O Brasil avança em acordos com a Europa para explorar minerais críticos como nióbio e grafita.
(Imagem: Portal Gov.br/Reprodução)
O governo brasileiro intensifica diálogos com nações europeias para firmar parcerias na exploração de minerais críticos, materiais indispensáveis para tecnologias verdes e defesa. Autoridades destacam a necessidade de investimentos que promovam beneficiamento local, evitando a mera venda de commodities in natura.
Com reservas que posicionam o país entre os líderes mundiais, o Brasil busca transferências tecnológicas para elevar sua participação na cadeia produtiva global. Essa estratégia ganha força com eventos internacionais e tratados comerciais recentes.
Potencial mineral do Brasil no cenário mundial
O território nacional abriga frações significativas das reservas globais de diversos minerais críticos. Dados oficiais indicam domínio em nióbio, com cerca de 94% do total mundial, além de posições expressivas em grafita, níquel e terras raras.
Esses recursos alimentam indústrias de baterias elétricas, energias renováveis e aeroespacial. Contudo, a exploração atual concentra-se em exportações brutas, o que limita ganhos econômicos e empregos qualificados, conforme análises de instituições especializadas.
- Nióbio responde por 94% das reservas globais, aplicado em aços super-resistentes.
- Grafita representa 26%, componente chave em ânodos de baterias de lítio.
- Terras raras somam 23%, essenciais para ímãs permanentes em turbinas e veículos elétricos.
Hannover Messe 2026 destaca o Brasil
Escolhido país parceiro da Hannover Messe 2026, o Brasil levará cerca de 140 empresas à maior feira industrial do planeta. O foco recai sobre minerais críticos, com fórum dedicado ao tema paralelo ao evento principal.
Realizada de 20 a 24 de abril em Hannover, na Alemanha, a feira reunirá líderes europeus para discutir cooperações. O embaixador brasileiro no país anunciou a iniciativa, enfatizando sinergias entre recursos naturais nacionais e know-how continental.
O intercâmbio comercial Brasil-Alemanha superou US$ 20 bilhões em 2025, sustentado por mais de mil filiais germânicas operando localmente. Essa base facilita negociações em setores estratégicos como o mineral.
Acordo Mercosul-União Europeia abre caminhos
Aprovado recentemente pelo Senado, o tratado Mercosul-UE estabelece desmonte tarifário progressivo. O bloco sul-americano eliminará barreiras sobre 91% dos produtos europeus em 15 anos, enquanto a UE fará o mesmo para 95% dos sul-americanos em 12 anos.
A Alemanha apoia vigorosamente a entrada em vigor provisório, apesar de objeções francesas. Líderes como o chanceler Friedrich Merz posicionam o acordo como contraponto ao protecionismo, especialmente frente a medidas protecionistas americanas.
Para os minerais críticos, o pacto sinaliza segurança jurídica a investidores, ampliando fluxos para agricultura, indústria e mineração. Executivos da Deutsche Messe AG veem na parceria uma ponte para integração produtiva.
Oportunidades e obstáculos pela frente
A prioridade reside em construir capacidade nacional de refino e transformação. Projetos pioneiros, como a Mineração Serra Verde em Goiás, produzem terras raras, mas o Brasil ainda depende de importações para componentes finais como superímãs.
Parcerias com europeus prometem acelerar processos de separação química, hoje concentrados na China. Benefícios incluem matriz energética renovável abundante e mão de obra técnica, ideais para operações sustentáveis.
Projeções indicam alta demanda global ante escassez iminente. O Brasil, com regulamentação mineral moderna, atrai capital estrangeiro, mas exige aportes em P&D e logística para concretizar liderança.
- Possível encontro entre presidente Lula e chanceler Merz durante a feira.
- Ênfase em joint ventures com participação acionária brasileira majoritária.
- Expansão para produtos acabados, gerando cadeias completas de valor.
Essas movimentações marcam transição de exportador primário para polo industrial. Integrando abundância mineral à inovação, o Brasil se credencia para suprir a economia descarbonizada, promovendo crescimento inclusivo e soberania tecnológica.