Hotel no Litoral do Nordeste
(Imagem: Foto: Divulgação)
A possível redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 colocam o setor de turismo diante de um desafio: ampliar o período de descanso dos trabalhadores sem comprometer o funcionamento de hotéis, resorts, restaurantes e parques. As atividades dependem de equipes disponíveis durante fins de semana, feriados e períodos de maior movimento, o que exige planejamento para reorganizar os turnos.
A preocupação foi manifestada pela Associação Brasileira de Resorts (Resorts Brasil), pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) e pelo Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat). As entidades se posicionaram após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo Senado Federal, em 14 de outubro, conforme o material divulgado.
Entre os principais pontos levantados estão a dificuldade de contratar e manter profissionais, a possibilidade de aumento dos custos operacionais e a necessidade de adaptar as escalas sem prejudicar o atendimento. As organizações também defendem diálogo com o setor, medidas compensatórias e alternativas que considerem as particularidades de cada atividade.
Hotelaria e alimentação estão entre as atividades mais expostas
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), referentes a dezembro de 2025 e analisados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, mostram que 52% dos vínculos formais no segmento de alojamento estavam organizados na escala 6x1. Na alimentação, a proporção era de 47,1%.
Os números indicam que uma parcela expressiva dos trabalhadores desses segmentos pode ser afetada por mudanças na jornada. Hotéis precisam manter serviços em funcionamento diariamente, enquanto restaurantes e parques costumam registrar maior demanda em determinados horários, fins de semana e feriados.
A adaptação, porém, não deve ocorrer da mesma forma em todas as empresas. A estrutura de cada empreendimento, o número de funcionários disponíveis e a distribuição dos horários de maior movimento influenciam as alternativas para reorganizar as equipes.
Caso a disponibilidade de mão de obra não acompanhe a necessidade de cobertura dos turnos, os estabelecimentos poderão enfrentar pressão sobre os custos e a capacidade de atendimento.
Redução da jornada também pode trazer benefícios
Apesar das preocupações empresariais, o debate não se limita ao possível aumento das despesas. A redução da jornada também pode trazer benefícios relacionados à saúde ocupacional, à permanência dos profissionais nas empresas e à diminuição das faltas.
Em análise publicada em 15 de outubro pela Folha de S.Paulo, Bruno Imaizumi apontou que jornadas menores podem contribuir para reduzir afastamentos por problemas de saúde e a rotatividade de funcionários.
Esses fatores têm relevância para o turismo, segmento em que a experiência dos profissionais e a qualidade do atendimento influenciam a operação. A substituição frequente de trabalhadores pode gerar gastos com contratação e treinamento, além de exigir tempo para que os novos funcionários se adaptem às rotinas.
Os possíveis ganhos, contudo, não são automáticos. Os resultados dependerão da organização das equipes, da produtividade, da disponibilidade de profissionais e das características de cada negócio.
Trabalhadores e empresas defendem pontos diferentes
A redução da jornada tem como objetivo ampliar o descanso semanal e limitar o tempo de trabalho, preservando a remuneração, conforme a proposta descrita no material de origem.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) comemorou a aprovação no Senado em manifestação divulgada pela Agência Brasil em 15 de outubro. Para os defensores da mudança, a ampliação do descanso pode favorecer a saúde, a convivência familiar e a qualidade de vida dos trabalhadores.
As entidades empresariais do turismo, por sua vez, defendem que a implementação considere as necessidades operacionais de cada segmento. Entre as propostas apresentadas estão a desoneração da folha de pagamento, medidas de compensação e a negociação coletiva.
O desafio é conciliar a ampliação do descanso com a manutenção dos serviços. A necessidade de funcionamento contínuo dos empreendimentos exige planejamento, mas também torna importante discutir formas de organizar o trabalho sem comprometer as condições dos profissionais.
Turismo reúne milhões de empregos formais
Segundo o Ministério do Turismo, com base em dados da Rais e do Ministério do Trabalho e Emprego citados no material original, as atividades características do turismo registraram aproximadamente 2,39 milhões de vínculos formais em 2025, um crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior.
O volume de empregos ajuda a dimensionar a importância econômica da discussão. Alterações na jornada podem repercutir tanto na organização das empresas quanto na rotina de milhões de trabalhadores ligados à cadeia turística.
A transição exigirá avaliação dos custos, reorganização das escalas e diálogo entre empregadores e trabalhadores. Para o setor, a capacidade de adaptar processos e melhorar a produtividade será importante para enfrentar as mudanças sem comprometer a qualidade dos serviços.
Da redacao do Portal mais com informacoes do site Paraiba Busness
Jornalista formado pela UNIFG. Experiência de 4 anos em redação política. Atuou como redator em duas eleições. Criou e apresentou o programa “Fala Político”, onde entrevistou diversos políticos da Região Metropolitana do...
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