Cruzeiro é campeão da Libertadores Feminina contra o Corinthians nas penalidades
(Imagem: Imagem: Gustavo Martins / Cruzeiro)
A história do futebol feminino brasileiro ganhou um capítulo inesquecível neste sábado (31). Em uma final marcada por emoção, reviravoltas e uma reação impressionante, o Cruzeiro conquistou pela primeira vez a Libertadores Feminina. Depois de estar perdendo por 3 a 0 para o Corinthians, a equipe mineira buscou o empate por 4 a 4 e venceu a decisão nos pênaltis por 5 a 4, no estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador.
O resultado garantiu à Raposa um título inédito. Em sua primeira participação na principal competição de clubes do futebol feminino sul-americano, o time celeste conseguiu superar justamente o maior vencedor recente do torneio, que buscava o tetracampeonato consecutivo.
A conquista também representa um marco para o projeto do futebol feminino do Cruzeiro. Além de levantar a taça continental, a equipe assegurou vaga na Copa das Campeãs da Fifa, em janeiro de 2027, em Miami, e no primeiro Mundial de Clubes Feminino, previsto para janeiro de 2028, nos Estados Unidos.
Cruzeiro consegue virada histórica depois de desvantagem de três gols
A decisão começou com o Corinthians impondo seu ritmo. Logo aos três minutos do primeiro tempo, Gi Fernandes fez o cruzamento para Gabi Zanotti, que apareceu bem na área e acertou uma cabeçada certeira para abrir o placar.
O gol deu confiança às Brabas, que passaram a controlar as ações e dificultaram a saída de jogo das mineiras. O Cruzeiro encontrou dificuldades para acionar Byanca Brasil, principal referência ofensiva da equipe, enquanto o Corinthians continuava criando oportunidades.
Aos 28 minutos, Tamires recebeu dentro da área e finalizou, mas parou em uma boa defesa da goleira celeste. Pouco depois, Lorena Bedoya respondeu para a Raposa com um chute forte, que levou perigo à meta adversária.
Na reta final da primeira etapa, o Corinthians ampliou. Aos 42 minutos, o Cruzeiro errou na saída de bola e entregou a posse para Vic Albuquerque. A atacante aproveitou a oportunidade, recebeu o passe e finalizou com precisão para fazer 2 a 0.
O panorama ficou ainda mais complicado para as mineiras no início do segundo tempo. Com apenas três minutos, Letícia Monteiro cruzou para Vic Albuquerque, que concluiu com qualidade e marcou o terceiro gol corintiano.
Reação celeste muda o rumo da decisão
Mesmo com uma desvantagem de três gols, o Cruzeiro não desistiu. Aos seis minutos da etapa final, após cruzamento para a área, a goleira Letícia não conseguiu afastar a bola, que sobrou para Byanca Brasil diminuir o placar.
O gol mudou o ambiente da partida. A equipe mineira ganhou confiança e passou a pressionar mais o Corinthians. Pouco depois, a goleira Letícia cometeu pênalti em Marília Furiel. Vitória Calhau assumiu a cobrança e acertou o ângulo, colocando o Cruzeiro novamente na disputa.
A reação, entretanto, sofreu um novo obstáculo aos 22 minutos. Vic Albuquerque arriscou de longa distância, a goleira Camila Rodrigues ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar o quarto gol corintiano.
A Raposa voltou a mostrar poder de reação. Aos 29 minutos, Byanca Brasil cobrou escanteio e encontrou Ketlen, que subiu para cabecear e fazer o terceiro gol das mineiras.
Na reta final, o Cruzeiro aumentou a pressão em busca do empate. Letícia Ferreira chegou perto de marcar em uma finalização de fora da área, mas a bola explodiu no travessão.
Quando o título parecia encaminhado para o Corinthians, veio o lance que mudou definitivamente a decisão. Aos 45 minutos, Letícia Ferreira recebeu cruzamento na área e acertou uma cabeçada precisa para deixar tudo igual: 4 a 4.
O gol provocou uma explosão de emoção entre as jogadoras e a comissão técnica do Cruzeiro. Depois de sair de uma desvantagem de três gols, a equipe conseguiu levar a final para a disputa de pênaltis.
Cruzeiro leva a melhor nas cobranças de pênaltis
Na disputa decisiva, as duas equipes tiveram oportunidades de conquistar o título, mas o Cruzeiro mostrou maior eficiência e venceu por 5 a 4.
Pelo lado celeste, Byanca Brasil, Letícia Ferreira, Michelle Romero, Vitória Calhau e Milena Ferreira converteram suas cobranças. Pri Back e Lorena Bedoya desperdiçaram.
No Corinthians, Vic Albuquerque, Duda Sampaio, Belén Aquino e Thaís Ferreira marcaram. Jaque Ribeiro, Gisela Robledo e Gi Fernandes não conseguiram converter.
Com a vantagem nas penalidades, o Cruzeiro confirmou a conquista inédita e encerrou a campanha com uma final que dificilmente será esquecida por suas torcedoras e pelo futebol feminino brasileiro.
Título garante presença em competições mundiais
Além da taça continental, a conquista da Libertadores Feminina assegurou ao Cruzeiro participação na Copa das Campeãs da Fifa, marcada para janeiro de 2027, em Miami. Na semifinal, a equipe mineira terá pela frente o Barcelona, atual campeão da Liga dos Campeões Feminina da Uefa.
A Raposa também garantiu presença no primeiro Mundial de Clubes Feminino, programado para janeiro de 2028, nos Estados Unidos.
Apesar da derrota, o Corinthians também está classificado para o Mundial de 2028. A equipe paulista conquistou a Libertadores na temporada anterior e, por isso, já havia assegurado sua vaga.
Para o Cruzeiro, a conquista representa muito mais do que um troféu: é a primeira Libertadores Feminina da história do clube, conquistada em uma final épica, depois de uma reação que transformou uma derrota praticamente encaminhada em uma das decisões mais marcantes do futebol feminino sul-americano.
Repórter, produtor e repórter cinematográfico especializado em jornalismo esportivo, com 13 anos de experiência na cobertura, produção e registro audiovisual de diversos eventos esportivos. Atua na apuração e produção de...
Ver todas as publicações