Produção de motos avança 1,7% no primeiro bimestre de 2026, alcança melhor resultado em 15 anos e mantém setor aquecido.
(Imagem: gerado por IA)
A produção de motos começou 2026 em alta e alcançou o melhor resultado para um primeiro bimestre em 15 anos. Segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, foram 348.732 unidades produzidas em janeiro e fevereiro, volume 1,7% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O dado mostra que a indústria segue em nível elevado de atividade, mesmo diante de oscilações mensais típicas do calendário produtivo.
O resultado chama atenção porque veio acompanhado de uma retração em fevereiro. No mês, saíram das linhas de montagem 164.104 motocicletas, número 7,1% menor que o observado em fevereiro do ano passado e 11,1% inferior ao de janeiro. Ainda assim, o desempenho acumulado do bimestre preservou o avanço da produção de motos, sustentado por um início de ano forte e por uma demanda que continua elevada no mercado interno.
Na avaliação do setor, a queda de fevereiro já era esperada em razão do Carnaval, que reduziu o número de dias úteis e afetou o ritmo de fabricação. Esse fator sazonal ajuda a explicar por que um mês mais fraco não comprometeu o resultado consolidado. Para a indústria, o dado mais relevante é que a produção de motos permaneceu alinhada ao planejamento das fabricantes e às encomendas do mercado.
O que explica o desempenho do setor
O principal sinal por trás da alta da produção de motos é a manutenção de uma demanda consistente. O segmento de duas rodas segue beneficiado por fatores como busca por mobilidade individual, uso profissional dos veículos e maior presença das motocicletas em atividades de entrega e deslocamento diário. Quando a procura permanece firme, as montadoras conseguem manter linhas de montagem aquecidas mesmo em meses com menor número de dias trabalhados.
Outro ponto importante é o perfil da produção. Os modelos de baixa cilindrada seguem como base do mercado, com 270.919 unidades fabricadas no primeiro bimestre, o equivalente a 77,7% do total. Isso mostra que a produção de motos continua fortemente concentrada em veículos de maior apelo popular, normalmente associados a custo mais acessível, uso urbano e aplicação profissional.
Ao mesmo tempo, a produção de modelos de alta cilindrada cresceu 22% no período, somando 9.725 unidades. Embora representem apenas 2,8% do total fabricado, esses veículos indicam uma expansão em nichos específicos do mercado. Na prática, esse movimento revela que a produção de motos está avançando tanto em volume de massa quanto em segmentos de maior valor agregado.
Como ficou a divisão por categorias
Entre as categorias, a Street liderou com folga no primeiro bimestre. Foram 180.488 unidades produzidas, fatia equivalente a 51,8% do total. Em seguida apareceram a Trail, com 19,4%, e a Motoneta, com 13,3%. Essa distribuição ajuda a entender onde a produção de motos está mais concentrada e quais tipos de veículo mantêm maior aderência ao consumo atual.
O peso da categoria Street reforça a preferência por modelos voltados ao uso cotidiano, tanto para deslocamentos pessoais quanto para trabalho. Já a presença relevante de Trail e Motoneta mostra que o mercado também continua diversificado, atendendo diferentes necessidades de mobilidade. Para fabricantes e fornecedores, esse quadro é importante porque permite calibrar investimentos, estoques e estratégias comerciais a partir do comportamento real da produção de motos.
- No primeiro bimestre, foram produzidas 348.732 motocicletas.
- Os modelos de baixa cilindrada responderam por 77,7% do total fabricado.
- A categoria Street liderou a produção, com 51,8% do volume.
- As motocicletas de alta cilindrada cresceram 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Vendas e exportações ampliam o impacto
O avanço da produção de motos ganha ainda mais relevância quando analisado ao lado das vendas. Nos dois primeiros meses do ano, foram emplacadas 350.110 motocicletas, alta de 13,7% na comparação com igual período do ano passado. O número indica que o mercado absorveu o crescimento da oferta e que o setor continua operando com base em demanda efetiva, e não apenas em formação de estoques.
Em fevereiro, as vendas chegaram a 171.548 unidades, com alta de 10% sobre o mesmo mês do ano anterior. O dado contrasta com a queda na fabricação do mês e sugere que o calendário reduziu a produção mais do que o apetite do consumidor. Isso é relevante porque mostra que a produção de motos ainda encontra respaldo comercial, fator decisivo para a continuidade do ciclo de expansão.
No mercado externo, o cenário também foi positivo. As exportações cresceram 43,1% no primeiro bimestre, com 8.015 unidades embarcadas. Só em fevereiro, foram exportadas 4.748 motocicletas, volume 70% superior ao do mesmo mês do ano anterior e 45,3% acima do registrado em janeiro. Esse desempenho amplia a importância da produção de motos para além do consumo doméstico e reforça o papel da indústria nas vendas externas do setor.
O que pode acontecer a partir de agora
Os números do primeiro bimestre indicam um ponto de partida sólido para 2026, mas os próximos meses serão decisivos para confirmar se o ritmo será mantido. A continuidade da produção de motos em patamar elevado dependerá da permanência da demanda, da estabilidade no ambiente de crédito, da oferta de componentes e do calendário de produção das montadoras. Como fevereiro foi impactado por uma condição sazonal, o mercado tende a observar com atenção os dados do trimestre seguinte para verificar se haverá retomada no volume mensal.
Para consumidores, concessionárias, fornecedores e trabalhadores da cadeia industrial, o avanço atual tem impacto prático. Mais produção costuma significar maior circulação de veículos novos, reforço do abastecimento das lojas e manutenção do nível de atividade em toda a cadeia de peças, logística e serviços. Se o ritmo continuar, a produção de motos pode consolidar 2026 como mais um ano de expansão para a indústria de duas rodas.
Até aqui, o setor combina três sinais positivos ao mesmo tempo: recorde para o primeiro bimestre em 15 anos, crescimento dos emplacamentos e forte alta nas exportações. Esse conjunto ajuda a explicar por que o desempenho recente vai além de uma oscilação pontual e se torna um indicador relevante sobre o momento da produção de motos no país.