Ri Happy busca renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas após mudança de controle.
(Imagem: Instagram: rihappy)
A Ri Happy, uma das principais redes de lojas de brinquedos do Brasil, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A empresa apresentou a solicitação à Justiça de São Paulo no domingo (18), como parte de um plano para reorganizar as finanças e buscar condições para pagar os credores.
O processo também envolve outras cinco empresas ligadas ao grupo, entre elas a PBKids. Até a atualização das informações divulgadas nesta segunda-feira (19), o caso aguardava uma decisão da Justiça.
A medida ocorre menos de dois meses depois de a BluSun Capital Partners assumir o controle integral da companhia. A mudança aconteceu em 31 de agosto de 2026 e marcou o retorno de Héctor Núñez à presidência da varejista.
A negociação da dívida representa um novo desafio para a empresa, que enfrenta dificuldades relacionadas ao cenário econômico e às mudanças no mercado de brinquedos.
Pedido envolve seis empresas do grupo
Além da Ri Happy Brinquedos S.A., o processo inclui a Brincar Marcas e Participações, a DRH Casa de Festa, a New Toys Comércio, Distribuição e Importação, a Partout Administração de Franquias e Bens e a PBKids Brinquedos.
A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com credores um plano para reorganizar suas dívidas. A companhia pode levar o acordo à Justiça para solicitar a homologação, conforme as regras aplicáveis.
O pedido não significa que a Justiça já aprovou a proposta nem que a empresa concluiu a renegociação. O grupo ainda precisa cumprir as exigências legais para consolidar o plano.
Juros altos e concorrência pressionam a varejista
No documento apresentado à Justiça, o grupo atribuiu as dificuldades financeiras a diferentes fatores. A empresa citou os efeitos da pandemia, a elevação dos juros, as mudanças nos hábitos de consumo e o aumento da concorrência no setor.
A Ri Happy também apontou a disputa com plataformas internacionais de comércio eletrônico, como Shopee e AliExpress. Esses canais ampliaram a oferta de produtos importados e pressionam os preços praticados pelo varejo tradicional.
O grupo já havia renegociado R$ 292 milhões em dívidas em 2023. No entanto, segundo as informações apresentadas pela companhia, o cenário econômico e o custo do crédito dificultaram a recuperação financeira esperada.
Nova gestão revisa custos e estrutura da empresa
A BluSun Capital Partners assumiu 100% do Grupo Ri Happy em agosto de 2026. Com a mudança de controle, Héctor Núñez voltou à presidência da companhia, cargo que já havia ocupado entre 2012 e 2020, segundo informações divulgadas pela imprensa.
A nova administração iniciou uma revisão de custos, promoveu ajustes nas equipes corporativas e preparou uma mudança de sede. A empresa não divulgou quantos funcionários foram afetados pelas mudanças nem a economia prevista com as medidas.
Mesmo com o pedido de recuperação extrajudicial, a Ri Happy informou que pretende manter as operações das lojas físicas e dos canais digitais. A companhia também segue com os preparativos para a Black Friday e o Natal, períodos importantes para as vendas de brinquedos.
Pollyana Barros Leite integra a equipe de jornalismo, atuando na área de edição de notícias. É formada em Direito e Biologia e possui experiência em produção e edição de conteúdo jornalístico, com ênfase em programas gov...
Ver todas as publicações