0:00 Ouça a Rádio
Qui, 03 de Setembro
Contingenciamento

Contas públicas: governo federal anuncia novo bloqueio de gastos para 'cortar na carne'

O governo federal detalha nesta sexta-feira o novo bloqueio de recursos no Orçamento para cumprir a meta fiscal, impulsionado pela alta em gastos obrigatórios.

22 mai 2026 - 08h46 Joice Gomes   atualizado às 08h47
Contas públicas: governo federal anuncia novo bloqueio de gastos para 'cortar na carne' Ministério da Fazenda ajusta os ponteiros do Orçamento para garantir cumprimento da meta fiscal em 2024. (Imagem: gerado por IA)

A equipe econômica do governo federal sobe o tom do ajuste fiscal e deve formalizar, nesta sexta-feira, um novo bloqueio de verbas que atinge diretamente o funcionamento dos ministérios. A medida busca garantir o cumprimento das regras do novo arcabouço fiscal diante de um crescimento acelerado de gastos que o governo não consegue evitar.

O anúncio será detalhado no relatório bimestral de receitas e despesas, documento que serve como a bússola financeira do país. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, a gestão atual está disposta a "cortar na própria carne" para assegurar a credibilidade econômica, ampliando o congelamento que hoje está em R$ 1,6 bilhão.

Na prática, isso significa que diversos órgãos terão seus limites de gastos discricionários, aqueles usados para investimentos e manutenção, reduzidos para compensar o avanço das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e assistenciais. O objetivo central é evitar que o governo ultrapasse o teto permitido para o ano.

O que muda na prática com o novo bloqueio

É importante diferenciar o bloqueio do contingenciamento. Enquanto o contingenciamento ocorre quando falta arrecadação, o bloqueio atual é motivado pelo excesso de gastos em áreas onde o governo é obrigado a pagar. É aqui que está o ponto central: programas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a alimentação escolar tiveram uma procura muito acima do previsto.

Para se ter uma ideia, a projeção de gastos com o BPC subiu R$ 1,9 bilhão recentemente, enquanto o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) demandou R$ 1,4 bilhão a mais após reajustes necessários. Como essas contas precisam ser pagas, o governo é forçado a travar recursos de outras áreas para não estourar o limite total de despesas.

Mas o impacto vai além do corte imediato. O novo relatório também deve trazer uma atualização na projeção da inflação para o ano, que deve subir para a casa dos 3,7%. Embora ainda esteja dentro da margem de tolerância, esse movimento sinaliza que o custo de vida e os juros continuam sendo variáveis sensíveis para o planejamento de 2024 e 2025.

O papel estratégico do petróleo no equilíbrio fiscal

Se por um lado as despesas preocupam, por outro, o subsolo brasileiro tem oferecido um fôlego inesperado às contas públicas. A arrecadação com a exploração de petróleo e gás natural deu um salto impressionante de 264% no primeiro quadrimestre deste ano, saltando de R$ 11 bilhões para mais de R$ 40 bilhões.

Esse desempenho recorde é fruto da alta internacional no preço do barril, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Essa "receita extra" é o que tem evitado um cenário de contingenciamento mais severo, permitindo que o governo mantenha a meta de resultado primário sem precisar paralisar serviços essenciais por falta de arrecadação.

O cenário exige cautela e monitoramento constante. Embora o petróleo garanta uma folga momentânea no caixa, a sustentabilidade fiscal a longo prazo dependerá da capacidade do governo em reformar e controlar a escalada das despesas obrigatórias, garantindo que o ajuste não recaia apenas sobre os investimentos que impulsionam o crescimento do país.

Mais notícias
INSS inicia pagamentos de setembro no dia 24; veja o calendário
Aposentados INSS inicia pagamentos de setembro no dia 24; veja o calendário
Revolução das fintechs injeta R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro e força queda de juros
Economia Revolução das fintechs injeta R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro e força queda de juros
Senado aprova incentivos de R$ 5,2 bilhões para data centers no Brasil
Economia Senado aprova incentivos de R$ 5,2 bilhões para data centers no Brasil
Governo Lula estuda medida drástica contra 'bets' após rombo de R$ 62 bilhões
Economia Governo Lula estuda medida drástica contra 'bets' após rombo de R$ 62 bilhões
Ibovespa dispara e dólar cai com escalada do petróleo global
Economia Ibovespa dispara e dólar cai com escalada do petróleo global
STF valida poder do INSS para fixar teto de juros do consignado
Jurídico STF valida poder do INSS para fixar teto de juros do consignado
Adesão ao Simples Nacional para 2027 começa com nova regra tributária
Tributário Adesão ao Simples Nacional para 2027 começa com nova regra tributária
Votação da MP da taxa das blusinhas é adiada por falta de acordo
Legislativo Votação da MP da taxa das blusinhas é adiada por falta de acordo
Micro e pequenas empresas têm novo prazo para optar pelo Simples Nacional; saiba o que muda
Economia Micro e pequenas empresas têm novo prazo para optar pelo Simples Nacional; saiba o que muda
Imposto do pecado vai custar R$ 41,9 bilhões aos brasileiros em 2027; veja o que muda
Economia Imposto do pecado vai custar R$ 41,9 bilhões aos brasileiros em 2027; veja o que muda
Mais Lidas
Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
Comportamento Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Saúde OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Automóveis Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek
Série Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek