Michaela Fregonese durante a histórica sessão na Laje da Jagua, em Jaguaruna (SC).
(Imagem: gerado por IA)
O mar de Jaguaruna, no sul de Santa Catarina, acaba de registrar um marco que redefine os limites do surfe feminino no Brasil. A curitibana Michaela Fregonese oficializou a descida da maior onda já surfada por uma mulher em território nacional, um colosso de 12,25 metros de altura. O feito, ocorrido na temida Laje da Jagua, foi validado após uma rigorosa análise técnica de especialistas que confirmaram a magnitude da ondulação enfrentada no dia 11 de maio.
Na prática, o impacto desse recorde vai muito além dos números. Michaela, que já é detentora da maior onda surfada por uma mulher no Havaí, agora coloca seu nome no topo da história brasileira. A marca surge em um momento de ascensão do Big Surf, modalidade que exige não apenas preparo físico extremo, mas uma leitura quase intuitiva das forças da natureza.
A confirmação do recorde veio após dias de expectativa e cálculos precisos. Embora a marca absoluta do País ainda pertença a Lucas Chumbo, que surfou uma montanha de água de 14,82 metros na mesma região, o feito de Fregonese estabelece um novo patamar para a categoria feminina, mostrando que as águas catarinenses estão entre as mais desafiadoras do mundo.
O que está por trás do swell histórico em Santa Catarina
A formação dessa onda monumental não foi por acaso. A passagem de um ciclone extratropical pela costa sul do Brasil gerou o chamado swell, uma ondulação de grande energia que atraiu surfistas de elite de diversas partes do globo. As condições na Laje da Jagua tornaram-se ideais para quem busca o limite, mas o que parece ter sido planejado foi, na verdade, uma obra do destino para Michaela.
A surfista revelou que não pretendia estar na água naquele dia. Com planos de viajar para Portugal para visitar o filho, ela viu seus planos mudarem abruptamente quando seu voo foi cancelado. "Foi coisa do destino", afirmou a atleta. O que era para ser um contratempo logístico transformou-se na oportunidade de sua vida, permitindo que ela estivesse no lugar certo na hora em que a maior série do dia despontou no horizonte.
Como o feito de Michaela impacta o futuro do surfe
A trajetória de Michaela Fregonese é um exemplo de longevidade e excelência no esporte. Aos 45 anos, a atleta natural de Curitiba não apenas compete, mas domina. Recentemente, ela foi campeã do Big Wave Challenge na Califórnia, vencendo categorias de prestígio como "Onda do Ano". Sua presença constante em pódios internacionais reforça o Brasil como uma potência global no surfe de ondas gigantes.
Mas o impacto vai além dos troféus. Ao registrar essa marca, Michaela envia uma mensagem clara para as novas gerações de mulheres que desejam entrar no esporte: o teto de vidro das ondas gigantes está sendo quebrado. A surfista acredita que sua conquista servirá de combustível para que outras competidoras busquem superar seus próprios limites, elevando o nível técnico da categoria feminina no Brasil e no mundo.
O encerramento dessa análise técnica não encerra a temporada de desafios. Com a Laje da Jagua consolidada como o palco das maiores ondas do País, a expectativa agora gira em torno dos próximos grandes swells de inverno. Para Michaela, o recorde é uma celebração de uma carreira dedicada ao mar e um lembrete de que, no surfe, a paciência e o respeito pela natureza sempre encontram sua recompensa na forma de uma onda perfeita.