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Denunciados

Sargentos da PM do Rio são denunciados por desviar armas para milícias

Três sargentos da PM fluminense são denunciados por desviar armas de operações e negociar drogas e cargas roubadas, expondo falhas graves na segurança.

08 abr 2026 - 10h26 Joice Gomes   atualizado às 10h30
Sargentos da PM do Rio são denunciados por desviar armas para milícias Operação conjunta do MPRJ e Corregedoria mirou policiais envolvidos com milícias na Baixada Fluminense. (Imagem: gerado por IA)

A linha que separa o policiamento do crime organizado voltou a se romper de forma alarmante no Rio de Janeiro. Três sargentos da Polícia Militar foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por operarem um esquema que transformava armas apreendidas em mercadoria para milícias e negociava desde drogas até cargas roubadas.

Os sargentos Ricardo da Silva Ferreira, Raphael Nascimento Ribeiro e Thiago Corrêa da Costa agora respondem formalmente perante a Justiça Militar por associação criminosa e peculato. O impacto dessa denúncia vai além da punição individual: ela expõe como a estrutura do Estado foi infiltrada para alimentar o poderio bélico de grupos criminosos na Zona Norte e na Baixada Fluminense.

Na prática, o desvio de armamento que deveria ser retirado das ruas acaba realimentando o ciclo de violência que as próprias forças de segurança tentam combater. E é aqui que está o ponto central de uma investigação que revela detalhes sórdidos sobre a conduta de quem jurou proteger a sociedade.

O que está por trás do esquema de desvios

As investigações conduzidas pelo MPRJ, com apoio da Corregedoria da PM, revelaram um balcão de negócios operado principalmente pelo sargento Ricardo Ferreira. Ele atuaria como o elo entre os militares e uma milícia no bairro de Anchieta. Segundo os promotores, o militar funcionava como um revendedor de armas para a organização criminosa, garantindo o fluxo de armamento ilegal.

O esquema contava com a participação direta de Thiago Costa, que aproveitava as incursões policiais para subtrair armas de fogo. Em vez de apresentar o material à autoridade policial, o procedimento padrão e obrigatório, ele entregava o armamento habitualmente a Ricardo, que se encarregava de encontrar compradores no mercado paralelo.

Mas o envolvimento dos militares não parava nas armas. Interceptações autorizadas pela Justiça revelaram que Raphael e Ricardo planejavam a comercialização de 140 quilos de maconha. Além do tráfico, os diálogos expuseram o planejamento para lucrar com a receptação de uma carga de refrigerantes roubada, demonstrando que qualquer oportunidade de lucro ilícito era aproveitada pelo grupo.

O que muda na prática com a investigação

A operação deflagrada nesta terça-feira (7) para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão representa uma tentativa de estancar uma ferida aberta na corporação. O desvio de conduta identificado na Auditoria da Justiça Militar reforça a urgência de fiscalizações mais rigorosas sobre o material apreendido em operações diárias.

A denúncia mostra que a corrupção institucionalizada prejudica diretamente a eficácia do policiamento preventivo. Quando um policial deixa de registrar uma arma apreendida para vendê-la, ele não apenas comete um crime, mas garante que a criminalidade local permaneça armada e perigosa para a população e para os seus próprios colegas de farda.

Este caso agora segue sob o rigor da Justiça Militar, mas o impacto futuro depende de como a Polícia Militar do Rio de Janeiro irá reformular seus protocolos de controle de evidências. A transparência no uso de câmeras corporais e o rastreamento rigoroso de apreensões são vistos como passos fundamentais para evitar que sargentos e outros oficiais utilizem a farda como escudo para atividades de milícia.

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