Renda Renascença de Poção, no Agreste de Pernambuco
(Imagem: Foto: Fenearte)
A Renda Renascença de Poção, no Agreste de Pernambuco, conquistou um importante reconhecimento para o artesanato regional. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao produto a Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, valorizando a tradição e a reputação do município na produção dessa renda artesanal.
A conquista reforça a importância de um trabalho realizado manualmente e transmitido entre gerações. Com linha, agulha e lacê, as rendeiras transformam técnicas tradicionais em peças que carregam a identidade cultural de Poção e representam uma fonte de renda para diversas famílias.
O reconhecimento também cria novas oportunidades para valorizar o produto no mercado, destacando sua origem e a relação histórica entre a comunidade e o saber-fazer artesanal.
Como a Renda Renascença chegou a Poção?
A história da Renda Renascença no município começou na década de 1930, quando Maria Pastora levou a técnica para a região. Ela havia aprendido o ofício no Convento Santa Teresa, em Olinda, e passou a compartilhar o conhecimento com outras mulheres da comunidade.
Ao longo dos anos, a atividade se espalhou entre as famílias e se consolidou como uma tradição local. O trabalho das rendeiras contribuiu para construir a reputação de Poção como referência na produção artesanal da renda.
Conhecido desde 2011 como a Capital da Renascença, o município mantém essa tradição por meio do trabalho manual e da transmissão das técnicas entre diferentes gerações.
As peças produzidas exigem habilidade, paciência e atenção aos detalhes. Cada etapa depende do domínio da técnica, o que torna o trabalho artesanal uma expressão da cultura e da identidade da região.
O que significa a Indicação Geográfica concedida pelo INPI?
A Indicação Geográfica é um reconhecimento que relaciona determinado produto ou serviço à sua origem geográfica. Na modalidade Indicação de Procedência, o registro identifica um local que se tornou conhecido pela produção de um produto ou pela prestação de um serviço.
No caso da Renda Renascença de Poção, o registro reconhece a reputação construída pelo município nessa atividade artesanal.
Na prática, a Indicação Geográfica pode ajudar a diferenciar as peças no mercado, valorizar sua procedência e fortalecer a identidade do produto. O reconhecimento também contribui para proteger a reputação coletiva associada ao nome geográfico, conforme as regras aplicáveis ao registro.
Para as artesãs e os artesãos, a conquista representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade do trabalho e reforçar o valor cultural e econômico da produção local.
Renda Renascença também é Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco
A conquista da Indicação Geográfica ocorre poucos meses depois de outro reconhecimento importante. Em julho de 2026, a Renda Renascença de Poção foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, conforme as informações divulgadas sobre a tradição.
Os dois reconhecimentos valorizam aspectos complementares da atividade: enquanto o patrimônio cultural destaca a importância histórica e cultural do saber-fazer, a Indicação Geográfica identifica a relação entre o produto, sua origem e a reputação construída no município.
A combinação dessas iniciativas reforça a importância de preservar as técnicas artesanais e apoiar as pessoas que mantêm a tradição viva.
Tradição que movimenta a economia local
Além de seu valor cultural, a Renda Renascença tem importância econômica para Poção. A atividade representa uma fonte de renda para famílias que trabalham na confecção das peças e ajuda a manter vivo um conhecimento construído ao longo de décadas.
O reconhecimento nacional pode contribuir para ampliar a divulgação do artesanato, fortalecer a identidade do município e abrir novas possibilidades de comercialização.
Mais do que uma técnica de produção, a Renda Renascença representa a história de uma comunidade e o trabalho de mulheres e homens que preservam um patrimônio transmitido de geração em geração.