Imagem ilustrativa: estudo da OCDE aponta redução da proporção de jovens brasileiros de 18 a 24 anos que não estudam, não trabalham nem estão em formação.
(Imagem: gerado por IA)
A proporção de jovens brasileiros de 18 a 24 anos que não estudam, não trabalham nem participam de formação profissional caiu para 22,4%, segundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O indicador mostra melhora em relação a 2016, quando 29,4% dos jovens dessa faixa etária estavam nessa condição.
A redução representa avanço importante ao longo de oito anos, mas o Brasil ainda permanece acima da média dos países da OCDE, estimada em 14,1%. A diferença revela que a transição entre escola e mercado de trabalho continua sendo um dos principais desafios para a juventude brasileira.
Queda não elimina desigualdades
O grupo frequentemente chamado de “nem-nem” reúne situações muito diferentes. Parte dos jovens procura emprego, outros deixaram os estudos temporariamente e há aqueles envolvidos em responsabilidades familiares ou de cuidado que dificultam a entrada no mercado ou a continuidade da formação.
As mulheres jovens tendem a enfrentar impacto maior das tarefas domésticas e do cuidado não remunerado, um fator que pode afastá-las tanto do emprego quanto da educação. Por isso, o indicador não deve ser interpretado apenas como resultado de escolhas individuais.
Brasil ainda está acima da média da OCDE
A taxa de 22,4% permanece 8,3 pontos percentuais acima da média de 14,1% da OCDE. Comparações internacionais, porém, precisam considerar diferenças na estrutura do mercado de trabalho, políticas educacionais, proteção social e condições econômicas de cada país.
O dado brasileiro também convive com desigualdades regionais e socioeconômicas. Jovens de famílias de menor renda enfrentam obstáculos adicionais para permanecer nos estudos, custear transporte, acessar qualificação ou esperar por uma vaga compatível com sua formação.
Formação e primeiro emprego são pontos decisivos
A passagem da escola para o trabalho é uma etapa especialmente sensível. Programas de aprendizagem, educação profissional e tecnológica, permanência escolar e intermediação de emprego podem reduzir o tempo em que o jovem permanece desconectado das duas atividades.
A melhora registrada desde 2016 indica redução do problema, mas não significa que ele esteja resolvido. Para aproximar o país dos indicadores internacionais, políticas públicas precisam combinar acesso à educação, qualificação, geração de oportunidades e condições que permitam aos jovens permanecer nos estudos.