Representação editorial dos desafios de verificar vídeos e conteúdos digitais produzidos por inteligência artificial.
(Imagem: gerado por IA)
Vídeos produzidos ou alterados com inteligência artificial, associados à circulação de informações enganosas em diferentes plataformas, estão no centro das preocupações do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) para as eleições de 2026. O diagnóstico consta do Guia Internet, Democracia e Eleições, divulgado em 22 de setembro, que examina mudanças na produção e distribuição de conteúdos digitais desde o pleito de 2018.
Do texto falso ao vídeo aparentemente autêntico
Segundo o guia, conteúdos em vídeo ganharam importância como veículo de desinformação. Muitas vezes, as imagens circulam acompanhadas de uma legenda curta, que fornece uma interpretação e pode apresentar uma afirmação enganosa como se fosse verdadeira. Recursos de IA generativa aumentam a facilidade de produzir vozes e imagens sintéticas e tornam mais difícil a identificação visual de manipulações.
A análise do CGI.br não significa que todas as publicações produzidas com IA sejam falsas: o risco está em apresentar conteúdo fabricado ou retirado do contexto como registro verdadeiro, especialmente quando se atribuem declarações inexistentes a pessoas públicas.
Mensagens privadas dificultam a checagem
O documento também identifica mudanças nos canais de distribuição. Enquanto redes abertas concentravam parte importante da circulação de boatos em 2018, grupos e conversas de aplicativos de mensagens passaram a ter papel maior. A propagação simultânea em várias plataformas dificulta rastrear a origem de um conteúdo e corrigi-lo depois que alcança grandes públicos.
Os sistemas de recomendação e a segmentação de mensagens também entram na análise. A personalização pode ampliar a exposição repetida a conteúdos que reforçam convicções prévias e reduzir o contato com versões divergentes de um mesmo fato.
O que é uma deepfake
Deepfake é um conteúdo sintético ou manipulado, frequentemente em áudio ou vídeo, criado para reproduzir de maneira convincente a aparência ou a voz de alguém. A técnica pode ser usada em produções legítimas, como cinema e acessibilidade, mas se torna desinformação quando há ocultação da manipulação e intenção de induzir o público a erro.
Como identificar sinais de alerta
Antes de compartilhar um vídeo surpreendente, é importante procurar a gravação original, conferir data e local, verificar se a declaração aparece em canais oficiais e buscar confirmação em veículos jornalísticos independentes. Erros em lábios ou iluminação podem indicar edição, mas sua ausência não comprova autenticidade. Também é necessário cuidado com áudios encaminhados sem origem verificável e recortes que omitem o contexto.
O guia defende educação midiática, transparência das plataformas e atuação institucional para proteger a integridade da informação. O objetivo é ampliar as condições para que o eleitor avalie documentos e propostas reais, sem confundir produção sintética com prova de um acontecimento.