Iara Flores Dubeux, cônsul honorária do México no Recife
(Imagem: Foto: Fernando Machado/Cortesia)
A cônsul honorária do México no Recife, Iara Flores Dubeux, morreu na madrugada desta segunda-feira (2). A cerimônia de despedida está prevista para a tarde, no cemitério Morada da Paz. Sua trajetória foi marcada pela atuação na aproximação entre Pernambuco e o México e pela continuidade de uma história familiar ligada à representação mexicana no Estado há mais de um século.
Iara era a quarta integrante da família Dubeux a ocupar o cargo de cônsul honorária do México na capital pernambucana. A tradição começou em 1920 e atravessou gerações, consolidando uma relação histórica entre a família e a representação diplomática mexicana.
Iara Flores Dubeux fazia parte de uma história de mais de 100 anos
O Consulado Honorário do México no Recife foi inaugurado em 19 de dezembro de 1904. Seu primeiro titular foi Ernesto Pereira Carneiro. Na época, a capital pernambucana foi escolhida pela importância do porto nas relações comerciais entre México e Brasil.
A partir de 1920, a representação passou a ser conduzida pela família Dubeux. Antes de Iara, o posto foi ocupado por João Dubeux, Arnaldo Dubeux e Antonio Dubeux, seu marido.
Em dezembro de 2024, quando o consulado completou 120 anos, o próprio governo mexicano destacou a importância da atuação de Iara. Em comunicado oficial, a representação diplomática reconheceu o trabalho da cônsul na promoção da cultura mexicana e no fortalecimento dos vínculos entre os dois países.
Atuação aproximou Pernambuco e México
À frente do consulado, Iara participou de iniciativas voltadas à preservação e à divulgação das tradições mexicanas no Recife e em Pernambuco.
Entre as atividades promovidas estavam as comemorações da Independência do México e os eventos dedicados ao Día de los Muertos, celebração tradicional da cultura mexicana. A cônsul também mantinha contato com a comunidade mexicana residente na região e atuava no acolhimento e na assistência a pessoas que precisavam de apoio consular.
No comunicado publicado em 2024, o governo mexicano ressaltou que Iara organizava anualmente as celebrações nacionais e culturais e acompanhava uma comunidade formada, à época, por cerca de 20 famílias mexicanas.
O reconhecimento oficial também destacou sua participação em situações que exigiam proteção consular, incluindo processos de repatriação e assistência em casos de violência doméstica.
Consulado completou 120 anos em 2024
A história da representação mexicana no Recife atravessa diferentes momentos das relações entre os dois países. A escolha da capital pernambucana, no início do século XX, esteve relacionada à relevância comercial do porto, considerado estratégico para o intercâmbio entre México e Brasil.
Ao longo das décadas, a família Dubeux teve participação direta na manutenção dessa representação. A atuação de Iara deu continuidade a esse legado, com iniciativas diplomáticas, culturais e de apoio à comunidade mexicana.
Sua morte encerra um capítulo importante dessa história, que conecta a trajetória de uma família pernambucana à presença institucional e cultural do México no Nordeste brasileiro.