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Ministério da Saúde

Canetas emagrecedoras no SUS podem ter redução de até 90% no preço

Canetas emagrecedoras podem chegar ao SUS com redução de até 90% no preço. Ministério da Saúde solicita avaliação para incorporar os medicamentos.

12 out 2026 - 11h24 Pollyana Leite   atualizado às 11h31
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Canetas emagrecedoras no SUS podem ter redução de até 90% no preço Ministério da Saúde avalia a incorporação de canetas emagrecedoras ao SUS. (Imagem: Divulgação/Ministério da saúde)

As canetas emagrecedoras podem ganhar espaço no Sistema Único de Saúde (SUS), com a possibilidade de reduzir os custos do tratamento da obesidade para a população. O Ministério da Saúde projeta uma redução de 80% a 90% no preço desses medicamentos em compras públicas e estima um investimento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano para viabilizar a iniciativa.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde em setembro de 2026, os preços desses medicamentos já caíram cerca de 70% nas farmácias em menos de um ano. A ampliação da concorrência, a entrada de novos produtos no mercado e o avanço da produção nacional contribuíram para esse cenário.

A proposta, no entanto, ainda depende de avaliação. O Ministério da Saúde apresentou um pedido para que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analise a possibilidade de incluir esses medicamentos na rede pública.

Caso a incorporação avance, o governo poderá ampliar o acesso ao tratamento da obesidade, uma condição que exige acompanhamento de saúde e cuidados contínuos.

Concorrência contribui para a queda dos preços

O Ministério da Saúde atribui parte da redução dos preços às medidas adotadas desde 2025 para ampliar a oferta de medicamentos contra a obesidade no Brasil.

Uma dessas iniciativas envolveu um chamamento realizado em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A ação buscou estimular fabricantes a registrar novos produtos no país e ampliar a concorrência no setor.

De acordo com os dados apresentados pelo governo, 16 novos produtos receberam registro em 2026, incluindo medicamentos genéricos e similares. Pelo menos quatro desses produtos têm fabricação nacional.

O aumento da oferta também acompanhou o crescimento do número de usuários. Dados do mercado citados pelo Ministério da Saúde apontam que o total de pessoas que utilizam canetas emagrecedoras passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil por mês.

A combinação entre novos fabricantes, maior variedade de produtos e possibilidade de produção brasileira criou condições para negociar preços menores em compras de grande escala.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo trabalha com a perspectiva de ampliar o acesso aos medicamentos por meio do SUS. Segundo ele, a escala de aquisição da rede pública e a produção local podem favorecer uma redução ainda maior dos custos.

Governo estima gasto anual de R$ 1,5 bilhão

O Ministério da Saúde calcula que precisaria de cerca de R$ 1,5 bilhão por ano para viabilizar a incorporação dos medicamentos contra a obesidade ao SUS, considerando a redução de preços projetada pelo governo.

A estimativa considera a possibilidade de adquirir os produtos com valores entre 80% e 90% menores, em comparação com os preços de referência mencionados pelo ministro.

A proposta ainda precisa passar pela análise da Conitec, comissão responsável por avaliar a incorporação de medicamentos, equipamentos e outras tecnologias ao sistema público de saúde. Essa avaliação considera aspectos como benefícios para os pacientes, resultados clínicos e custos para o sistema.

Por isso, a perspectiva de oferta gratuita não significa que as canetas já estejam disponíveis no SUS. A eventual distribuição dependerá das etapas necessárias para aprovar a incorporação e definir as condições de acesso.

Tratamento da obesidade exige cuidados além da medicação

O Ministério da Saúde destaca que os medicamentos não devem representar uma solução isolada para a obesidade. A proposta prevê o uso das terapias em conjunto com outras medidas de cuidado, como alimentação saudável, atividade física e acompanhamento profissional.

As recomendações acompanham a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre as terapias baseadas em GLP-1 para o tratamento da obesidade. A entidade defende uma abordagem ampla, que combine medicamentos com ações de saúde pública e acompanhamento adequado.

Segundo Alexandre Padilha, a ampliação do tratamento também pode contribuir para reduzir complicações relacionadas à obesidade e, potencialmente, diminuir despesas futuras do sistema de saúde. Entre os impactos citados pelo ministro estão possíveis reduções nas cirurgias bariátricas e nas internações por doenças cardiovasculares.

Os resultados, porém, dependem das condições de utilização dos medicamentos, do acompanhamento dos pacientes e da efetiva incorporação dessas terapias à rede pública.

Academia da Saúde amplia ações de prevenção

Além da proposta envolvendo os medicamentos, o Ministério da Saúde também destaca investimentos em iniciativas de prevenção e promoção da saúde.

O programa Academia da Saúde integra a Atenção Primária e oferece atividades físicas e outras ações voltadas à prevenção de doenças e à melhoria da qualidade de vida nos municípios.

Segundo os números divulgados pelo governo, as atividades do programa passaram de 331,6 mil, em 2022, para 492,1 mil, em 2025, o que representa um crescimento de 48,5%.

A política também prevê 582 novos estabelecimentos credenciados em 448 municípios de diferentes regiões do Brasil, com investimento de R$ 80,7 milhões.

O planejamento inclui recursos para equipamentos e contratação de profissionais, como nutricionistas, educadores físicos e fisioterapeutas. Essas ações podem complementar o cuidado de pessoas que precisam controlar o peso e melhorar a saúde.

A proposta de ampliar o acesso às canetas emagrecedoras segue, portanto, em uma etapa de avaliação, enquanto o governo busca combinar tratamentos medicamentosos com medidas de prevenção e acompanhamento na rede pública.

Pollyana Leite
Autoria Pollyana Leite

Pollyana Barros Leite integra a equipe de jornalismo, atuando na área de edição de notícias. É formada em Direito e Biologia e possui experiência em produção e edição de conteúdo jornalístico, com ênfase em programas gov...

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