Funcionário serve refeição em bandeja a cidadão em ação de segurança alimentar da Prefeitura de João Pessoa.
(Imagem: Foto: Ascom Sedes, Kleide Teixeira e Quel Valentim/Arquivo)
No Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira (16), a Prefeitura apresentou o balanço da segurança alimentar em João Pessoa entre janeiro e setembro de 2026. As sete Cozinhas Comunitárias e os três Restaurantes Populares distribuíram 990 mil refeições no período. O Banco de Alimentos, por sua vez, destinou mais de 347 toneladas de alimentos in natura a associações.
Como funciona a política de segurança alimentar em João Pessoa
Os serviços fazem parte da política municipal de segurança alimentar, que tem o programa Bora Comer como iniciativa para ampliar o acesso à alimentação. A coordenação é da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). Segundo a Prefeitura, os equipamentos atendem pessoas em diferentes situações de vulnerabilidade social e ajudam a reduzir os custos das famílias com comida.
Os alimentos distribuídos pelo Banco de Alimentos chegam às associações por meio dos Programas de Aquisição de Alimentos (PAA) Municipal e Federal e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Cozinhas Comunitárias oferecem almoço e jantar gratuitos
As sete unidades ficam nas comunidades do Timbó (Bancários), Bela Vista (Cristo), Taipa (Costa e Silva) e Gervásio Maia (Colunas do Sul), além dos bairros dos Novais, Jardim Veneza e Alto do Mateus. As famílias cadastradas recebem almoço e jantar gratuitamente, de segunda a sexta-feira.
Cada cozinha atende 300 famílias e produz 600 refeições por dia. As unidades também funcionam como espaço de qualificação profissional e têm sala para cursos.
A secretária de Desenvolvimento Social, Norma Gouveia, afirma que a atuação da Prefeitura na segurança alimentar vai além do prato servido. “Nas Cozinhas, as famílias encontram acolhimento, cidadania e oportunidades”, disse, citando as capacitações e atividades educativas oferecidas.
O efeito aparece no orçamento de quem frequenta o serviço. A dona de casa Fernanda da Cruz, beneficiária da unidade do Alto do Mateus, recebe almoço e jantar gratuitos para ela e para as duas filhas. “Hoje eu gasto menos com alimentação e tenho economizado bastante no supermercado”, contou.
Na mesma unidade, Luzinete de Andrade vai com a filha e diz que a garantia das refeições na semana permite destinar parte do dinheiro a outras despesas, inclusive medicamentos. “Eu agradeço muito por ter esse alimento todos os dias e saber que não vai faltar”, relatou.
Restaurantes Populares servem refeição a R$ 1
Os Restaurantes Populares de Mangabeira, Varadouro e Castelo Branco atendem por demanda livre. As refeições são vendidas por um valor simbólico de R$ 1. A unidade do Castelo Branco foi inaugurada no início de 2026 e recebe o público universitário e a população em geral.
A costureira Rejane Maria de Souza Rocha almoça no local há cerca de dois meses. Como trabalha em casa, no ateliê, ela diz que o restaurante facilita a rotina, porque não precisa passar a manhã cozinhando.
O estudante Rafael Barroso Lima, do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), também usa o serviço. Morador do Castelo Branco, ele entrou por inscrição em edital, dentro dos critérios de vulnerabilidade social. “Ter acesso a uma refeição por apenas R$ 1 facilita muito a minha rotina e me permite economizar”, explicou.
A rede deve crescer. Em setembro, o prefeito Leo Bezerra anunciou o início do processo de licitação para a construção do Restaurante Popular do Valentina.
Banco de Alimentos e Programa Pão e Leite
O Banco de Alimentos distribui raízes, frutas e leguminosas produzidas por agricultores familiares. Os produtos vão para associações cadastradas nos conselhos de direitos da Capital, que desenvolvem atividades sociais de apoio a famílias em vulnerabilidade. A distribuição complementa a oferta direta de refeições.
O Bora Comer também inclui o Programa Pão e Leite. O benefício é um auxílio de R$ 70 por mês, pago em cartão magnético, para compra de alimentos em estabelecimentos credenciados. Atualmente, mais de nove mil famílias são atendidas. Desde 2022, quando o programa foi implantado, mais de dezenove mil já passaram por ele.
A concessão considera critérios de vulnerabilidade social, como renda, número de moradores e de filhos na casa e presença de pessoas com deficiência na família. A Prefeitura também monitora as famílias para verificar se elas continuam dentro dos critérios e como evoluem na política de segurança alimentar em João Pessoa.