café especial produzido em Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais
(Imagem: Foto: Divulgação)
Um café especial produzido em Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais, alcançou o equivalente a R$ 134,6 mil por saca de 60 quilos em um leilão internacional realizado nesta sexta-feira (16), em Tóquio, no Japão. O resultado estabeleceu um recorde para cafés brasileiros nos leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE), organização internacional reconhecida por promover cafés especiais de alta qualidade.
O lote pertence à Fazenda Santuário Sul, administrada pelo produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho. O café é da variedade geisha, conhecida pelo perfil aromático complexo e pelas características sensoriais que podem alcançar notas florais e frutadas, dependendo das condições de cultivo e processamento.
A negociação ocorreu durante a SCAJ 2026, feira dedicada ao mercado de cafés especiais que reúne produtores, compradores, especialistas e empresas de diferentes países.
Café brasileiro foi arrematado por empresa japonesa
A compradora do lote foi a Snow Beans Coffee, empresa japonesa que ofereceu US$ 200 por libra-peso. O valor corresponde a aproximadamente US$ 26,4 mil por saca de 60 quilos, ou cerca de R$ 134,6 mil, conforme a conversão informada para a negociação.
O leilão reuniu participantes presenciais e compradores pela internet, ampliando o alcance internacional dos cafés selecionados. A disputa por lotes raros e com atributos sensoriais diferenciados pode elevar os preços muito acima daqueles praticados no mercado convencional.
Para o produtor, o resultado representa o reconhecimento da qualidade alcançada pela cafeicultura brasileira e evidencia a capacidade do país de competir no segmento de cafés especiais de alto valor agregado.
Variedade geisha e processamento natural ajudam a diferenciar o lote
Um dos fatores que chamam a atenção no café premiado é a variedade geisha, cultivada em diferentes regiões produtoras do mundo e valorizada em concursos e leilões especializados.
O lote da Fazenda Santuário Sul foi processado pelo método natural, técnica na qual os grãos são secos com o fruto, antes da retirada das camadas externas. Esse processo pode contribuir para características como doçura e intensidade frutada, embora o resultado final também dependa da variedade, do ambiente de cultivo e do manejo pós-colheita.
A combinação entre seleção dos grãos, produção limitada e avaliação sensorial pode tornar determinados lotes especialmente disputados por torrefadores e compradores internacionais.
Preço recorde não representa a cotação habitual do café
Apesar do valor expressivo, a negociação não deve ser interpretada como referência para o preço normalmente recebido pelos cafeicultores brasileiros. O montante corresponde a um lote específico, comercializado em um leilão voltado a cafés especiais e sujeito à disputa entre compradores.
No mercado convencional, os preços dependem de fatores como oferta e demanda, qualidade, variedade, condições climáticas, custos de produção e cotações internacionais.
O resultado alcançado em Tóquio, portanto, destaca uma oportunidade para produtores que investem em qualidade, rastreabilidade e diferenciação. Ao conquistar compradores dispostos a pagar valores elevados por lotes exclusivos, a cafeicultura brasileira reforça sua presença no mercado global de cafés especiais.
Jornalista e redatora, com experiência em produção de conteúdo, cobertura esportiva e comunicação institucional. Atua na apuração e redação de conteúdos jornalísticos, com destaque para a cobertura do futebol e política...
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