse crescimento, apresentando elevação de 2,72% e alcançando R$ 8,692 trilhões. O Tesouro Nacional registrou uma captação líquida positiva expressiva, injetando no mercado R$ 135,61 bilhões em títulos acima do volume total de resgates. Esse resultado foi potencializado pela incorporação de R$ 94,17 bilhões em apropriação de juros processo contábil mensal de correção do estoque que se torna mais oneroso com a Taxa Selic fixada em 14,25% ao ano.

O comportamento dos títulos em maio foi marcado por duas frentes operacionais:

  • Emissões: O Tesouro vendeu R$ 166,23 bilhões em papéis da DPMFi, estabelecendo o maior volume histórico para o mês na série do órgão, motivado pela rolagem de vencimentos de março e pela alta demanda por ativos corrigidos pela Selic;

  • Resgates: Os vencimentos somaram apenas R$ 30,62 bilhões, patamar considerado reduzido devido à dinâmica sazonal do segundo mês de cada trimestre, que concentra poucos vencimentos de contratos.

No cenário externo, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) teve alta de 1,28%, fechando em R$ 340,49 bilhões, sofrendo impacto direto da valorização de 1,37% da moeda norte-americana no período fiscal.

Recomposição do colchão de liquidez e perfil dos investidores

Em paralelo ao aumento do endividamento, o Tesouro Nacional conseguiu fortalecer a sua reserva de liquidez, conhecida como o "colchão" de segurança da dívida pública. Essa proteção financeira avançou para R$ 1,211 trilhão, atingindo seu maior nível desde novembro de 2025, impulsionada pelas emissões que superaram os resgates no mês. O montante atual é suficiente para cobrir 9,14 meses de obrigações futuras, protegendo o caixa governamental diante do vencimento projetado de R$ 1,804 trilhão em títulos para os próximos 12 meses.

Quanto à divisão de mercado, os investidores continuam priorizando os papéis atrelados à variação dos juros básicos, cuja fatia subiu para 48,99% do estoque, atraídos pelo retorno gerado pelas decisões do Copom. Por outro lado, a participação de investidores estrangeiros (não-residentes) recuou para 10,14%, reflexo das tensões geopolíticas no Oriente Médio que impactaram o mercado global em maio. As instituições financeiras nacionais seguem como as principais detentoras dos títulos federais, concentrando 31,54% do total da carteira.

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