Nova lei pretende combater preconceito e estimular profissionalização.
(Imagem: Rafael Zocco/Ferroviária)
O desenvolvimento do futebol feminino no Brasil passa a contar com novas diretrizes nacionais voltadas à formação de atletas, organização de competições, melhoria de infraestrutura e proteção das profissionais envolvidas na modalidade. O conjunto de orientações busca estruturar políticas de longo prazo e reduzir desigualdades históricas em relação ao futebol masculino.
As medidas chegam em um momento estratégico para o país, que será sede da Copa do Mundo Feminina de 2027. Mais do que preparar a seleção brasileira para o torneio, a proposta é utilizar o ciclo do Mundial para fortalecer clubes, categorias de base, profissionais e oportunidades de participação em diferentes regiões.
Formação começa nas categorias de base
Um dos eixos é ampliar as condições para que meninas tenham acesso ao futebol desde as etapas iniciais de formação. A existência de equipes de base, competições regulares e profissionais qualificados é considerada essencial para aumentar o número de praticantes e criar uma trajetória esportiva mais consistente até o alto rendimento.
O desenvolvimento também depende de calendário previsível. Competições com continuidade permitem que clubes planejem elencos, contratos e preparação, além de oferecerem às atletas mais oportunidades de jogo ao longo da temporada.
Infraestrutura e profissionalização
As diretrizes tratam ainda da necessidade de instalações adequadas para treinos e partidas. Campos, vestiários, estruturas médicas e espaços de preparação precisam acompanhar a expansão da modalidade para que o crescimento não ocorra apenas em número de equipes, mas também em qualidade das condições oferecidas.
A profissionalização envolve técnicos, preparadores, equipes médicas, arbitragem, dirigentes e outras funções que compõem a cadeia do futebol. A ampliação da presença de mulheres nesses espaços também é relevante para criar oportunidades para além das quatro linhas.
Proteção e ambiente seguro
Outro ponto central é a garantia de direitos e de ambientes esportivos seguros. Políticas de prevenção ao assédio, à violência e à discriminação são parte da construção de estruturas capazes de proteger atletas, especialmente nas categorias de formação.
A implementação das diretrizes dependerá da articulação entre poder público, confederações, federações, clubes e demais organizações do esporte. Como parte das medidas exige investimento e planejamento contínuo, o acompanhamento dos resultados será importante para verificar se os princípios se transformam em ações concretas.
Copa de 2027 amplia oportunidade de legado
A realização do Mundial no Brasil aumenta a visibilidade e pode acelerar investimentos, mas o legado dependerá do que permanecer depois da competição. Estruturas de base, campeonatos regulares e condições profissionais são elementos que podem produzir efeitos duradouros para a modalidade.
O desafio é transformar o crescimento de público e interesse em uma rede sustentável, capaz de formar novas atletas e manter equipes competitivas em diferentes partes do país. As diretrizes estabelecem referências para esse processo, cuja execução deverá ser acompanhada nos próximos anos.