Indígenas participam de marcha na Esplanada durante mobilização em Brasília
(Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil)
Milhares de indígenas de diferentes regiões do país participaram, nesta terça feira, de uma marcha pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A mobilização faz parte da programação da 22ª edição do Acampamento Terra Livre, considerado um dos principais encontros do movimento indígena no Brasil.
O evento teve início no domingo e reúne representantes de diversas etnias para debater pautas relacionadas aos direitos dos povos originários. A marcha partiu do Eixo Cultural Ibero Americano, onde está instalado o acampamento, e seguiu em direção ao Congresso Nacional.
Participam da mobilização integrantes de povos como tikuna, kokama, makuxí, tupinambá, pataxó, krahô, apinajé, guajajara, krikati e gavião, além de representantes de diversos outros povos indígenas existentes no país.
Manifestação percorreu o Eixo Monumental
A caminhada começou por volta das 9h30 e percorreu aproximadamente seis quilômetros até a região do Congresso Nacional. O grupo avançou pelo Eixo Monumental, uma das principais avenidas da capital federal.
Durante o percurso, os participantes carregaram faixas com mensagens relacionadas à defesa dos territórios indígenas e críticas a propostas legislativas consideradas prejudiciais aos direitos dessas comunidades.
Para cumprir um acordo firmado com os órgãos de segurança do Distrito Federal, os manifestantes deixaram no acampamento objetos tradicionais como arcos, flechas, lanças e bordunas.
Vestidos com pinturas corporais e adereços tradicionais de suas etnias, os indígenas ocuparam parte da avenida e do gramado central da Esplanada.
Segundo organizadores, o objetivo da mobilização é chamar atenção para demandas relacionadas à proteção territorial, políticas públicas e direitos constitucionais dos povos indígenas.
Debate sobre marco temporal é um dos temas centrais
Entre os temas debatidos durante o Acampamento Terra Livre está o chamado marco temporal, tese jurídica relacionada às regras para demarcação de terras indígenas.
De acordo com essa interpretação, povos indígenas teriam direito às terras que estivessem ocupando em outubro de 1988, ano da promulgação da Constituição Federal.
Em 2023, o Supremo Tribunal Federal considerou a tese inconstitucional. Posteriormente, em 2025, o Senado aprovou uma proposta de emenda à Constituição que trata do tema. Como houve alterações no texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, a proposta voltou para nova análise dos deputados federais.
O assunto segue em debate no Congresso e é um dos principais pontos de mobilização do movimento indígena.
Movimento também cobra avanço nas demarcações
Outra reivindicação apresentada durante o evento envolve a ampliação do reconhecimento de terras indígenas no país.
Segundo dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, entre janeiro de 2023 e novembro de 2025 foram homologados 20 territórios indígenas, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares distribuídos em 11 unidades federativas.
Lideranças indígenas afirmam que ainda existe um número elevado de áreas aguardando reconhecimento. De acordo com representantes do movimento, cerca de 110 territórios estão em diferentes etapas de análise para possível demarcação.
O Acampamento Terra Livre reúne lideranças, organizações e representantes de diversos povos indígenas e tem como objetivo promover debates, apresentar propostas e dialogar com autoridades públicas sobre políticas voltadas às comunidades indígenas.