Lula e Flávio Bolsonaro
(Imagem: Foto; Arte/ PortalMais360)
O combate ao crime organizado, a violência urbana e a segurança das mulheres estão entre os principais temas dos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Apesar de apresentarem objetivos semelhantes em algumas áreas, os dois defendem estratégias diferentes para enfrentar a criminalidade.
Enquanto Lula prioriza a integração entre as forças de segurança, o uso de inteligência, o combate ao financiamento das organizações criminosas e investimentos em prevenção, Flávio propõe ampliar o monitoramento por câmeras, endurecer punições, aumentar o número de vagas em presídios e reforçar a atuação nas fronteiras.
As propostas constam dos documentos apresentados pelas campanhas à Justiça Eleitoral e foram reunidas em levantamento publicado pela Agência Brasil, em 9 de outubro de 2026.
Mas o que cada candidato pretende fazer na prática? Veja os principais pontos e entenda as diferenças.
Como Lula e Flávio pretendem combater as facções criminosas?
O enfrentamento de organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) aparece nos dois programas eleitorais, mas com abordagens distintas.
Lula defende atingir o dinheiro do crime organizado. A proposta prevê intensificar o combate à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas e munições e às redes financeiras que sustentam as organizações criminosas. O candidato também propõe recuperar territórios controlados por grupos armados, com investimentos em urbanização, serviços públicos e oportunidades econômicas em favelas e periferias.
O plano prevê ainda o fortalecimento de iniciativas federais de combate ao crime organizado e medidas para impedir candidaturas de pessoas ligadas a essas organizações.
Flávio Bolsonaro propõe classificar facções e milícias como organizações narcoterroristas. O candidato defende operações com uso de força, inteligência e integração entre instituições, além da prisão de lideranças criminosas, do combate à lavagem de dinheiro e de ações contra criminosos armados com fuzis.
A principal diferença está na ênfase: Lula destaca a asfixia financeira e a integração institucional, enquanto Flávio dá maior destaque ao endurecimento das ações policiais e à classificação das organizações criminosas.
O que muda na atuação das polícias?
Lula propõe ampliar a coordenação entre União, estados e municípios, com compartilhamento de dados, cooperação entre instituições e fortalecimento da inteligência policial. O plano também prevê valorização dos profissionais de segurança, estímulo ao policiamento de proximidade e ampliação do uso de câmeras corporais, com padrões nacionais para utilização e preservação das imagens.
O candidato também defende a aprovação da PEC da Segurança Pública e afirma que pretende criar um Ministério da Segurança Pública para coordenar a atuação federal com estados e municípios.
Flávio propõe implantar a chamada Muralha Brasileira, um sistema nacional de reconhecimento facial conectado a bancos de dados criminais. O plano prevê a instalação de mais de 1 milhão de câmeras em espaços públicos, portos e aeroportos para auxiliar na localização de foragidos e na prevenção de crimes.
O candidato também pretende firmar convênios com estados e municípios para investimentos em tecnologia, inteligência, armamentos e valorização dos policiais.
É importante destacar que essas iniciativas são propostas eleitorais. A execução dependerá de decisões administrativas, recursos disponíveis e, quando necessário, aprovação de mudanças legais.
Quais são as propostas para a segurança nas fronteiras?
Flávio Bolsonaro defende a criação de um Sistema Nacional de Fronteira, com uma força de elite formada por integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. A estrutura utilizaria inteligência e tecnologia para interceptar drogas e armas em fronteiras terrestres, portos e aeroportos.
Lula propõe fortalecer as ações de segurança na Amazônia Legal, em cooperação com governos estaduais e municipais e com países participantes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). O plano também prevê presença das Forças Armadas nas fronteiras amazônicas, patrulhamento aéreo e fluvial e uso de inteligência policial.
Os dois candidatos, portanto, incluem o controle das fronteiras em seus programas, mas apresentam modelos diferentes de organização e atuação.
O que cada candidato propõe para os presídios?
O sistema penitenciário é outro ponto de divergência.
Lula defende modernizar unidades prisionais estratégicas, investir em tecnologia para impedir comunicações ilícitas e ampliar a capacidade operacional do sistema penitenciário federal. O plano prevê isolamento de lideranças criminosas, protocolos nacionais para transferir presos de alta periculosidade e criação de um Centro Nacional de Inteligência Penal.
Flávio propõe construir cinco novos presídios federais de segurança máxima, com a intenção de dobrar o número de unidades desse tipo. O candidato também pretende criar 500 mil vagas em presídios estaduais, por meio de parcerias com os governos locais.
