Imagem ilustrativa: levantamento do TCE-PE aponta perdas de 43,4% da água tratada na distribuição e baixa cobertura de esgotamento sanitário em Pernambuco.
(Imagem: gerado por IA)
Pernambuco perde 43,4% da água tratada ao longo do sistema de distribuição antes que o recurso chegue efetivamente aos consumidores. O dado integra diagnóstico apresentado pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e expõe um dos principais gargalos da infraestrutura de saneamento no estado.
O levantamento também aponta que apenas 29,4% da população pernambucana conta com atendimento de esgotamento sanitário. No panorama nacional considerado pelo estudo, Pernambuco aparece na 21ª posição, cenário que evidencia desafios simultâneos no abastecimento, na eficiência das redes e na coleta de esgoto.
Quase metade da água tratada se perde no caminho
O índice de 43,4% significa que uma parcela expressiva da água submetida a tratamento não é convertida em consumo efetivamente medido. As chamadas perdas de distribuição podem envolver vazamentos em tubulações, falhas operacionais, problemas de medição e outras situações que reduzem a eficiência do sistema.
Quanto maior a perda, maior a necessidade de captar, tratar e transportar água para entregar o mesmo volume ao consumidor. Isso pressiona a infraestrutura e pode aumentar custos operacionais, especialmente em regiões que convivem com escassez ou irregularidade de abastecimento.
Esgotamento sanitário alcança menos de um terço da população
Outro número central do diagnóstico é a cobertura de esgoto de 29,4%. Na prática, menos de um terço da população está atendida pelo serviço considerado no levantamento.
A baixa cobertura tem impactos que ultrapassam o setor de infraestrutura. Esgotamento sanitário inadequado está relacionado à contaminação ambiental, degradação de rios e canais e maior exposição da população a doenças associadas à água contaminada.
Pernambuco aparece em 21º lugar no país
A 21ª posição nacional reforça a distância entre a situação atual e a universalização dos serviços. O desafio é especialmente complexo porque exige obras de longa duração, planejamento, investimentos contínuos e coordenação entre diferentes níveis de governo e prestadores.
Expandir redes novas, porém, não resolve sozinho o problema. A redução das perdas existentes é estratégica para aproveitar melhor a infraestrutura já instalada e evitar que novos investimentos convivam com desperdícios elevados.
Vazamentos nem sempre aparecem na superfície
Parte das perdas ocorre em rompimentos visíveis, mas outra parcela pode permanecer escondida no subsolo por longos períodos. Tecnologias de detecção, monitoramento de pressão, setorização de redes e substituição de tubulações antigas são ferramentas usadas para localizar e reduzir vazamentos.
Também existem perdas relacionadas à medição e ao controle comercial do sistema. Por isso, indicadores de saneamento exigem atuação tanto na infraestrutura física quanto na gestão.
Universalização exige acelerar investimentos
O marco legal do saneamento estabeleceu metas nacionais para ampliação do acesso à água e ao esgotamento sanitário. Estados e municípios precisam estruturar projetos capazes de aproximar seus indicadores desses objetivos dentro dos prazos previstos.
Em Pernambuco, os números apresentados pelo TCE-PE mostram que a expansão da coleta de esgoto e a redução das perdas de água precisam caminhar juntas. A eficiência do sistema é relevante tanto para a segurança hídrica quanto para a sustentabilidade financeira do serviço.
Indicador afeta diretamente o cotidiano
Embora percentuais de perdas possam parecer uma discussão técnica, o problema chega ao dia a dia das famílias. Sistemas pouco eficientes ficam mais vulneráveis a interrupções, desperdício de recursos e dificuldades para acompanhar o crescimento das cidades.
O diagnóstico do Tribunal de Contas oferece uma fotografia do tamanho do desafio: Pernambuco precisa simultaneamente ampliar a cobertura de esgoto e impedir que uma parcela tão elevada da água já tratada desapareça antes de chegar às torneiras.