Mauro já viveu em diferentes árvores de Campo Grande e utiliza o abrigo atual principalmente para dormir
(Imagem: Reprodução: Campo Grande News)
Aos 53 anos, Mauro Dreger da Silva vive em uma estrutura improvisada entre os galhos de uma árvore em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Construído com paletes de madeira, cobertores e pedaços de tecido, o abrigo fica às margens do Córrego Segredo e serve principalmente como lugar para dormir.
A situação não é recente. Mauro vive em árvores da capital sul-mato-grossense há mais de uma década e já passou por diferentes pontos da cidade. Durante o dia, ele trabalha com a coleta de materiais recicláveis e realiza serviços temporários para garantir o próprio sustento.
Mesmo enfrentando dificuldades e estando exposto às condições climáticas, o homem afirma que prefere continuar no local onde está atualmente.
Como Mauro começou a morar em árvores?
Natural de São Paulo, Mauro se mudou para Campo Grande com os pais há aproximadamente 40 anos. Ele passou cerca de três décadas vivendo na mesma região da cidade, mas enfrentou dificuldades pessoais que contribuíram para que ficasse sem moradia.
Uma reportagem publicada pelo Campo Grande News em 2015 já mostrava a situação. Na época, Mauro contou que vivia havia três anos em uma árvore na região central da capital, indicando que a experiência começou por volta de 2012.
Antes disso, ele havia morado em uma pequena casa de madeira. O imóvel, segundo relatou na ocasião, foi demolido depois que o terreno foi desapropriado pela prefeitura.
Ao longo dos anos, Mauro ocupou outros pontos da cidade. Um deles ficava nas proximidades da Orla Morena, região de onde saiu alguns anos antes de encontrar o abrigo atual, próximo ao Córrego Segredo.
Após a morte dos pais, ele ficou sem familiares em Campo Grande. Os outros parentes vivem em São Paulo, segundo as informações divulgadas sobre sua trajetória.
Abrigo é feito com paletes, cobertores e tecidos
A estrutura utilizada por Mauro foi montada entre os troncos e galhos de uma árvore, com materiais reaproveitados. Paletes de madeira ajudam a formar a base do abrigo, enquanto cobertores e pedaços de tecido são utilizados para compor o espaço.
O local fica na Avenida Presidente Ernesto Geisel, próximo à Avenida Mascarenhas de Moraes. A estrutura é usada principalmente durante a noite, enquanto o restante do dia é dedicado ao trabalho e à busca por materiais recicláveis.
A moradia improvisada oferece proteção limitada contra chuva, vento e outras mudanças no tempo. Por isso, em períodos de tempestade, Mauro costuma procurar abrigo na casa de um amigo que mora nas proximidades. Ele permanece lá até que as condições melhorem.
Apesar das dificuldades, o homem afirma estar acostumado à rotina e mantém contato com moradores da região.
Trabalho com recicláveis garante o sustento
A coleta de materiais recicláveis é uma das principais atividades realizadas por Mauro para conseguir dinheiro. Ele também aceita serviços temporários, conforme as oportunidades que aparecem.
A rotina exige que ele passe boa parte do dia fora do abrigo, percorrendo a cidade em busca de materiais que possam ser recolhidos. À noite, retorna à árvore, que funciona como seu espaço de descanso.
A história de Mauro chama a atenção pela duração dessa condição e pela maneira como ele adaptou materiais reaproveitados para construir um lugar onde pudesse dormir. Ao longo dos anos, ele mudou de endereço dentro de Campo Grande, mas continuou utilizando árvores como moradia.
Mauro pretende deixar a árvore?
Segundo os relatos divulgados, Mauro mantém uma relação cordial com moradores da vizinhança e diz preferir permanecer no abrigo atual. Até o momento retratado pelas reportagens, ele não demonstrava intenção de se mudar.
A trajetória também evidencia as dificuldades enfrentadas por quem vive sem uma residência convencional, especialmente diante da necessidade de encontrar proteção contra as condições climáticas e garantir o sustento diário.
Embora a estrutura improvisada represente uma alternativa encontrada por Mauro para passar as noites, o abrigo não oferece as mesmas condições de proteção e conforto de uma casa. Em dias de tempestade, a necessidade de recorrer à residência de um amigo mostra como a exposição ao tempo continua sendo um desafio da rotina.
Pollyana Barros Leite integra a equipe de jornalismo, atuando na área de edição de notícias. É formada em Direito e Biologia e possui experiência em produção e edição de conteúdo jornalístico, com ênfase em programas gov...
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