Etanol e biodiesel fazem parte das alternativas para reduzir o uso de combustíveis fósseis no transporte.
(Imagem: gerado por IA)
A substituição de combustíveis fósseis por alternativas renováveis no transporte é tema de debate no Brasil, país que já utiliza etanol na gasolina e biodiesel no diesel. A discussão ganhou espaço com a Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que estabeleceu instrumentos para ampliar a participação de fontes renováveis e estimular novos combustíveis. A perspectiva de substituir progressivamente derivados de petróleo, porém, envolve questões de produção, infraestrutura, custos e impacto ambiental.
Em artigo de opinião publicado pela Folha de Pernambuco, o tema é apresentado sob a perspectiva da substituição dos combustíveis fósseis no transporte. O debate reúne argumentos sobre a contribuição dos biocombustíveis para a redução das emissões e para o aproveitamento da capacidade produtiva brasileira. A extensão dessa substituição, entretanto, depende de estudos técnicos e das condições de cada modalidade de transporte.
O que já mudou na matriz brasileira
Desde agosto de 2025, a mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel é de 15%, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em agosto de 2026, a proporção de etanol anidro na gasolina comum passou temporariamente a 32%, por decisão do Conselho Nacional de Política Energética. As medidas ampliam o uso de fontes renováveis sem exigir, de imediato, a substituição integral da frota.
O biodiesel é produzido a partir de óleos vegetais e gorduras animais, enquanto o etanol brasileiro tem na cana-de-açúcar uma de suas principais matérias-primas. Esses combustíveis podem reduzir a dependência de derivados de petróleo, mas seu desempenho ambiental varia conforme a origem da matéria-prima, as práticas agrícolas, o processamento industrial e a logística de distribuição.
Expansão exige estudos e fiscalização
A ANP participa de um projeto de pesquisa para avaliar a viabilidade técnica de elevar as misturas para 35% de etanol na gasolina e 25% de biodiesel no diesel. Os estudos devem subsidiar futuras decisões regulatórias, sem significar que esses percentuais já tenham sido aprovados para comercialização geral. A agência também discute mecanismos de monitoramento para verificar o cumprimento das misturas obrigatórias pelos distribuidores.
Outra frente é o uso voluntário de biodiesel em concentrações superiores à mistura obrigatória, especialmente em transporte público, ferrovias, navegação e frotas específicas. Mudanças regulatórias em 2026 passaram a prever comunicação à ANP para determinadas aplicações, em lugar da exigência anterior de anuência prévia.
Limites da substituição
O avanço dos biocombustíveis depende de oferta regular, qualidade do produto e compatibilidade com motores e equipamentos. Também exige atenção ao uso do solo, à disponibilidade de água e à competição por matérias-primas agrícolas. Por isso, a redução das emissões do transporte tende a combinar diferentes soluções, como eficiência energética, eletrificação e combustíveis renováveis adequados a cada atividade.
O debate sobre a substituição dos fósseis não se resume ao percentual misturado na bomba. Para produzir ganhos ambientais duradouros, a expansão dos biocombustíveis precisa considerar as emissões de todo o ciclo de vida e os efeitos econômicos e sociais da cadeia produtiva.