Saneamento em Pernambuco
(Imagem: Foto: Compesa)
Pernambuco enfrenta desafios importantes para ampliar o acesso ao saneamento básico. Um levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) aponta que apenas 29,4% da população pernambucana tem acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. O índice está abaixo da média nacional, de 62,3%, e evidencia a necessidade de avanços na infraestrutura sanitária dos municípios.
O estudo também identificou limitações no abastecimento de água tratada. Segundo os dados analisados pelo órgão de controle, 71,6% dos pernambucanos contam com esse serviço, enquanto a média brasileira é de 84,1%.
O diagnóstico considera informações do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), publicadas em dezembro de 2025. Com base nesses indicadores, Pernambuco ocupa a 21ª posição entre as unidades da Federação no atendimento dos serviços avaliados.
Perdas de água ultrapassam a média nacional
Além da baixa cobertura de esgotamento sanitário, o desperdício de água durante a distribuição aparece como outro problema relevante no estado. De acordo com o levantamento do TCE-PE, 43,4% da água tratada em Pernambuco não chega aos consumidores.
O percentual supera a média nacional, de 39,53%, e também é maior que os 41,8% registrados no levantamento anterior, realizado em 2025.
Na prática, isso significa que, a cada mil litros de água distribuídos, aproximadamente 434 litros se perdem antes de chegar às torneiras. Entre as possíveis causas estão vazamentos em tubulações antigas, rachaduras em reservatórios, problemas de pressão na rede, ligações clandestinas, furtos e falhas ou fraudes na medição dos hidrômetros.
As perdas representam um desafio para a eficiência dos sistemas de abastecimento, pois parte da água tratada não chega ao destino final. A redução desses índices depende de medidas para melhorar a infraestrutura, identificar vazamentos e aperfeiçoar o controle das redes de distribuição.
Municípios apresentam diferenças na cobertura
O levantamento do Tribunal de Contas também aponta diferenças significativas entre os municípios pernambucanos em relação ao acesso aos serviços de saneamento. O diagnóstico contempla os 184 municípios do estado e o Distrito Estadual de Fernando de Noronha.
No indicador de perdas de água, Salgadinho aparece com o maior percentual, de 86,1%. Na sequência estão Água Preta, com 81,9%; Camaragibe, com 71,9%; João Alfredo, com 68,1%; e Cabo de Santo Agostinho, com 66,7%.
Os números demonstram que o desperdício varia consideravelmente entre as localidades avaliadas. Para os municípios com índices elevados, o diagnóstico pode servir de referência para identificar problemas nos sistemas de abastecimento e orientar ações de fiscalização e melhoria da infraestrutura.
O material divulgado pelo TCE-PE também apresenta dados sobre os municípios com os maiores e menores índices de cobertura dos serviços. A comparação permite observar as diferenças no atendimento à população e acompanhar os desafios específicos de cada localidade.
Marco Legal do Saneamento prevê metas até 2033
O acompanhamento realizado pelo TCE-PE integra as ações de fiscalização da cobertura e da qualidade dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Pernambuco.
O trabalho considera as metas previstas no Novo Marco Legal do Saneamento, estabelecido pela Lei Federal nº 14.026/2020. A legislação prevê a universalização do acesso à água potável para 99% da população e a coleta e o tratamento de esgoto para 90% dos brasileiros até 31 de dezembro de 2033.
Desde 2020, o tribunal realiza levantamentos para verificar a situação do saneamento nos municípios pernambucanos e em Fernando de Noronha. A fiscalização inclui a análise dos indicadores de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, além do acompanhamento da elaboração e da implantação dos Planos Municipais de Saneamento.
As informações são obtidas junto aos gestores públicos e nas bases de dados do SINISA. A iniciativa busca acompanhar a evolução dos serviços e verificar o cumprimento dos compromissos assumidos para ampliar o atendimento à população.
Segundo Alfredo Montezuma, gerente de Estudos e Suporte à Fiscalização do TCE-PE, o tribunal continuará monitorando a situação e cobrando dos gestores o cumprimento dos prazos de universalização. O órgão também pretende manter a população informada sobre os mecanismos de fiscalização e a execução dos serviços.
Com menos de um terço da população atendida por coleta e tratamento de esgoto, Pernambuco tem um caminho significativo a percorrer para alcançar as metas estabelecidas para 2033. Os indicadores apresentados pelo TCE-PE reforçam a importância do planejamento, dos investimentos e do acompanhamento permanente das políticas públicas de saneamento básico.
Jornalista formado pela UNIFG. Experiência de 4 anos em redação política. Atuou como redator em duas eleições. Criou e apresentou o programa “Fala Político”, onde entrevistou diversos políticos da Região Metropolitana do...
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