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Ter, 06 de Outubro
Economia

Selic sob pressão: Copom decide juros entre o fantasma da inflação e a guerra no Oriente Médio

Em meio à escalada de preços e desfalques na diretoria do Banco Central, o Copom define o futuro dos juros no Brasil nesta quarta-feira (29) sob forte tensão.

29 abr 2026 - 08h24 Joice Gomes
Selic sob pressão: Copom decide juros entre o fantasma da inflação e a guerra no Oriente Médio Reunião do Copom ocorre em cenário de instabilidade geopolítica e pressão inflacionária. (Imagem: gerado por IA)

O custo do crédito e a rentabilidade dos investimentos no Brasil entram em uma zona de incerteza nesta quarta-feira (29). O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir o novo patamar da Taxa Selic em um cenário onde o otimismo moderado do mercado enfrenta a pressão direta do preço dos combustíveis e da instabilidade geopolítica no Oriente Médio.

A decisão, que será anunciada no início da noite, ocorre em um momento delicado para a autoridade monetária brasileira. Atualmente em 14,75% ao ano, a taxa básica de juros pode sofrer seu segundo corte consecutivo, mas o fôlego para novas reduções parece estar diminuindo à medida que a inflação volta a mostrar resistência em setores essenciais.

O que está por trás da decisão de hoje

Na prática, o Banco Central tenta equilibrar dois pratos pesados: a necessidade de estimular a economia e o compromisso inegociável de manter os preços sob controle. A prévia da inflação oficial (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril, impulsionada justamente por itens que pesam no orçamento das famílias, como alimentos e energia.

Mas o impacto vai além das bombas de gasolina. A guerra no Oriente Médio encareceu o barril de petróleo globalmente, o que funciona como um combustível para a inflação em toda a cadeia produtiva brasileira. E é aqui que está o ponto central: se o BC reduzir os juros de forma acelerada, corre o risco de ver a inflação ultrapassar o teto da meta contínua, hoje fixado em 4,5%.

Os desfalques e as pressões políticas no Banco Central

Um elemento que adiciona tensão extra aos bastidores é a composição do próprio Copom. O colegiado está desfalcado desde o fim de 2025, quando os mandatos de dois diretores expiraram sem que o presidente Lula encaminhasse as novas indicações ao Congresso Nacional. Para completar o cenário atípico, a ausência de um terceiro diretor por motivos pessoais deixa a mesa de decisões com menos vozes em um momento crucial.

Essa vacância institucional gera um ruído que o mercado financeiro observa com cautela. Sem uma diretoria completa, a sinalização sobre os próximos passos da política monetária fica mais nebulosa. Isso explica por que a última ata do comitê foi tão conservadora, deixando de garantir novos cortes para as reuniões seguintes.

O que pode acontecer a partir disso

Caso a previsão dos analistas se confirme e a Selic caia para 14,5% ao ano, o movimento representará um alívio simbólico para o custo de empréstimos. No entanto, para o cidadão comum, essa redução demora a ser sentida na ponta, uma vez que as instituições financeiras consideram outros fatores, como o risco de crédito e as incertezas fiscais, antes de baixar os juros ao consumidor.

Olhando para o horizonte de 2026, o cenário exige vigilância máxima. Com o novo sistema de meta contínua, o Banco Central monitora a inflação acumulada mês a mês, e não apenas no fechamento do ano. Isso significa que qualquer prolongamento dos conflitos internacionais terá impacto imediato na estratégia de juros do país.

O desfecho desta quarta-feira servirá como o principal termômetro para o segundo semestre. Se o tom do comunicado for rígido, o Brasil poderá enfrentar um período de juros elevados por mais tempo do que o setor produtivo esperava, mantendo o país em uma trajetória de crescimento cauteloso e dependente do cenário externo.

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