Flamengo cai para o Estudiantes nos pênaltis
(Imagem: Gilvan de Souza/Flamengo)
O Flamengo vive uma semana de tensão nos bastidores do futebol sul-americano. Enquanto tenta reverter nos tribunais a eliminação para o Estudiantes na semifinal da Copa Libertadores de 2026, o clube carioca também enfrenta um processo administrativo aberto pela Conmebol por causa de uma mensagem de protesto estampada nos uniformes durante a partida de volta, disputada no Maracanã.
As duas situações são independentes. De um lado, a diretoria rubro-negra questiona a participação do zagueiro Marcos Rojo, utilizado pelo Estudiantes após receber autorização provisória do Tribunal Arbitral do Esporte (CAS). Do outro, a entidade sul-americana apura a decisão do Flamengo de entrar em campo com uma frase contrária à medida provisória relacionada ao mercado de apostas no Brasil.
Flamengo tenta reverter eliminação na Libertadores
A disputa jurídica começou após a classificação do Estudiantes para a final da Libertadores. Depois de dois empates sem gols no confronto semifinal, a equipe argentina venceu a disputa por pênaltis por 3 a 2 no Maracanã, em 22 de outubro, eliminando o Flamengo da competição.
A diretoria rubro-negra, entretanto, contestou a escalação de Marcos Rojo na partida decisiva. O clube argumenta que a inscrição do defensor não havia sido autorizada pela Conmebol, que anteriormente rejeitara o pedido do Estudiantes para incluí-lo na lista de jogadores da competição.
O time argentino recorreu ao CAS e conseguiu uma autorização provisória para utilizar o atleta. A medida permitiu que Rojo disputasse a semifinal, mas não afastou eventuais consequências esportivas e disciplinares que possam ser determinadas após o julgamento definitivo.
Após a eliminação, o Flamengo formalizou uma reclamação à Conmebol e solicitou que o caso seja analisado antes da final. O clube sustenta que a utilização de um jogador supostamente irregular deve ser avaliada conforme o regulamento da competição.
A diretoria também citou precedentes de punições por escalação irregular, incluindo o caso do Santos em 2018. No entanto, ainda não há decisão definitiva que altere o resultado da semifinal ou devolva ao Flamengo a vaga na final.
Conmebol abre processo por mensagem na camisa
Além da disputa envolvendo Marcos Rojo, o Flamengo passou a enfrentar outro problema com a entidade sul-americana. Durante a partida contra o Estudiantes, os jogadores entraram em campo com a frase “Proibir não é proteger”, utilizada como manifestação contrária à Medida Provisória nº 1.394/2026, relacionada às restrições ao mercado de apostas no Brasil.
A mensagem ocupou o espaço normalmente destinado ao patrocinador principal do uniforme. A iniciativa está ligada ao posicionamento do clube contra as restrições impostas ao setor de apostas, que afetaram empresas patrocinadoras do futebol brasileiro.
Antes do confronto, representantes da organização alertaram o Flamengo sobre possíveis sanções previstas no Regulamento Comercial e de Marketing da Libertadores. Mesmo após o aviso, a direção rubro-negra decidiu manter a mensagem nos uniformes utilizados pela equipe.
Segundo informações divulgadas pela imprensa esportiva nesta segunda-feira (26), a Conmebol abriu um procedimento administrativo para apurar a conduta do clube. A investigação poderá resultar em uma penalidade financeira, mas o valor final dependerá da análise do caso.
Multa pode chegar a US$ 50 mil
As penalidades financeiras previstas para o caso variam de US$ 5 mil a US$ 50 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 25 mil a R$ 250 mil, conforme os valores divulgados pela imprensa. A quantia eventualmente aplicada ainda não foi definida.
O processo administrativo não significa que o Flamengo já tenha sido condenado. A entidade ainda precisa avaliar a ocorrência e decidir se houve infração às regras comerciais e de marketing da competição.
A possibilidade de sanções esportivas em caso de reincidência também foi mencionada nas informações divulgadas sobre o episódio, mas não há confirmação de que uma punição desse tipo tenha sido aplicada neste caso.
Flamengo aguarda desdobramentos dos dois casos
Com duas frentes abertas, o clube carioca aguarda os próximos passos das instâncias responsáveis. A contestação da escalação de Rojo pode ter consequências para o resultado esportivo da semifinal, enquanto o processo relacionado ao uniforme envolve a aplicação das regras comerciais da competição.
Por enquanto, o Estudiantes permanece classificado para a final da Libertadores, marcada para 28 de novembro, contra o Palmeiras, em Montevidéu, no Uruguai. Qualquer mudança na classificação dependerá de uma decisão das autoridades competentes.
O Flamengo, portanto, tenta manter viva a possibilidade de disputar a decisão continental fora de campo, ao mesmo tempo que precisa responder ao procedimento administrativo aberto pela Conmebol por causa do protesto exibido no Maracanã.
Repórter, produtor e repórter cinematográfico especializado em jornalismo esportivo, com 13 anos de experiência na cobertura, produção e registro audiovisual de diversos eventos esportivos. Atua na apuração e produção de...
Ver todas as publicações