PEC da Segurança Pública
(Imagem: Foto: Agência Brasil)
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública avançou mais uma etapa no Senado Federal nesta quarta-feira (14). A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) concluiu a votação da matéria, que agora pode ser analisada pelo plenário da Casa.
Mas o que muda na prática? A proposta busca reorganizar a atuação das forças de segurança no Brasil, ampliar a cooperação entre União, estados e municípios e estabelecer regras mais rigorosas para o enfrentamento de facções criminosas e milícias.
O texto, identificado como PEC 18/2025, é de autoria do Poder Executivo e já foi aprovado pela Câmara dos Deputados. Se passar pelo Senado sem alterações, poderá seguir para promulgação. Caso os senadores modifiquem a proposta, será necessário avaliar os próximos passos da tramitação.
O que é a PEC da Segurança Pública?
PEC é a sigla para Proposta de Emenda à Constituição. Esse tipo de iniciativa busca modificar trechos da Constituição Federal e precisa cumprir um procedimento específico de aprovação no Congresso Nacional.
No caso da PEC da Segurança Pública, o objetivo é estabelecer novas bases constitucionais para a atuação dos órgãos responsáveis pela prevenção e repressão ao crime, além de mudanças relacionadas ao sistema penitenciário e ao financiamento das políticas de segurança.
A proposta pretende ampliar a integração entre as instituições, evitando que União, estados e municípios atuem de maneira isolada diante de problemas que ultrapassam fronteiras estaduais, como o crime organizado.
A PEC já foi aprovada? O que falta?
A conclusão da votação na CCJ não significa que a proposta já esteja em vigor.
O texto ainda precisa ser analisado pelo plenário do Senado. Segundo o presidente da comissão, senador Otto Alencar (PSD-BA), há articulação para que a votação aconteça antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Se o Senado aprovar o texto exatamente como veio da Câmara, a proposta poderá ser promulgada. Se houver alterações, a tramitação deverá considerar a análise da versão modificada.
Portanto, até a conclusão dessas etapas, as mudanças previstas não devem ser tratadas como regras já implementadas.
O que muda no combate às facções e milícias?
Um dos principais pontos da PEC é o endurecimento das medidas aplicáveis a integrantes que ocupam posições de comando em facções criminosas e milícias.
A proposta prevê punições mais rigorosas e regimes de prisão mais restritos para essas lideranças, incluindo a possibilidade de cumprimento de pena em unidades de segurança máxima e limitações à progressão de regime, conforme as regras que vierem a ser aprovadas.
O texto também prevê medidas patrimoniais contra recursos provenientes de atividades criminosas, responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas e proteção a denunciantes e familiares.
Na prática, a intenção é dificultar a manutenção do poder econômico e operacional das organizações criminosas. A aplicação de cada medida, porém, dependerá da redação definitiva e das normas legais pertinentes.
Como ficará a atuação das polícias?
A proposta busca fortalecer a cooperação entre as forças de segurança e ampliar a articulação entre os órgãos federais, estaduais e municipais.
Entre as medidas previstas estão a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil.
Essas polícias municipais, conforme o texto apresentado, poderão realizar policiamento ostensivo e comunitário nas cidades em que forem instituídas, sob controle externo do Ministério Público.
Isso não significa que todas as prefeituras serão obrigadas a criar uma nova polícia. A possibilidade prevista na proposta deverá observar as condições e os limites estabelecidos no texto definitivo e na legislação aplicável.
O que é o Sistema Único de Segurança Pública?
O Susp é o sistema que organiza a cooperação entre instituições de segurança pública. A PEC pretende dar previsão constitucional mais explícita a essa integração, estabelecendo que a prevenção, a investigação, a persecução penal e a execução das penas sejam articuladas entre os diferentes órgãos.
A ideia é facilitar o compartilhamento de informações e a coordenação de ações contra crimes que envolvem diferentes cidades e estados.
A proposta também prevê a atuação conjunta dos entes federativos na legislação relacionada à segurança pública, às polícias, às guardas municipais e ao sistema socioeducativo.
De onde virá o dinheiro para financiar as mudanças?
Outro eixo da PEC trata do financiamento da segurança pública e do sistema penitenciário.
O texto prevê alterações nas regras de destinação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), incluindo repasses para estados e municípios, além de regras específicas para despesas relacionadas ao sistema penitenciário federal.
A proposta também estabelece a destinação de 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado aos recursos do pré-sal, para os fundos da área de segurança.
O objetivo é dar maior previsibilidade aos recursos destinados a políticas de prevenção, estrutura policial e execução penal. O impacto efetivo dependerá das regras finais e da forma como os repasses forem implementados.
Lula poderá criar um Ministério da Segurança Pública?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC. A possibilidade foi mencionada por Otto Alencar ao comentar as articulações para a votação no plenário.
Entretanto, a aprovação da proposta não deve ser confundida automaticamente com a criação do ministério. A instalação de uma nova estrutura ministerial depende das medidas administrativas e legais necessárias.
O que o leitor precisa saber agora?
A PEC da Segurança Pública ainda está em tramitação. A conclusão da votação na CCJ representa um avanço, mas o plenário do Senado precisa analisar a proposta antes de uma eventual promulgação.
Se aprovada, a matéria poderá modificar regras sobre integração das forças policiais, combate às facções, atuação municipal e financiamento do setor. Até lá, os efeitos concretos dependerão da conclusão do processo legislativo e da regulamentação das medidas que exigirem normas complementares.
Estudante iniciante de Jornalismo com graduando em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), possui mais de 15 anos de experiência na área comercial. Tem interesse em análise de dados, apuração de informa...
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