0:00 Ouça a Rádio
Qui, 03 de Setembro
Mercosul-UE

Brasil começa a exportar para a Europa com tarifa zero: o que muda com o acordo Mercosul-UE

A partir desta sexta-feira (1º), o acordo Mercosul-UE zera tarifas de 80% das exportações brasileiras, impulsionando a indústria e o acesso ao mercado europeu.

29 abr 2026 - 08h24 Joice Gomes
Brasil começa a exportar para a Europa com tarifa zero: o que muda com o acordo Mercosul-UE O acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor eliminando barreiras para a indústria e o agronegócio brasileiro. (Imagem: gerado por IA)

A partir desta sexta-feira (1º), a relação comercial entre o Brasil e o mercado europeu entra em uma nova e promissora fase. Com a entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, o cenário para os exportadores brasileiros muda drasticamente: mais de 80% dos produtos vendidos ao bloco europeu passam a ter tarifa de importação zerada de forma imediata.

Essa desoneração massiva, apontada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), representa a queda de barreiras que há décadas limitavam o potencial de crescimento das empresas nacionais. Na prática, o fim do imposto de entrada torna o produto brasileiro mais barato e, consequentemente, muito mais competitivo em uma das regiões mais ricas e exigentes do planeta.

A magnitude do tratado é impressionante. Estamos falando da criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando diretamente um mercado consumidor de mais de 700 milhões de pessoas. Mas o impacto vai além dos grandes números; ele toca o dia a dia de milhares de produtores que agora possuem acesso livre para mais de 5 mil itens diferentes.

O que muda na prática para o exportador brasileiro

Até ontem, exportar para a Europa significava enfrentar uma complexa rede de tarifas que encareciam o preço final das mercadorias. Com a nova regra, essa barreira começa a ser desmantelada. Dos quase 3 mil produtos que já contam com o benefício da tarifa zero neste primeiro momento, a esmagadora maioria, cerca de 93% pertence ao setor de bens industriais.

Isso significa que a indústria de transformação brasileira ganha um fôlego inédito. Além dos produtos industrializados, o setor alimentício e o fornecimento de matérias-primas também foram contemplados, permitindo que o Brasil diversifique sua pauta exportadora para além das tradicionais commodities brutas.

É importante destacar que essa mudança não é apenas uma redução de custos, mas uma garantia de previsibilidade. O acordo estabelece regras claras sobre padrões técnicos e comércio, o que reduz a insegurança jurídica para quem deseja investir em expansão internacional a longo prazo.

Os setores industriais que saem na frente com a nova regra

Embora a abertura seja ampla, alguns segmentos específicos devem sentir um impacto positivo quase imediato em seus balanços. O setor de máquinas e equipamentos é o grande protagonista desta fase inicial: quase 96% de tudo o que o Brasil produz nessa área passará a entrar na Europa sem pagar um único centavo de imposto. Compressores, peças mecânicas e bombas industriais estão no topo da lista de beneficiados.

Outros setores que ganham relevância imediata incluem:

• Metalurgia e produtos químicos, com reduções significativas de custos operacionais;
• O setor de alimentos, que amplia sua prateleira no mercado europeu com centenas de itens isentos;
• Aparelhos e materiais elétricos, ganhando escala competitiva frente a concorrentes asiáticos.

E é aqui que está o ponto central: a redução tarifária permite que a indústria brasileira brigue em pé de igualdade com grandes players globais. Em setores como o de alimentos, a isenção de tarifas pode ser o diferencial necessário para que marcas nacionais conquistem espaço em redes de varejo de países como Alemanha, França e Holanda.

Por que este é um marco estratégico para a economia nacional

Para se ter uma ideia do salto qualitativo, o Brasil possui hoje acordos comerciais que cobrem apenas 9% das importações mundiais. Com a integração definitiva à União Europeia, esse alcance deve saltar para mais de 37%. É uma expansão de horizonte sem precedentes na história diplomática e econômica do país.

Mas nem tudo acontece da noite para o dia. Para os produtos considerados sensíveis pelos dois blocos, a implementação será gradual. Enquanto a Europa se comprometeu a zerar a maior parte das tarifas em até 10 anos, o Mercosul terá um prazo de até 15 anos para alguns itens, podendo chegar a 30 anos em casos de altíssima complexidade tecnológica.

O encerramento dessa negociação histórica marca não o fim de um processo, mas o começo de um desafio logístico e produtivo. O próximo passo envolve a regulamentação de cotas de exportação e a criação de comitês de acompanhamento para garantir que as empresas, especialmente as pequenas e médias, saibam como navegar nessas novas águas de livre comércio.

Mais notícias
INSS inicia pagamentos de setembro no dia 24; veja o calendário
Aposentados INSS inicia pagamentos de setembro no dia 24; veja o calendário
Revolução das fintechs injeta R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro e força queda de juros
Economia Revolução das fintechs injeta R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro e força queda de juros
Senado aprova incentivos de R$ 5,2 bilhões para data centers no Brasil
Economia Senado aprova incentivos de R$ 5,2 bilhões para data centers no Brasil
Governo Lula estuda medida drástica contra 'bets' após rombo de R$ 62 bilhões
Economia Governo Lula estuda medida drástica contra 'bets' após rombo de R$ 62 bilhões
Ibovespa dispara e dólar cai com escalada do petróleo global
Economia Ibovespa dispara e dólar cai com escalada do petróleo global
STF valida poder do INSS para fixar teto de juros do consignado
Jurídico STF valida poder do INSS para fixar teto de juros do consignado
Adesão ao Simples Nacional para 2027 começa com nova regra tributária
Tributário Adesão ao Simples Nacional para 2027 começa com nova regra tributária
Votação da MP da taxa das blusinhas é adiada por falta de acordo
Legislativo Votação da MP da taxa das blusinhas é adiada por falta de acordo
Micro e pequenas empresas têm novo prazo para optar pelo Simples Nacional; saiba o que muda
Economia Micro e pequenas empresas têm novo prazo para optar pelo Simples Nacional; saiba o que muda
Imposto do pecado vai custar R$ 41,9 bilhões aos brasileiros em 2027; veja o que muda
Economia Imposto do pecado vai custar R$ 41,9 bilhões aos brasileiros em 2027; veja o que muda
Mais Lidas
Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
Comportamento Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Saúde OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Automóveis Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek
Série Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek