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Mercosul-UE

Brasil começa a exportar para a Europa com tarifa zero: o que muda com o acordo Mercosul-UE

A partir desta sexta-feira (1º), o acordo Mercosul-UE zera tarifas de 80% das exportações brasileiras, impulsionando a indústria e o acesso ao mercado europeu.

29 abr 2026 - 08h24 Joice Gomes
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Brasil começa a exportar para a Europa com tarifa zero: o que muda com o acordo Mercosul-UE O acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor eliminando barreiras para a indústria e o agronegócio brasileiro. (Imagem: gerado por IA)

A partir desta sexta-feira (1º), a relação comercial entre o Brasil e o mercado europeu entra em uma nova e promissora fase. Com a entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, o cenário para os exportadores brasileiros muda drasticamente: mais de 80% dos produtos vendidos ao bloco europeu passam a ter tarifa de importação zerada de forma imediata.

Essa desoneração massiva, apontada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), representa a queda de barreiras que há décadas limitavam o potencial de crescimento das empresas nacionais. Na prática, o fim do imposto de entrada torna o produto brasileiro mais barato e, consequentemente, muito mais competitivo em uma das regiões mais ricas e exigentes do planeta.

A magnitude do tratado é impressionante. Estamos falando da criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando diretamente um mercado consumidor de mais de 700 milhões de pessoas. Mas o impacto vai além dos grandes números; ele toca o dia a dia de milhares de produtores que agora possuem acesso livre para mais de 5 mil itens diferentes.

O que muda na prática para o exportador brasileiro

Até ontem, exportar para a Europa significava enfrentar uma complexa rede de tarifas que encareciam o preço final das mercadorias. Com a nova regra, essa barreira começa a ser desmantelada. Dos quase 3 mil produtos que já contam com o benefício da tarifa zero neste primeiro momento, a esmagadora maioria, cerca de 93% pertence ao setor de bens industriais.

Isso significa que a indústria de transformação brasileira ganha um fôlego inédito. Além dos produtos industrializados, o setor alimentício e o fornecimento de matérias-primas também foram contemplados, permitindo que o Brasil diversifique sua pauta exportadora para além das tradicionais commodities brutas.

É importante destacar que essa mudança não é apenas uma redução de custos, mas uma garantia de previsibilidade. O acordo estabelece regras claras sobre padrões técnicos e comércio, o que reduz a insegurança jurídica para quem deseja investir em expansão internacional a longo prazo.

Os setores industriais que saem na frente com a nova regra

Embora a abertura seja ampla, alguns segmentos específicos devem sentir um impacto positivo quase imediato em seus balanços. O setor de máquinas e equipamentos é o grande protagonista desta fase inicial: quase 96% de tudo o que o Brasil produz nessa área passará a entrar na Europa sem pagar um único centavo de imposto. Compressores, peças mecânicas e bombas industriais estão no topo da lista de beneficiados.

Outros setores que ganham relevância imediata incluem:

• Metalurgia e produtos químicos, com reduções significativas de custos operacionais;
• O setor de alimentos, que amplia sua prateleira no mercado europeu com centenas de itens isentos;
• Aparelhos e materiais elétricos, ganhando escala competitiva frente a concorrentes asiáticos.

E é aqui que está o ponto central: a redução tarifária permite que a indústria brasileira brigue em pé de igualdade com grandes players globais. Em setores como o de alimentos, a isenção de tarifas pode ser o diferencial necessário para que marcas nacionais conquistem espaço em redes de varejo de países como Alemanha, França e Holanda.

Por que este é um marco estratégico para a economia nacional

Para se ter uma ideia do salto qualitativo, o Brasil possui hoje acordos comerciais que cobrem apenas 9% das importações mundiais. Com a integração definitiva à União Europeia, esse alcance deve saltar para mais de 37%. É uma expansão de horizonte sem precedentes na história diplomática e econômica do país.

Mas nem tudo acontece da noite para o dia. Para os produtos considerados sensíveis pelos dois blocos, a implementação será gradual. Enquanto a Europa se comprometeu a zerar a maior parte das tarifas em até 10 anos, o Mercosul terá um prazo de até 15 anos para alguns itens, podendo chegar a 30 anos em casos de altíssima complexidade tecnológica.

O encerramento dessa negociação histórica marca não o fim de um processo, mas o começo de um desafio logístico e produtivo. O próximo passo envolve a regulamentação de cotas de exportação e a criação de comitês de acompanhamento para garantir que as empresas, especialmente as pequenas e médias, saibam como navegar nessas novas águas de livre comércio.

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