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Qua, 15 de Julho
Contingenciamento

Contas públicas: governo federal anuncia novo bloqueio de gastos para 'cortar na carne'

O governo federal detalha nesta sexta-feira o novo bloqueio de recursos no Orçamento para cumprir a meta fiscal, impulsionado pela alta em gastos obrigatórios.

22 mai 2026 - 08h46 Joice Gomes   atualizado às 08h47
Contas públicas: governo federal anuncia novo bloqueio de gastos para 'cortar na carne' Ministério da Fazenda ajusta os ponteiros do Orçamento para garantir cumprimento da meta fiscal em 2024. (Imagem: gerado por IA)

A equipe econômica do governo federal sobe o tom do ajuste fiscal e deve formalizar, nesta sexta-feira, um novo bloqueio de verbas que atinge diretamente o funcionamento dos ministérios. A medida busca garantir o cumprimento das regras do novo arcabouço fiscal diante de um crescimento acelerado de gastos que o governo não consegue evitar.

O anúncio será detalhado no relatório bimestral de receitas e despesas, documento que serve como a bússola financeira do país. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, a gestão atual está disposta a "cortar na própria carne" para assegurar a credibilidade econômica, ampliando o congelamento que hoje está em R$ 1,6 bilhão.

Na prática, isso significa que diversos órgãos terão seus limites de gastos discricionários, aqueles usados para investimentos e manutenção, reduzidos para compensar o avanço das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e assistenciais. O objetivo central é evitar que o governo ultrapasse o teto permitido para o ano.

O que muda na prática com o novo bloqueio

É importante diferenciar o bloqueio do contingenciamento. Enquanto o contingenciamento ocorre quando falta arrecadação, o bloqueio atual é motivado pelo excesso de gastos em áreas onde o governo é obrigado a pagar. É aqui que está o ponto central: programas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a alimentação escolar tiveram uma procura muito acima do previsto.

Para se ter uma ideia, a projeção de gastos com o BPC subiu R$ 1,9 bilhão recentemente, enquanto o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) demandou R$ 1,4 bilhão a mais após reajustes necessários. Como essas contas precisam ser pagas, o governo é forçado a travar recursos de outras áreas para não estourar o limite total de despesas.

Mas o impacto vai além do corte imediato. O novo relatório também deve trazer uma atualização na projeção da inflação para o ano, que deve subir para a casa dos 3,7%. Embora ainda esteja dentro da margem de tolerância, esse movimento sinaliza que o custo de vida e os juros continuam sendo variáveis sensíveis para o planejamento de 2024 e 2025.

O papel estratégico do petróleo no equilíbrio fiscal

Se por um lado as despesas preocupam, por outro, o subsolo brasileiro tem oferecido um fôlego inesperado às contas públicas. A arrecadação com a exploração de petróleo e gás natural deu um salto impressionante de 264% no primeiro quadrimestre deste ano, saltando de R$ 11 bilhões para mais de R$ 40 bilhões.

Esse desempenho recorde é fruto da alta internacional no preço do barril, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Essa "receita extra" é o que tem evitado um cenário de contingenciamento mais severo, permitindo que o governo mantenha a meta de resultado primário sem precisar paralisar serviços essenciais por falta de arrecadação.

O cenário exige cautela e monitoramento constante. Embora o petróleo garanta uma folga momentânea no caixa, a sustentabilidade fiscal a longo prazo dependerá da capacidade do governo em reformar e controlar a escalada das despesas obrigatórias, garantindo que o ajuste não recaia apenas sobre os investimentos que impulsionam o crescimento do país.

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