Outras medidas defendidas por Flávio incluem acabar com a progressão de regime para condenados por crimes hediondos e apoiar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O plano também menciona a responsabilização de adolescentes com mais de 14 anos que cometam crimes graves, nos termos que venham a ser estabelecidos.
Essas medidas não estão automaticamente em vigor por constarem de um plano de governo. Algumas dependem de mudanças na legislação e de aprovação pelo Congresso Nacional.
Como os candidatos pretendem combater a violência contra as mulheres?
Os dois programas incluem propostas para ampliar a proteção às mulheres, mas apresentam iniciativas próprias.
Flávio Bolsonaro defende o monitoramento eletrônico de agressores que estejam sujeitos a medidas protetivas e o endurecimento das punições para crimes contra mulheres. O plano prevê ainda a criação da plataforma de inteligência artificial ClarIA, com atendimento permanente para registro de ocorrências, solicitação de medidas protetivas e orientação às vítimas.
A proposta também inclui a integração de canais de denúncia e a ampliação dos espaços de acolhimento.
Lula, por sua vez, propõe concluir 30 Casas da Mulher Brasileira e 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira. O plano também prevê ampliar as Salas Lilás, distribuir equipamentos para monitoramento de agressores e capacitar profissionais de segurança para atender mulheres em situação de violência.
Outra frente é o fortalecimento de políticas de prevenção ao feminicídio e de promoção da autonomia econômica feminina.
Quanto cada candidato pretende investir em segurança pública?
O plano de governo de Lula prevê destinar R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) para que estados e municípios invistam em equipamentos e infraestrutura.
Flávio Bolsonaro afirma que pretende dobrar os investimentos federais em segurança pública ao longo do mandato. Segundo o levantamento da Agência Brasil, porém, o plano não detalha de onde virão os recursos necessários para atingir essa meta.
Assim, embora os dois candidatos indiquem intenção de ampliar os investimentos, há diferenças no nível de detalhamento apresentado para o financiamento.
O que propõem para roubos e furtos de celulares?
Flávio defende quadruplicar a pena inicial para quem roubar, furtar ou revender celulares provenientes de crime, além de restringir benefícios penais, conforme a proposta descrita em seu plano.
Lula propõe ampliar o programa Celular Seguro, que permite solicitar o bloqueio rápido do aparelho, e fortalecer a Base Nacional de Celulares com Restrição. A iniciativa busca ajudar consumidores a verificar se um telefone tem restrições antes de comprá-lo. O candidato também pretende intensificar o combate às redes de receptação.
A diferença está entre a aposta de Flávio no aumento das punições e a ênfase de Lula em ferramentas de bloqueio, consulta e combate ao comércio ilegal.
Quais são as outras propostas de segurança?
Lula também prevê manter a política de controle de armas e munições, aprimorar a rastreabilidade desses produtos e reforçar o combate a crimes financeiros e cibernéticos. O plano inclui ações contra fraudes bancárias, crimes de ódio, racismo, exploração sexual de crianças e adolescentes e violência contra mulheres e pessoas LGBTQIAP+.
Flávio propõe trabalhar com o Congresso para aprovar a castração química de condenados por crimes sexuais contra mulheres e crianças. A medida, segundo o plano descrito pela Agência Brasil, teria efeito temporário durante a administração dos medicamentos que inibem a produção de testosterona.
A eventual adoção dessa medida dependeria de mudanças legais e da definição de critérios para sua aplicação.
As propostas já estão valendo?
Não. Os pontos apresentados nesta reportagem integram os planos de governo dos candidatos e não significam que as medidas já tenham sido aprovadas ou estejam em execução.
Algumas propostas podem depender de leis, alterações constitucionais, decisões administrativas, acordos com estados e municípios ou definição de fontes de financiamento. A implementação também dependerá das prioridades e das condições de um eventual próximo governo.
Por isso, a comparação ajuda o eleitor a identificar as prioridades de cada candidatura, mas é importante distinguir promessas eleitorais de políticas públicas já existentes.
Fonte: Agência Brasil — reportagem “Conheça as propostas de Flávio e Lula para a segurança pública”, publicada em 9 de outubro de 2026. Leia a reportagem original.
Estudante iniciante de Jornalismo com graduando em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), possui mais de 15 anos de experiência na área comercial. Tem interesse em análise de dados, apuração de informa...
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