Representação editorial dos riscos de dependência e perda de controle associados às apostas online entre jovens.
(Imagem: gerado por IA)
O crescimento das apostas online entre adolescentes e jovens acende um alerta de saúde pública. Relatos de grupos de apoio mostram procura por ajuda já na adolescência, enquanto estudos recentes indicam forte exposição a bets e sinais de prejuízo financeiro e emocional.
O Apostômetro FECAP 2026, realizado com 1.200 jovens no estado de São Paulo, mostrou que 46,3% fizeram apostas no primeiro trimestre do ano e 8,9% contraíram dívidas relacionadas às apostas esportivas digitais.
Especialistas destacam que o risco é maior entre pessoas mais novas porque o cérebro ainda está em desenvolvimento, especialmente em áreas ligadas ao controle de impulsos, avaliação de risco e tomada de decisão.
Grupos de apoio já recebem adolescentes
Integrantes da irmandade Jogadores Anônimos relatam que adolescentes de 14, 15 e 16 anos já chegam acompanhados por familiares ou profissionais de saúde em busca de ajuda.
A facilidade de acesso pelo celular e a presença constante de publicidade reduzem a percepção de risco. Em poucos minutos, um jovem pode criar conta, depositar dinheiro e repetir apostas sucessivas.
Ganho inicial pode reforçar comportamento de risco
Um dos mecanismos mais perigosos é a combinação entre recompensa rápida e sensação de controle. Vitórias iniciais podem criar a impressão de que o jogador encontrou uma estratégia vencedora, mesmo quando os resultados dependem de probabilidade e variância.
Com o tempo, algumas pessoas passam a aumentar valores, perseguir perdas e tentar recuperar dinheiro já perdido, comportamento associado ao desenvolvimento de transtorno do jogo.
Dependência não é apenas um problema financeiro
O transtorno do jogo é reconhecido internacionalmente como condição de saúde mental. Ele pode envolver perda de controle, necessidade de apostar valores cada vez maiores, irritação ao tentar parar e continuidade do comportamento mesmo diante de consequências negativas.
Entre jovens, o impacto pode aparecer em diferentes áreas: queda no rendimento escolar ou profissional, conflitos familiares, isolamento, ansiedade, depressão e endividamento precoce.
Mais de um quarto de estudantes do ensino médio já apostou
Outro levantamento, realizado pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info, ouviu 1.912 estudantes em 191 escolas do país e apontou que mais de um quarto dos alunos do ensino médio já havia feito apostas em bets.
A pesquisa também mostrou que o contato com esse tipo de jogo pode começar antes dos 18 anos, apesar da proibição legal de apostas por menores.
Como identificar sinais de alerta
Entre os sinais que merecem atenção estão esconder gastos, pedir dinheiro emprestado para apostar, vender bens, faltar a compromissos, perder horas acompanhando jogos ou plataformas e sentir necessidade urgente de recuperar prejuízos.
Quando há perda de controle, a recomendação é interromper o acesso às plataformas, pedir ajuda à família e procurar atendimento especializado. Serviços de saúde mental, grupos de apoio e acompanhamento psicológico podem fazer parte do tratamento.
Prevenção exige educação e fiscalização
Especialistas defendem mais educação financeira e digital, maior fiscalização da publicidade voltada a jovens e mecanismos eficazes para impedir participação de menores.
Também é importante que famílias conversem sobre apostas sem normalizar o comportamento como uma forma de investimento ou renda. O ponto central é mostrar que bets envolvem risco de perda e que dependência pode se instalar de forma rápida, principalmente entre os mais jovens.